Quando o governo da ainda Província brasileira escolheu o Porto de Santos para ser o responsável pelas importações e exportações brasileiras, pouco se sabia o que isso poderia acarretar para a cidade. Neste sábado (2), 121 anos depois da criação do complexo portuário santista, muita coisa mudou. Mas o fato é que o maior porto da América Latina ainda é a principal porta de entrada e saída de riquezas do País.
Durante todos estes anos, o complexo santista enfrentou diversas mudanças. Quando da inauguração (à época o local, no Centro da cidade, era chamado de Valongo), eram apenas 260 metros de cais, que foram responsáveis pela atracação do navio Nasmit, de bandeira inglesa. De lá para cá muita coisa mudou. A área utilizada, por exemplo, é de 7.765.100 m². O complexo santista é o 39° em movimentação no mundo. Estima-se que mais de 10 mil pessoas, entre operadores portuários, estivadores entre outros, devam desempenhar funções ligadas ao setor na cidade.
Em 2012, por exemplo, foi celebrado o melhor ano da história no quesito movimentação. Segundo informações da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), o porto de Santos totalizou um volume de 104.543.783 t, 7,6% acima do registrado em 2011 (97.170.308 t).
As exportações por Santos totalizaram 71.952.023 toneladas e as importações 32.591.760 toneladas. Os sólidos a granel atingiram 50.798.166 t, os líquidos a granel 15.707.583 t e a carga geral 38.038.034 t. Por duas vezes em 2012, a movimentação mensal de cargas suplantou a marca de 10 milhões toneladas e estabeleceu nove novos recordes mensais.
Na balança comercial, o Porto de Santos continua isolado na liderança do ranking dos portos nacionais, elevando sua participação na movimentação das trocas comerciais brasileiras de 24,6%, em 2011, para 25,8% em 2012. As trocas comerciais por Santos totalizaram US$ 120,0 bilhões, bem acima dos US$ 118,2 bilhões verificados em 2011. O total da balança comercial brasileira foi de US$ 465,7 bilhões.
Desafios - Um dos grandes desafios a se enfrentar corresponde à capacitação. Com a chegada do pré-sal e de outros investimentos, é preciso melhorar e qualificar ainda mais a mão de obra para que os moradores da região possam ingressar nas vagas a serem criadas.
Nos últimos anos, cursos gerenciados pelo Centro de Excelência Portuária (Cenep) oferecem capacitação em parceria com o Senai. Além disso, outras entidades fornecem capacitação profissional aos interessados, que compõem diversas áreas. Cursos para empilhadeiras, retroescavadeiras, plano de navio e Conferência de contêineres, por exemplo, são bem procurados, sem contar com as áreas de transporte, logística e mobilidade urbana.
Empresário defende retaguarda dos governos
Para impulsionar a mola da economia do Porto de Santos é preciso a soma de diversos fatores: trabalhadores e empresários estimulados a investir ainda mais no setor e a retaguarda da Autoridade Portuária - que, em Santos, é a Codesp. Mas, segundo Bayard Umbuzeiro, proprietário da Transbrasa, que atua no ramo portuário há mais de 37 anos, os investidores não estão tendo a retaguarda necessária para continuar fazendo o Porto crescer.
"O próprio governo, em todas as esferas, tem que aprender a lidar com o empresário, que produz riquezas e quer ter lucros, desde que trabalhando de forma socialmente correta. A finalidade do empresário é progredir e gerar empregos. O governo tem que olhar para os investidores com bons olhos, principalmente quando ele quer investir", afirma.
Segundo ele, o empresário não é visto com bons olhos pelos órgãos públicos. Ele destaca que é preciso segurança para se fazer investimentos e em razão da MP 595 (veja mais na página ao lado) existe insegurança. "O porto aumenta o volume de carga, há novos recordes, mas as estradas que dão acesso ao porto e a saída para as cargas continuam as mesmas. As ferrovias têm poucos investimentos", lembra.
"O Porto de Santos deveria ser a menina dos olhos e, lamentavelmente, não é. Não só da Federação, mas de todos os estados", ressalta Umbuzeiro, apontando que os agentes públicos têm um papel fundamental. "O futuro do Porto de Santos está muito mais na mão dos políticos do que na iniciativa privada. Falta capacitação na área". A Transbrasa, além de investir US$ 4.5 milhões (R$ 9 milhões) em equipamentos, como a compra de um scanner para cargas, investe na capacitação de seus colaboradores. (DL)
Quando o governo da ainda Província brasileira escolheu o Porto de Santos para ser o responsável pelas importações e exportações brasileiras, pouco se sabia o que isso poderia acarretar para a cidade. Neste sábado (2), 121 anos depois da criação do complexo portuário santista, muita coisa mudou. Mas o fato é que o maior porto da América Latina ainda é a principal porta de entrada e saída de riquezas do País.
