Obras do Teatro Coliseu estão paralisadas | Boqnews
Foto: Nando Santos

Santos

24 DE JUNHO DE 2022

Obras do Teatro Coliseu estão paralisadas

Empresa não conclui primeira etapa da obra e inauguração para o centenário do imóvel, em 2024, está ameaçada

Por: João Pedro Bezerra

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Arte, cultura, tradição e valor histórico, o Teatro Coliseu de Santos é um símbolo para a liberdade e manifestação popular de todas as formas. Entretanto, a magia do local se apagou nos últimos anos, com o longo processo de reforma que impede o funcionamento do teatro. Na última terça-feira (21), o imóvel do Teatro Coliseu completou 98 anos de história. Mas, fechado.

Questionada sobre a reativação do local, a Prefeitura de Santos ressaltou que trabalha para que os espaços possam ser liberados para uso a partir do término da primeira etapa de obras, de acordo com a Secretaria de Cultura.

A ideia é que até 2024, ano do centenário do Coliseu, todas as etapas de restauro estejam concluídas. Importante frisar que essa não é a primeira restauração do Coliseu. O teatro fechou as portas em 1996 e foi entregue recuperado dez anos depois.

Obras

No momento, as obras do Teatro Coliseu estão paralisadas e o impasse continua. A empresa contratada para a execução da primeira etapa de obras, Spalla Engenharia, foi notificada pela Prefeitura no início de maio para a desmobilização da obra e retiradas dos equipamentos, pois o contrato venceu no dia 26 de abril e os serviços não estavam concluídos.

“É importante esclarecer que, antes da notificação para desmobilização da obra, a Secretaria de Infraestrutura e Edificações (Siedi) já havia emitido outras notificações à empresa, por atraso em diversos itens no cronograma da obra”, destacou a Prefeitura, em nota.

Dessa forma, os serviços incluídos na primeira etapa de reforma e restauro do Teatro Coliseu são: restauração da fachada e pintura do prédio anexo, atualização do sistema de para-raios e modernização do sistema de iluminação cênica da fachada, além da cobertura do palco e recuperação do terraço da fachada.

Por sua vez, a Siedi também pediu para a empresa um relatório dos serviços concluídos.

Assim, a Spalla Engenharia pediu uma cópia do processo da obra em inteiro teor e tem prazo de cinco dias para recurso. De acordo com os trâmites burocráticos, o distrato com a empresa deve ocorrer até terça-feira (28).

Em nota, a empresa esclarece que “seguiu a todo momento, o entabulado em edital com respeito a legislação, há de salientar que, a Empresa não deu causa para a não conclusão da obra, o que já esta sendo cabalmente demonstrado, em sua totalidade via processo administrativo”, concluiu.

Sequência

Em caso de extinção do contrato, a Prefeitura deve consultar a segunda colocada. Caso ela não aceite dar continuidade à obra com o mesmo valor da licitação (R$ 4,273 milhões), a terceira colocada será consultada, e assim por diante.

Assim, se todas as empresas que foram classificadas e habilitadas na licitação não aceitarem dar continuidade à obra, a Prefeitura terá que abrir novo edital de licitação para terminar a primeira etapa de obras no Teatro Coliseu.

Assim, a obra realizada pela Spalla começou em 2019. A empresa recebeu R$ 1,2 milhão por execução de 30% da obra, segundo a prefeitura.

Os recursos são oriundos de convênio com o Departamento de Apoio ao Desenvolvimento dos Municípios Turísticos (Dadetur), ligado ao governo do Estado .

Vistoria

Por sua vez, a secretária de Infraestrutura e Edificações, Larissa Cordeiro, destacou que tanto a Prefeitura, como a equipe do governo do Estado (em razão das verbas estaduais) fizeram vistorias no local.

“Engenheiros e arquitetos participaram das vistorias. A equipe da secretaria está dedicada ao máximo para entregar o restauro bem feito. Percebemos alguns erros na obra e vamos corrigir, buscando seguir o cronograma, ou seja, para que no centenário do Coliseu (2024) toda a obra esteja concluída”.

Mais fases e problemas

Sem ainda avançar na primeira etapa de obras, as reformas no Coliseu têm outras duas fases, estas sem previsão de início.

