Meio Ambiente

Presença de microlixo nas praias de Santos eleva os índices de poluição

Plásticos e bitucas de cigarro são os fragmentos mais encontrados. Neste sábado (15) tem mutirão de limpeza em Santos e São Vicente

14 de fevereiro de 2020 - 20:20

Ana Carol

Compartilhe

O conceito de sustentabilidade já está disseminado há tempos, onde a importância de buscar formas para não prejudicar a sobrevivência de gerações futuras é o principal objetivo.

Nessa prática, muito se discute a poluição com plástico, especialmente nos oceanos. Estudos indicam que a presença do material trará consequências graves a longo prazo, mas não é preciso ir muito longe para notar os efeitos.

Santos, cidade turística, tem como um dos cartões postais a praia, assim como todo o litoral. Entretanto, os visitantes, bem como os munícipes, se deparam com uma situação que foge do ideal, pois as praias da Cidade estão poluídas com microlixo.

São itens de pequenas dimensões, menores que 50 centímetros, feitos por materiais manufaturados.

Desde 2013, o Instituto Mar Azul (IMA) realiza mutirões de limpeza nas praias santistas. Mais uma edição acontece em praias de Santos e São Vicente neste sábado (15) pela manhã, em seis locais na orla de Santos e São Vicente.

Com base em dados coletados nos mutirões feitos em 2019, o instituto divulgou que 48% do microlixo recolhido nas praias de Santos corresponde a itens plásticos, representando 82.639 fragmentos.

Na sequência, bitucas de cigarro (61.091); hastes de cotonetes (2.715); metais diversos (2.298) e fragmentos de papel (2.055) são os itens mais encontrados.

O diretor-presidente do instituto, Hailton Santos, cita também a presença de resíduos perfurocortantes como um dado preocupante.

 

microlixo

Diversos itens podem ser encontrados em um rápido passeio pelas praias. Foto: Divulgação/IMA

Estudo

Em maio de 2019, foi idealizado um projeto de avaliação quali-quantitativa do microlixo nas praias de Santos, em parceria do IMA com Ítalo Braga de Castro, professor doutor da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo).

Outro objetivo da iniciativa é promover a conscientização e a participação das pessoas na causa – prática conhecida como Ciência Cidadã.

O projeto, iniciado no outono passado, busca avaliar a quantidade de resíduos encontrados nas quatro estações do ano. Dessa forma, a ação deste sábado encerra o ciclo de coleta para que os dados possam ser analisados, com conclusão prevista para maio.

Posteriormente, os resultados poderão ser utilizados para implementação de políticas públicas para combate do lixo no mar.

A expectativa é que a campanha deste verão apresente a maior quantidade de resíduos, devido ao maior fluxo de visitantes na região.

Braga pontuou que, até o momento, a primavera apresentou maior quantidade de microlixo em comparação a outras estações, mas enfatizou ainda que os números não diferem expressivamente.

Além disso, afirma que a poluição também tem a contribuição das atividades portuárias e dos canais. Sendo assim, é necessário conscientizar a população.

 

microlixo

Descarte irregular de materiais polui o meio ambiente e a paisagem litorânea. Foto: Nando Santos

Resultados

Braga explica que o foco de estudo são as praias que envolvem a Baía de Santos – imediações do Aquário; Aparecida; Boqueirão; Canal 1; Emissário Submarino; e Itararé, em São Vicente.

Utilizando critérios internacionais, a quantidade de lixo encontrada divide as praias em cinco categorias. Portanto, da mais limpa para a mais suja.

Outro índice utilizado avalia a proporção de microlixos que podem oferecer riscos à saúde pública – vidros, metais, lixo sanitário, preservativos usados, lixo tóxico, entre outros fragmentos e objetos.

Nessa avaliação, as praias estudadas apresentam níveis intermediário e altos de contaminação.

Braga destaca que, nas três ações realizadas até o momento, as praias citadas anteriormente estavam sujas ou muito sujas em todos os períodos de amostragem.

Além disso, o resultado preliminar dá destaque negativo para as praias do Boqueirão e do Itararé, com as maiores quantidade de resíduos. Um possível motivo, segundo o pesquisador, é o maior fluxo de pessoas nessas localidades.

LEIA TAMBÉM: