Palestra destaca doenças mais frequentes na população negra
Você sabia que algumas doenças atingem com maior frequência a população negra, especialmente as mulheres? O tema foi abordado durante a palestra Saúde da População Negra, na quarta-feira (8), no auditório do 5º andar do Paço Municipal, no Centro Histórico. A atividade integrou a programação do Mês da Mulher Negra, Latina e Caribenha em Santos e reuniu profissionais da saúde, conselheiros, educadores e representantes da sociedade civil para ampliar o conhecimento sobre prevenção, diagnóstico e promoção da equidade no atendimento.
A palestra foi ministrada por Thayana Evangelista, do Comitê de Saúde Integral da População Negra. Ela apresentou informações sobre doenças que acometem com maior frequência essa parcela da população, seus impactos e o contexto histórico que influencia as condições de saúde da população negra desde o período da escravidão.
Entre as doenças destacadas estavam a doença falciforme, diabetes tipo 2, hipertensão arterial, glaucoma e deficiência de G6PD, que podem ocorrer de forma isolada ou associada.
Conscientização
Dados apresentados com base em estudos da Fiocruz evidenciaram os impactos das desigualdades raciais na saúde da mulher negra. Segundo a pesquisa, mulheres pretas e pardas realizam menos consultas e exames durante o pré-natal e apresentam maior incidência de miomas e histerectomias. A palestra também abordou os efeitos do racismo na saúde mental e destacou que 66% das vítimas de feminicídio no Brasil são mulheres negras, de acordo com o Atlas da Violência.
“A proposta é fortalecer políticas públicas e ampliar o conhecimento sobre a saúde da população negra. Compreender como o processo histórico influencia essas condições e reconhecer doenças que apresentam maior incidência ou manifestações clínicas diferentes contribui para um atendimento mais qualificado e humanizado”, explicou Thayana.
A conselheira municipal de Saúde e estudante de Ciências Sociais Sandra Cordeiro, de 54 anos, já desenvolveu um trabalho acadêmico sobre o tema. “É importante que a população negra tenha seu protagonismo reconhecido e que esse conhecimento alcance toda a sociedade, ampliando a compreensão sobre sua história, sua realidade e suas necessidades”.
Desse modo, a secretária da Mulher, Cidadania, Diversidade e Direitos Humanos, Nina Barbosa, ressaltou a atuação integrada entre as secretarias municipais.
“A promoção da igualdade racial e da cidadania exige um trabalho conjunto e um olhar humanizado para as pessoas. A Secretaria da Mulher está à disposição para fortalecer iniciativas como esta e ampliar ações que garantam mais direitos e equidade para a população”.
Sintomas
Entre os principais sintomas da anemia falciforme estão dores intensas provocadas pelo bloqueio do fluxo sanguíneo, fadiga, palidez, icterícia (coloração amarelada da pele e dos olhos), atraso no crescimento, feridas nas pernas e maior predisposição a infecções.
A falta de tratamento pode levar a complicações como problemas neurológicos, cardiovasculares, pulmonares e renais, além de crises dolorosas e anemia crônica. O tratamento inclui o uso de medicamentos específicos e, em alguns casos, transfusões sanguíneas. A cura é possível por meio do transplante alogênico de medula óssea.
Para investigação da doença e tratamento, é necessário se dirigir à policlínica do bairro de referência. Veja os endereços em https://www.santos.sp.gov.br/?q=servico/enderecos-das-unidades.
Mês da Mulher Negra, Latina e Caribenha
Além disso, até o dia 31 de julho, Santos promove esta programação especial em celebração ao Mês da Mulher Negra, Latina e Caribenha, com atividades gratuitas voltadas à valorização da cultura afro-brasileira, da memória e da ancestralidade.
Aliás, confira mais em https://www.santos.sp.gov.br/?q=noticia/santos-celebra-o-dia-da-mulher-negra-latina-e-caribenha-com-programacao-gratuita.
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