No São Bento, mais de 50 horas de buscas para resgatar família | Boqnews
Foto: Divulgação

Chuvas

05 DE MARÇO DE 2020

No São Bento, mais de 50 horas de buscas para resgatar família

Centenas de pessoas no Morro São Bento atuam de forma ininterrupta, junto com o Corpo de Bombeiros e Defesa Civil, para encontrar uma família que está sob os escombros.

Por: Fernando De Maria

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O sol voltou a brilhar na Baixada Santista.

Assim, um sopro de esperança surge para centenas de pessoas que se uniram para tentar resgatar uma família (um casal e três crianças, uma menina de 4 anos e dois meninos, de 8 e 14).

Eles estão em uma edificação soterrada no Morro São Bento, em Santos, no litoral paulista, uma das cidades atingidas pela tragédia das chuvas.

Até o momento, conforme a Defesa Civil, são 28 mortos.

Mas o número de desaparecidos cresceu.

Eram 27 até às 15h30 de hoje, conforme relato da Defesa Civil do Estado.

Agora são 42. E os números devem crescer.

Afinal, há relatos de pessoas não contabilizadas, como no Morro da Barreira, em Guarujá.

 

Equipes da Defesa Civil e Corpo de Bombeiros atuam em busca dos desaparecidos. Foto: Divulgação

União

Desde o início da madrugada da terça-feira, dia 3, centenas de pessoas se revezam para tirar a lama que atingiu casas no Morro São Bento.

Todos conseguiram sair, exceto esta família.

A união coletiva é o fio de esperança, por menor que seja, para encontrá-los com vida.

Segundo relatos de moradores, em razão das chuvas e dos alagamentos na entrada de Santos, os bombeiros chegaram – alguns vieram de São Paulo – nas primeiras horas da terça-feira – quase 7 horas após o desabamento, cujo desabamento do solo teria ocorrido por volta das 23h30, no ápice da chuva que caia na Baixada Santista.

A luta e união da comunidade reúne forças, a ponto de moradores e familiares atuarem de forma ininterrupta.

Sem dormir, nem comer direito.

Alguns por mais de 24 horas.

Só foram derrubados pela fadiga.

Após breve descanso, de volta à retirada da lama em baldes – pela localização é impossível o uso de maquinário para retirada dos detritos.

Não bastasse, uma casa foi parcialmente afetada e corre o risco de desabar caso haja uma movimentação maior no solo.

 

Foto: Juliane Teixeira/Colaboradora

Corrida contra o relógio

Afinal, o tempo para retirada da lama e dos bambus que estão sobre a residência é indiretamente proporcional à chance de sobrevivência.

A esperança de encontrá-los ainda com vidas move a expectativa da comunidade do bairro em acreditar em milagres. E ter fé.

No meio dos escombros, o gato da família chegou a entrar no barro e saiu logo depois.

Esta ação do felino, acreditam os moradores, pode simbolizar que existiria ar no espaço onde estaria o imóvel – parte dele estaria intacta e teria sido amortecida pelo bambuzal.

E assim, uma corrente de solidariedade se forma pelas escadarias íngremes do Morro São Bento.

“É um serviço de formiguinha”, explica a recepcionista Juliane Teixeira, que acompanha o marido, Everton, na luta constante para a retirada do barro, junto com outros moradores da comunidade e o Corpo de Bombeiros e Defesa Civil de Santos.

O sol, por sua vez, abre a possibilidade dos serviços serem agilizados.

Com a chuva constante que caiu na terça (3) e parte da quarta (4), os riscos de novos desabamentos eram reais, dificultando o acesso sob o risco da própria segurança dos moradores e bombeiros.

Em meio a baldes e lama, uma corrente de solidariedade se forma, com pessoas trazendo água, comida, baldes, café e outros utensílios para que, enfim, esta história tenha um final feliz.

“Enquanto tiver esperança, estaremos todos aqui”, destaca.

Como diz o ditado, a fé remove montanhas.

Basta acreditar.

 

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