Na segunda, dia 28, é celebrado o Dia do Portuário. A data foi instituída há 204 anos, quando Dom João VI editou uma carta régia abrindo os portos brasileiros para o comércio exterior. Assim, caia por terra o pacto colonial assinado entre Brasil e Portugal. Passados mais de dois séculos deste marco no setor portuário, os estivadores, que vivem o dia a dia dos portos e são as formiguinhas que comandam a movimentação defendem mais valorização, mesmo com a chegada da tecnologia e da edição da Medida Provisória 595.
Álvaro de Souza Neto tem 41 anos e trabalha no cais há 21 anos. Pertence a uma família tradicionalmente portuária: o avô e o pai sempre desempenharam a função de estivador. "É um trabalho muito interessante, diferente. Ter acesso aos navios, algo que muita gente tem curiosidade", afirma. Mas o trabalho não é composto somente por momentos felizes. "Há o sacrifício. É sofrido por não ser tão reconhecido como deveria. Somos nós quem movimentamos as cargas".
Na visão dele, do alto da propriedade de quem tem uma vida ligada ao Porto, é preciso valorizar o trabalhador. "Há gente que trabalha com medo do que pode acontecer, mas temos carteira assinada, há leis que nos protegem. Com a chegada da tecnologia, muita coisa mudou, temos perdido cada vez mais espaços. Mas pedimos valorização, pois trabalhamos para empresas que não têm lucros pequenos", ressalta, revelando todo o carinho que tem pelo local onde trabalha.
"Admiro o Porto porque sei tudo o que ele representa para a Cidade. Ele é um ícone, com certeza. Os próprios moradores deveriam valorizar mais, pois a comida que ele tem na mesa passa por lá, o eletrodoméstico que o vendedor comercializará também chega pelo cais", aponta, em tom de desabafo. Hoje, mais de 40 mil pessoas trabalham na área do portuária, de forma direta ou não.
Importância reconhecida
Otimizar a relação Porto-cidade, fazendo com que o impacto das atividades portuárias seja menor na vida dos santistas é o grande desafio das administrações públicas, tanto da Codesp, estatal responsável por administrar o complexo portuário santista, quanto para as empresas e a Prefeitura nos próximos anos.
A expectativa do diretor presidente da Codesp, Renato Barco, é que o Porto de Santos atinja, em 2012, um total de 103 milhões de toneladas de cargas movimentadas, um crescimento da ordem de 6% em relação ao registrado em 2011 (97.170.308 t). Quanto ao resultado financeiro, Barco projeta fechar o ano com um lucro líquido de R$ 83 milhões - os números do ano passado ainda não foram fechados. A companhia gerou 162 postos de trabalho no último ano.
Os desafios caminham em paralelo com o crescimento constante do complexo. Em razão disto, em 2005 o governo municipal criou uma pasta para gerir a relação Porto-Cidade: a Secretaria de Assuntos Portuários e Marítimos.
Nos primeiros oito anos, o comando do órgão foi de Sérgio Aquino. Agora, a responsabilidade é de José Eduardo Lopes. "Às vezes, é difícil distinguir se Santos tem um Porto ou se o Porto tem uma cidade", diz o secretário, fazendo uma alusão ao tamanho da complexidade da questão. "Os dois fatores são complexos e, numa ilha, reunimos duas questões importantes", completa.
Assim, o secretário destaca que, às vezes, a cidade não se apercebe da importância que o Porto tem para o município. "Estamos vivendo um momento intenso, com a chegada de grandes empreendimentos, como a BTP, o terminal da Embraport, as obras no Outeirinhos e o fim da dragagem. Temos que estar preparados para isso", reforça. A polêmica MP 595 - que altera a relação de trabalho nos portos - traz intranquilidade para os portuários na visão de Lopes.
"Talvez ela não foi adequada da melhor forma. Se fosse, não receberia mais de 600 emendas. A própria edição da medida pode prejudicar a Cidade, causar a perda de cargas. Somos sensíveis a tudo que cerca a cidade". A relação com os trabalhadores vem sendo intensificada. "Estou fazendo várias visitas in loco para entender as operações, procurando fomentar soluções boas para a cidade e o complexo portuário".
O grande desafio dos próximos anos, na visão do secretário, é melhorar a questão dos acessos. "Implementar totalmente a perimetral é um desafio para o ordenamento e a segurança do tráfego". A conclusão do projeto Porto-Valongo, ampliando-o para outras regiões, como a Vila Nova e o Paquetá também estão entre as metas. Enfim, muito trabalho para que o gigante portuário continue trabalhando e impulsionando a economia da Cidade.
