Foto: Nando Santos

Eleições 2018

04 DE JANEIRO DE 2018

Para França, PSDB precisa respeitar sua candidatura ao governo de SP

Para o vice-governador Márcio França, sua candidatura é uma realidade. Ele diz que gostaria de aglutinar o maior número possível de partidos em seu apoio, inclusive o PSDB.

Por: Fernando De Maria

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Vice-governador paulista promete sair candidato ao Governo do Estado, com apoio ou não do PSDB. Declaração de filho de ex-governador Mario Covas, o vereador paulistano Mario Covas Neto, que sugeriu o apoio do partido a França provocou abalos no partido paulista. Foto: Fernando De Maria

 

Ao declarar que o PSDB deveria abrir mão de candidatura própria para apoiar o vice-governador Marcio França, Mário Covas Neto, vereador paulistano e filho do ex-governador (já falecido) Mário Covas, provocou abalos sísmicos no PSDB paulista.

A ponto do presidente estadual do partido, Pedro Tobias, dizer que Neto “estava doido” e “falava em seu próprio nome”.

As informações foram divulgadas na coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo.

Para o vice-governador Márcio França, o apoio do partido seria muito bem-vindo.

“Mas é uma decisão que o PSDB tem que tomar”, destacou.

França participou de solenidade de entrega de novos veículos do VLT.

Com ausência do governador Geraldo Alckmin, ele também assinou o projeto executivo para a recuperação da Ponte dos Barreiros, em São Vicente.

A cidade no litoral paulista é onde o vice-governador nasceu para o mundo político.

 

Déjà-vu

França deve ocupar o cargo de governador do estado a partir de abril.

Isso ocorrerá em razão da provável desincompatibilização do governador Geraldo Alckmin.

Alckmin pretende sair candidato à Presidência da República.

Desde 1994, o PSDB está no governo paulista.

O mesmo caminho a ser percorrido por França ocorreu com Claudio Lembro (DEM).

Em 31 de março de 2006, ele, que era presidente estadual do DEM (França é do PSB), assumiu o governo paulista.

Na ocasião, o então governador Geraldo Alckmin também havia renunciado para concorrer à presidência da República.

Perdeu para Lula e sofreu uma série de traições dentro do próprio partido na ocasião.

Na época, porém, Lembo não tinha pretensões eleitorais.

Não se candidatou a outro qualquer eletivo.

Acabou sendo sucedido pelo também tucano José Serra, hoje senador paulista.

Serra é sempre um nome cotado pela cúpula do partido para voltar ao Palácio dos Bandeirantes.

Lembo é o oposto a França, que sonha em conquistar o maior posto político do governo de São Paulo pelo PSB.

Se conseguir, ele quebrará a longa hegemonia tucana, hoje um partido aliado.

No entanto, fica claro que os concorrentes ao cargo deverão ter muito jogo de cintura.

Afinal, sempre há o risco de aliados de hoje  se tornarem oponentes amanhã.

Em entrevista ao Boqnews.com, França revela seus planos e o que representa a declaração de Covas Neto.

Declaração de Covas Neto

Boqnews – Como o sr. analisa a declaração do vereador Mário Covas Neto dizendo que o PSDB deveria apoiá-lo?

Márcio FrançaO Zuzinha (Mário Covas Neto) é meu amigo. Ele é uma pessoa importante. É filho do (Mário) Covas.

O que fala é alguma coisa em ponderação. Não é proibido ninguém apoiar ninguém.

O PSDB está há muito tempo no Governo do Estado e tem muitos nomes.

Mas se por acaso  eles tiveram à disposição de apoiar outros partidos é claro que eu gostaria de receber o apoio deles.

Mas é uma decisão que o PSDB tem que tomar.

Eu vou tomar a minha decisão. E ela já está tomada.

A medida que eu assumir o governo, vou seguir meu caminho e disputar o único cargo que eu posso disputar, que é o de governador.

Para efeito da candidatura do governador Alckmin à presidência da República, o ideal é que tenhamos o máximo de harmonia possível.

Toda vez que há uma disputa – por mais que seja amigável – ela é sempre uma disputa.

E esta é uma decisão que o PSDB deve tomar na hora certa.

Certamente, o governador Alckmin é  experiente e saberá conduzir o que pode ser melhor para São Paulo e a para candidatura dele à Presidência.

 

Riscos de traições

Boqnews – Apesar do sr. ser de outro partido (PSB), o sr. conhece também os bastidores do PSDB pela convivência. O (A) sr. acha que possa se repetir nesta eleição o mesmo que ocorreu em 2006 quando o então governador Geraldo Alckmin acabou sofrendo boicote  para sua candidatura à presidência pelo próprio partido?

Márcio França Os partidos são feitos por várias pessoas.

Quanto mais harmonia tiver, melhor.

O principal reduto do Alckmin é São Paulo.

É importante que ele tenha até mais votos que o Aécio obteve em 2014 em São Paulo.

 

(Nota da Redação: Na eleição passada, o candidato do PSDB obteve mais de 15 milhões de votos de eleitores paulistas, ou 64,3% dos votos válidos do segundo turno presidencial.

Em 2006, quando foi candidato a presidente, Alckmin teve 52,3% dos votos em São Paulo).

 

Da minha parte, eu gostaria de ter todos os partidos, mas se o PSDB tiver candidato, eu vou respeitar.

Faz parte do jogo.

Agora, eles têm que respeitar minha (pré) candidatura e cada um faz o seu jogo e ver no final quem vai estar no segundo turno.

 

Ligação seca

Boqnews – O prefeito de Guarujá, Válter Suman, que é do seu partido, tem dito que ao assumir o sr. vai agilizar o projeto para a ligação seca (via ponte) entre Santos e Guarujá. Isso procede?

Márcio FrançaAntes o Tribunal de Contas sinalizava negativamente a uma relação entre a prorrogação do prazo de concessão de uma obra em troca da execução de serviços complementares.

É o caso da Ecovias, concessionária do Sistema Anchieta-Imigrantes.

No entanto, o órgão tem emitido sinais reavaliando esta decisão.

Assim, esta pode ser uma boa alternativa, com a prorrogação do contrato da concessionária (válido até 29 de março de 2024, segundo a Artesp).

 

Boqnews – Onde seria esta ponte?

Márcio FrançaSeria de apoio ao sistema Anchieta-Imigrantes, ligando a área continental de Santos/Guarujá, pois seria uma complementação ao serviço já realizado pela Ecovias.

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