Tarifaço de Trump preocupa setor portuário e prefeituras da Baixada Santista | Boqnews
Foto: Divulgação/APS
11 de julho de 2025

Tarifaço de Trump preocupa setor portuário e prefeituras da Baixada Santista

O anúncio do aumento das tarifas de impostos em 50% nos produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos pelo presidente americano Donald Trump coloca em alerta toda uma cadeia produtiva no País – e em especial no Estado de São Paulo.

E, claro, a Baixada Santista, onde está o maior porto da América do Sul.

A medida valerá a partir de 1º de agosto.

O governo Lula já anunciou que pode colocar em prática a reciprocidade, caso o governo americano mantenha a sobretaxa – já aumentada em 10% em abril pelo governo Trump.

Ou seja, produtos importados dos EUA também chegariam mais caros para os brasileiros.

Afinal, o desempenho da economia brasileira passa pelo principal estado da nação, onde circula 38% do PIB – Produto Interno Bruto brasileiro.

Neste cenário, o Porto de Santos se destaca como polo de exportação e importação de produtos, graças à força da indústria paulista.

Dessa forma, passam pelo cais santista 22,2% das trocas comerciais entre os Estados Unidos e o Brasil.

Ou seja, 1 em cada 5 dólares nas negociações bilaterais de ambos os países passa por Santos.

Perdendo apenas da China, com 47,1% de toda a movimentação de exportação e importação pelo cais santista.

Alemanha (8%), Índia (5,3%), Japão (5%) e demais países (12,4%) completam a lista.

Queda

As estimativas do setor portuário são de um queda geral em torno de U$ 40 bilhões (R$ 220 bilhões – o equivalente a 60% da arrecadação do estado de SP neste ano) em exportações.

Se isso ocorrer, haverá o aumento da pressão inflacionária, com desvalorização do real e aumento do desemprego especialmente nos setores exportadores.

Atualmente, contrariando o que o próprio presidente Donald Trump afirmou em sua carta enviada ao governo brasileiro, os EUA tem um superávit de U$ 253,3 milhões (R$ 1,39 bilhão) em relação ao Brasil.

Ou seja, o Brasil importa mais que exporta para os Estados Unidos.

Produtos

Neste contexto, os produtos que o Brasil mais compra dos EUA são motores e máquinas não elétricas, óleos combustíveis, aeronaves e equipamentos.

Além de gás natural, químicos, medicamentos, peças para o setor industrial, trigo e centeios não moídos, polímeros de etileno, entre outros.

Por sua vez, o Brasil exporta para os norte-americanos petróleo bruto, produtos semimanufaturados de ferro e aço, aviões.

Ainda: carne bovina congelada, sumos de frutos, café, pastas químicas de madeira, entre outros.

E São Paulo tem papel preponderante neste cenário.

Um exemplo claro desta relação ocorre com o suco da laranja.

Cidades como Matão e Limeira, por exemplo, no interior paulista, são berços da citricultura brasileira.

Afinal, o Brasil produz 79% do suco de laranja comercializado no mundo.

Somente os Estados Unidos consomem 32,12% deste volume – atrás apenas da Europa, com 52,77%.

Por sua vez, o Porto de Santos exporta 95% do suco de laranja brasileiro, 71% do café, 71% do açúcar e 95% do algodão produzido no Brasil.

Só para citar alguns exemplos.

Terminais

Diante da sua importância e localização estratégica, o Porto de Santos abriga dois terminais exclusivos para embarque do suco de laranja.

Casos da Citrosuco (unidade em Santos) e da Cutrale (em Santos e Guarujá).

Indagadas pelo Boqnews sobre os impactos da novas tarifas do presidente americano aos produtos brasileiros, ambas não se manifestaram.

A própria Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos nada publicou em sua página oficial na internet.

Em seu site, em reportagem de abril, quando Trump anunciou uma sobretaxa de 10% nas taxas contra produtos brasileiros (agora serão 50%), a entidade calculou “um impacto significativo para a cadeia brasileira de suco de laranja”.

O adicional poderia chegar a R$ 585 milhões ao ano com a sobretaxa de 10%. Ou seja, com a nova tarifa, quase R$ 3 bilhões.

“Os Estados Unidos respondem por cerca de 37% das exportações brasileiras do produto. De acordo com dados da Secex compilados pela CitrusBR, entre julho de 2024 e fevereiro de 2025, foram embarcadas 207.205 toneladas de suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ 66 Brix), totalizando US$ 879,8 milhões em faturamento”, explicou a nota, na ocasião.

Prefeitura de Santos

A Reportagem contatou as três prefeituras que tem atividades portuárias na região: Santos, Guarujá e Cubatão.

Esta última onde opera o terminal portuário da Usiminas, produtora de aço, um dos principais produtos atingidos pelo tarifaço de Trump.

Ainda que não seja possível identificar os impactos na arrecadação municipal, há clara preocupação sobre esta possibilidade a curto e médio prazos.

Em nota, a prefeitura de Santos informou que ainda não é possível fazer projeções sobre os impactos financeiros da tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros exportados pelo Porto de Santos, anunciada pelo governo norte-americano.

“No entanto, confirmando-se as perspectivas de redução da movimentação de cargas no complexo e a eventual reciprocidade tarifária brasileira, consequentemente haverá redução na arrecadação municipal”.

“A Prefeitura ressalta que, por ora, uma eventual perda de arrecadação, motivada pela sobretaxação, não impactará a manutenção dos serviços municipais, em razão do equilíbrio fiscal da Administração e da responsabilidade com os cofres públicos nos últimos anos”.
No ano passado, a Prefeitura de Santos arrecadou R$ 850 milhões com o Imposto sobre Serviços (ISS) gerado pelas operações portuárias da Cidade.

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Prefeitura de Cubatão

Também em nota, a Prefeitura de Cubatão informa que “acompanha com atenção essa movimentação, considerando que o mercado americano representa uma parcela significativa das exportações de produtos fabricados em Cubatão”.

“Até o momento em 2025, foram mais de US$ 34 milhões (R$ 187 milhões) exportados para os Estados Unidos, o que reforça a necessidade de vigilância diante dos desdobramentos dessa guerra comercial”.

“Diante do anúncio do aumento das tarifas, reconhecemos a relevância do tema e sua possível repercussão na economia local”.

“No entanto, neste momento, decidimos aguardar os desdobramentos práticos da medida, uma vez que ainda não há informações consolidadas sobre os impactos diretos nas operações das empresas instaladas no município”.

“A Prefeitura, por meio das Secretaria de Indústria, Porto,  Emprego e Empreendedorismo, permanece atenta e preparada para, se necessário, realizar estudos mais aprofundados sobre eventuais efeitos na arrecadação municipal e no nível de emprego, sempre com o objetivo de proteger o desenvolvimento econômico local e a geração de oportunidades”, finalizou.

Prefeitura de Guarujá

A Reportagem aguarda posicionamento da prefeitura de Guarujá para colocá-lo na matéria.

 

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Fernando De Maria
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