Epicobs

25 DE JUNHO DE 2020

Total de infectados na Baixada Santista supera população de quatro cidades

A taxa de crescimento de pessoas contaminadas na região é a mais acelerada em todos os outros estudos existentes no mundo, conforme revela o estudo Epicobs

Por: Fernando De Maria

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Enquanto prefeitos da Baixada Santista defendem que o governador João Doria anuncie nesta sexta (26) a mudança de fase na região – da laranja para amarela, mais flexível –  a quarta e última etapa da pesquisa Epicobs revela justamente o oposto, ou seja, risco de retrocesso e volta à zona vermelha.

Afinal, a taxa de crescimento de pessoas contaminadas na região é a mais acelerada em todos os outros estudos existentes no mundo.

Na primeira etapa o final de abril, havia 1 em cada 69 habitantes com anticorpos do covid-19.

Na quarta e última etapa, encerrada no último dia 20 de junho, a taxa já era de 6,6% da população regional – com média de 1 infectado a cada 15 habitantes.

Ou seja, em quase 50 dias, a taxa de crescimento de pessoas assintomáticas do Covid-19 subiu quase 5 vezes.

Em números, a média chega a quase 121 mil pessoas com anticorpos do Covid-19, variando de 102 mil a 137 mil.

Ou seja, a quantidade de infectados é maior que a população de quatro cidades: Bertioga (63.290 habitantes), Mongaguá (54.610), Peruíbe (66.201) e Itanhaém (98.757).

E em situação extrema, a quantidade supera a população de um quinto município: Cubatão, com 129.145 moradores.

“Comparamos com várias pesquisas realizadas no Brasil e no mundo e em nenhuma houve um taxa de crescimento de casos tão elevada”, explica médica sanitarista Karina Calife, professora doutora da Faculdade de Medicina da Santa Casa e uma das cientistas  integrantes do grupo de estudo realizado na Baixada Santista.

Cerca de 10 mil testes rápidos foram aplicados em moradores da região durante quatro etapas da pesquisa. Foto: Marcelo Martins – PMS

 

Abertura de atividades, um risco preocupante

A pesquisadora teme que a abertura de atividades faça com que ocorra uma explosão de casos nas próximas semanas.

“É difícil a abertura de atividades com tanto gente suscetível. A possibilidade de crescimento de casos é preocupante”, enfatiza.

E complementa: “A flexibilização das atividades comerciais é inadequada por mais cuidado com que se tenha”.

“Estamos fazendo isso muito antes da hora”, enfatiza a profissional.

Ela ressalta dois pontos que chamam a atenção: rapidez no crescimento de pessoas com anticorpos do Covid-19 e um elevado número de pessoas ainda  suscetíveis a contrair o vírus.

Conforme ela, a flexibilização em outros países é bem diferente da que ocorre aqui.

“Em países europeus, os casos estavam em queda. Aqui, não”, reafirma.

 

Flexibilização x pacientes infectados

Não bastasse, outro dado preocupante: para cada caso notificado existem sete não notificados na região.

Justamente por falta de testes realizados na população.

E por cidades, há uma disparidade incrível.

Por sua vez, em São Vicente, para cada infectado, 20 não são notificados.

Em Peruíbe, a proporção é de 1 para 19. Em Itanhaém, 1 para 16 e em Guarujá, 1 para 10.

Já em Santos, é de 1 para 2 e em Praia Grande, de 1 para 5.

Causa e efeito

Assim, há uma relação clara entre flexibilização de atividades e aumento de casos.

Além disso, um dos dados que chamam a atenção é que as cidades que anteciparam a flexibilização das atividades foram justamente as que registram o maior volume de pacientes infectados.

Caso de Guarujá, onde 11 em cada 100 moradores já tem anticorpos do Covid-19 (10,78%) – cerca de 13.300 a 28.160 habitantes.

Ou São Vicente, com 9,86%, variando de 7.517 a 19.686.

Assim, caso a região passe para a fase amarela, como defendem alguns prefeitos, será possível a abertura de outras atividades comerciais, como bares, restaurantes, salões de beleza e barbeiros, além de ampliação dos horários do comércio.

Por sua vez, a pesquisadora acredita que possa ocorrer justamente o oposto em breve, com a região retrocedendo à fase vermelha, como ocorreu com o Vale do Ribeira.

 

Continuação

Cidades como Santos já anunciaram que manterão os estudos de monitoramento do avanço do Covid-19.

Outros municípios também poderão dar continuidade ao trabalho.

Assim, os kits de testes foram adquiridos por quase R$ 1,9 milhões pela Fundação Parque Tecnológico de Santos, com aval do Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista – Condesb.

 

Conclusão

O estudo chegou às seguintes conclusões:

  • A prevalência está em ascensão na Baixada Santista
  • A velocidade de disseminação da infecção da Baixada Santista é mais acelerada do que todos os estudos semelhantes no mundo
  • O crescimento entre as fases 3 e 4 se deu em maior intensidade do que o observador entre as fases 2 e 3 (77,2%).
  • Atenção especial aos municípios de Guarujá, São Vicente e Cubatão
  • Recomendamos a manutenção do isolamento social e utilização de máscara de forma adequada por toda a população.

 

Confira a entrevista da médica e professora Karina Calife ao programa Notícias do Dia.

 

 

 

 

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