Na segunda, dia 28, é celebrado o Dia do Portuário. A data foi instituída há 204 anos, quando Dom João VI editou uma carta régia abrindo os portos brasileiros para o comércio exterior. Assim, caia por terra o pacto colonial assinado entre Brasil e Portugal. Passados mais de dois séculos deste marco no setor portuário, os estivadores, que vivem o dia a dia dos portos e são as formiguinhas que comandam a movimentação defendem mais valorização, mesmo com a chegada da tecnologia e da edição da Medida Provisória 595.
Álvaro de Souza Neto tem 41 anos e trabalha no cais há 21 anos. Pertence a uma família tradicionalmente portuária: o avô e o pai sempre desempenharam a função de estivador. “É um trabalho muito interessante, diferente. Ter acesso aos navios, algo que muita gente tem curiosidade”, afirma. Mas o trabalho não é composto somente por momentos felizes. “Há o sacrifício. É sofrido por não ser tão reconhecido como deveria. Somos nós quem movimentamos as cargas”.
Na visão dele, do alto da propriedade de quem tem uma vida ligada ao Porto, é preciso valorizar o trabalhador. “Há gente que trabalha com medo do que pode acontecer, mas temos carteira assinada, há leis que nos protegem. Com a chegada da tecnologia, muita coisa mudou, temos perdido cada vez mais espaços. Mas pedimos valorização, pois trabalhamos para empresas que não têm lucros pequenos”, ressalta, revelando todo o carinho que tem pelo local onde trabalha.
“Admiro o Porto porque sei tudo o que ele representa para a Cidade. Ele é um ícone, com certeza. Os próprios moradores deveriam valorizar mais, pois a comida que ele tem na mesa passa por lá, o eletrodoméstico que o vendedor comercializará também chega pelo cais”, aponta, em tom de desabafo. Hoje, mais de 40 mil pessoas trabalham na área do portuária, de forma direta ou não.
Importância reconhecida
Otimizar a relação Porto-cidade, fazendo com que o impacto das atividades portuárias seja menor na vida dos santistas é o grande desafio das administrações públicas, tanto da Codesp, estatal responsável por administrar o complexo portuário santista, quanto para as empresas e a Prefeitura nos próximos anos.
A expectativa do diretor presidente da Codesp, Renato Barco, é que o Porto de Santos atinja, em 2012, um total de 103 milhões de toneladas de cargas movimentadas, um crescimento da ordem de 6% em relação ao registrado em 2011 (97.170.308 t). Quanto ao resultado financeiro, Barco projeta fechar o ano com um lucro líquido de R$ 83 milhões – os números do ano passado ainda não foram fechados. A companhia gerou 162 postos de trabalho no último ano.
Os desafios caminham em paralelo com o crescimento constante do complexo. Em razão disto, em 2005 o governo municipal criou uma pasta para gerir a relação Porto-Cidade: a Secretaria de Assuntos Portuários e Marítimos.
Nos primeiros oito anos, o comando do órgão foi de Sérgio Aquino. Agora, a responsabilidade é de José Eduardo Lopes. “Às vezes, é difícil distinguir se Santos tem um Porto ou se o Porto tem uma cidade”, diz o secretário, fazendo uma alusão ao tamanho da complexidade da questão. “Os dois fatores são complexos e, numa ilha, reunimos duas questões importantes”, completa.
Assim, o secretário destaca que, às vezes, a cidade não se apercebe da importância que o Porto tem para o município. “Estamos vivendo um momento intenso, com a chegada de grandes empreendimentos, como a BTP, o terminal da Embraport, as obras no Outeirinhos e o fim da dragagem. Temos que estar preparados para isso”, reforça. A polêmica MP 595 – que altera a relação de trabalho nos portos – traz intranquilidade para os portuários na visão de Lopes.
“Talvez ela não foi adequada da melhor forma. Se fosse, não receberia mais de 600 emendas. A própria edição da medida pode prejudicar a Cidade, causar a perda de cargas. Somos sensíveis a tudo que cerca a cidade”. A relação com os trabalhadores vem sendo intensificada. “Estou fazendo várias visitas in loco para entender as operações, procurando fomentar soluções boas para a cidade e o complexo portuário”.
O grande desafio dos próximos anos, na visão do secretário, é melhorar a questão dos acessos. “Implementar totalmente a perimetral é um desafio para o ordenamento e a segurança do tráfego”. A conclusão do projeto Porto-Valongo, ampliando-o para outras regiões, como a Vila Nova e o Paquetá também estão entre as metas. Enfim, muito trabalho para que o gigante portuário continue trabalhando e impulsionando a economia da Cidade.