A segunda etapa contempla a reforma da caixa cênica do Teatro, com a manutenção da estrutura superior do palco, chamada de urdimento. O sistema que aciona as cortinas e as luzes de palco (varas cênicas) será modernizado, assim como a vestimenta de palco (cortinas). Na última fase, está previsto o restauro das pinturas e elementos decorativos do foyer, sala de câmara e plateia.

Para o restauro total do Teatro Coliseu, incluindo todas as etapas, serão necessários cerca de R$ 22 milhões para a totalidade da obra. Metade desse valor, cerca de R$ 11 milhões, estão sendo pleiteados junto ao BNDES.

Quem passa em frente ao Coliseu fica espantado com o estado da fachada do imóvel. As portas trabalhadas estão repletas de tinta, assim como a calçada. A placa do Teatro também está cheia de tinta. Já as paredes estão bicolores, já que o tom da tinta é diferente em várias partes. Faltam vidros em algumas das janelas.

Parede está bicolor/Foto: Nando Santos

Importância histórica

Portanto, o Coliseu é um dos símbolos mais importantes para a população santista.

Por sua vez, o presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Santos, Sérgio Willians, destaca que para os historiadores, o Coliseu não tem 98 anos, mas 125 anos, uma vez que em 1897 o espaço passou a ser ocupado pela Companhia Colyseu Santista, que tinha como proprietários os empresários José Luiz de Almeida Nogueira, Heitor Peixoto, Ricardo Travessedo e Henrique Porchat de Assis.

Ali, havia um Velódromo (para corrida de bicicletas), uma arquibancada e área para lanches. Com essa característica funcionou até 1903.

Em 1905, a empresa e a área foram vendidas para o empresário espanhol Francisco Serrador Carbonell, um dos introdutores do cinema no Brasil. Ele era dono de salas de projeção em Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro.

Serrador manteve o nome Colyseu (ele havia criado um espaço com o mesmo nome em Curitiba, em 1902), construindo no local uma estrutura mais robusta, totalmente voltada às atividades culturais.

Mandou instalar tela para cinema ao ar livre e palco para encenações teatrais. Este segundo Colyseu Santista, inaugurado em 23 de julho de 1909, logo conquistou os santistas, e promoveu grandes encenações.

Aquisição

De olho no crescente sucesso da nova arte (o cinema), o empresário santista Manuel Fins Freixo, que já havia montado, na Praça Rui Barbosa, o Cine Polytheama Rio Branco, decidiu fazer uma oferta pelo Coliseu, adquirindo-o em 1923.

Assim, Freixo não se contentou com o espaço acanhado do velho cinema ao ar livre e mandou reformá-lo. Após um ano de obras intensas, inaugurou o grandioso Teatro Coliseu em 21 de junho de 1924.

Dessa forma, com excelente acústica, ricos lustres de cristais, finíssima pintura filetada, escadarias de mármore, cortinas de veludo, plateia em aclive, amplo hall com colunas de granito e imponente fachada, o novo espaço era tão majestoso, que sua fama correu pelo país, sendo classificado entre os melhores do Brasil.

Assim, por ele desfilaram todas as grandes companhias de teatro, de ópera e de operetas, tanto brasileiras, como as estrangeiras que vinham a São Paulo.

“Até a inauguração foi inusitada. A peça de abertura do Coliseu foi escrita por ninguém menos do que o então presidente (governador) do Estado de São Paulo, Carlos de Campos, um dos fundadores da Academia Paulista de Letras. No dia, Campos, em pessoa, estava na plateia”, destacou Willians.

Passado

Dessa forma, o historiador enfatiza que o Coliseu viveu tempos áureos, como teatro e cinema na República Velha e durante o Regime Militar, o teatro teve uma fase de decadência, passando a abrigar eventos de projeção de filmes pornográficos e kung-fu.

Dentre os grandes artistas que passaram pelo local estiveram Cacilda Becker, Paulo Autran e Carmem Miranda. Um dos fatos históricos do Coliseu foi a estreia do cinema falado em Santos, que aconteceu 28 de setembro de 1929, com a exibição de Broadway Melody, que marcou o fim do cinema mudo.

“Os santistas foram os terceiros, no Brasil, a conhecerem de perto a nova fase da arte”, finalizou o jornalista especializado na história de Santos.

Teatro Coliseu antes das obras/Foto: Divulgação/PMS

 

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