Durante todos estes anos, o complexo santista enfrentou diversas mudanças. Quando da inauguração (à época o local, no Centro da cidade, era chamado de Valongo), eram apenas 260 metros de cais, que foram responsáveis pela atracação do navio Nasmit, de bandeira inglesa. De lá para cá muita coisa mudou. A área utilizada, por exemplo, é de 7.765.100 m². O complexo santista é o 39° em movimentação no mundo. Estima-se que mais de 10 mil pessoas, entre operadores portuários, estivadores entre outros, devam desempenhar funções ligadas ao setor na cidade.
Em 2012, por exemplo, foi celebrado o melhor ano da história no quesito movimentação. Segundo informações da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), o porto de Santos totalizou um volume de 104.543.783 t, 7,6% acima do registrado em 2011 (97.170.308 t).
As exportações por Santos totalizaram 71.952.023 toneladas e as importações 32.591.760 toneladas. Os sólidos a granel atingiram 50.798.166 t, os líquidos a granel 15.707.583 t e a carga geral 38.038.034 t. Por duas vezes em 2012, a movimentação mensal de cargas suplantou a marca de 10 milhões toneladas e estabeleceu nove novos recordes mensais.
Na balança comercial, o Porto de Santos continua isolado na liderança do ranking dos portos nacionais, elevando sua participação na movimentação das trocas comerciais brasileiras de 24,6%, em 2011, para 25,8% em 2012. As trocas comerciais por Santos totalizaram US$ 120,0 bilhões, bem acima dos US$ 118,2 bilhões verificados em 2011. O total da balança comercial brasileira foi de US$ 465,7 bilhões.
Desafios – Um dos grandes desafios a se enfrentar corresponde à capacitação. Com a chegada do pré-sal e de outros investimentos, é preciso melhorar e qualificar ainda mais a mão de obra para que os moradores da região possam ingressar nas vagas a serem criadas.
Nos últimos anos, cursos gerenciados pelo Centro de Excelência Portuária (Cenep) oferecem capacitação em parceria com o Senai. Além disso, outras entidades fornecem capacitação profissional aos interessados, que compõem diversas áreas. Cursos para empilhadeiras, retroescavadeiras, plano de navio e Conferência de contêineres, por exemplo, são bem procurados, sem contar com as áreas de transporte, logística e mobilidade urbana.
Empresário defende retaguarda dos governos
Para impulsionar a mola da economia do Porto de Santos é preciso a soma de diversos fatores: trabalhadores e empresários estimulados a investir ainda mais no setor e a retaguarda da Autoridade Portuária – que, em Santos, é a Codesp. Mas, segundo Bayard Umbuzeiro, proprietário da Transbrasa, que atua no ramo portuário há mais de 37 anos, os investidores não estão tendo a retaguarda necessária para continuar fazendo o Porto crescer.
“O próprio governo, em todas as esferas, tem que aprender a lidar com o empresário, que produz riquezas e quer ter lucros, desde que trabalhando de forma socialmente correta. A finalidade do empresário é progredir e gerar empregos. O governo tem que olhar para os investidores com bons olhos, principalmente quando ele quer investir”, afirma.
Segundo ele, o empresário não é visto com bons olhos pelos órgãos públicos. Ele destaca que é preciso segurança para se fazer investimentos e em razão da MP 595 (veja mais na página ao lado) existe insegurança. “O porto aumenta o volume de carga, há novos recordes, mas as estradas que dão acesso ao porto e a saída para as cargas continuam as mesmas. As ferrovias têm poucos investimentos”, lembra.
“O Porto de Santos deveria ser a menina dos olhos e, lamentavelmente, não é. Não só da Federação, mas de todos os estados”, ressalta Umbuzeiro, apontando que os agentes públicos têm um papel fundamental. “O futuro do Porto de Santos está muito mais na mão dos políticos do que na iniciativa privada. Falta capacitação na área”. A Transbrasa, além de investir US$ 4.5 milhões (R$ 9 milhões) em equipamentos, como a compra de um scanner para cargas, investe na capacitação de seus colaboradores. (DL)