Na praça do Patrono da Independência, obras interrompidas e abandono | Boqnews
Praça José Bonifácio: sem perspectiva de fim das obras, iniciadas há 18 meses. Foto: Nando Santos.
2 de março de 2025

Na praça do Patrono da Independência, obras interrompidas e abandono

Pedras portuguesas espalhadas se amontoam em canteiros extensos, ao lado de areia e detritos.

Embaixo de árvores, moradores de rua encontram sombra para abrandar o calor sufocante destes típicos – e cada vez mais quentes – dias de verão.

Assim, aproveitam para tirar um cochilo em meio ao vai e vem de carros e ônibus pelo entorno ou simplesmente cortar o cabelo embaixo de uma frondosa árvore.

E, em breve, o local ganhará um novo modal: do VLT – Veículo Leve sobre Trilhos, com uma estação a funcionar em frente à praça no trecho da Rua Amador Bueno.

Em um oásis diante de cada vez menos verde decorrente da verticalização interminável, junto ao trecho da Avenida Senador Feijó, moradores e taxistas se reúnem nos bancos de concreto para jogar dominó ou cartas.

Os abrigos continuaram de pé, pelo menos, para garantir um espaço mais agradável sob o sol escaldante deste verão.

Ao redor da Praça José Bonifácio, o santista que se tornou o Patrono da Independência, marcos importantes da nossa história.

A Catedral, construção de 1909 e inauguração em 1924, e o Teatro Coliseu, da mesma época, são exemplos desta riqueza histórica.

Sem contar o prédio da Humanitária, pertencente à Sociedade Humanitária dos Empregados no Comércio de Santos, onde está a biblioteca municipal Alberto Sousa desde 2008.

Além da sede da OAB – Ordem dos Advogados do Brasil e o imponente prédio do Fórum, de 1950, com sua extensa escadaria – um impeditivo a quem tem dificuldade de locomoção, aliás.

Situação difícil para caminhar ao longo de vários trechos da praça. Foto: Nando Santos

Abandono

No entanto, apesar desta importância histórica e estratégica de um ponto que se tornou símbolo da riqueza da Cidade  e considerado um dos principais cartões postais no início do século passado, a realidade hoje é bem diferente.

O abandono é latente e visto em cada canto do local.

Aliás, a praça deveria passar por obras para revitalização do espaço, inclusive do grande monumento em homenagem aos soldados que lutaram na Revolução Constitucionalista de 1932.

Afinal, em agosto de 2023, a Prefeitura anunciou o início da revitalização do local, sob o argumento de ‘garantir a acessibilidade plena e valorizar uma área junto a imóveis históricos’.

Acessibilidade, aliás, difícil, diante de tantas pedras soltas e trechos de obras inacabados.

“A praça está abandonada. Poderia ser uma vitrine, mas está tomada por moradores de rua”, reclama o taxista José Santos.

“Nosso dinheiro está sendo jogado no lixo”, reclama seu colega, Airton Borges.

Pedras portuguesas, areia e detritos se espalham em vários cantos da praça, cujo acesso – pelo menos – está liberado na área central no sentido diagonal.

Portanto, após mais de 18 meses do anúncio do início das obras, a situação de abandono tende a permanecer por um bom tempo.

Monumento histórico aos combatentes de 1932 substituiu antigo coreto, reforçando a importância da praça na história de Santos ao longo da primeira metade do século passado. Hoje, abandono em cada canto. Foto: Nando Santos

Resposta

A prefeitura alega que a vencedora da licitação descumpriu o contrato, um investimento de R$ 3,88 milhões, sendo R$ 3,32 milhões de recursos do Departamento de Apoio ao Desenvolvimento dos Municípios Turísticos (Dadetur), do governo estadual.

Já o restante virá do orçamento municipal.

Em nota, a Administração explica que o atraso decorre desta interrupção e que a notificação da empresa ocorreu em dezembro último.

“A empreiteira que venceu a concorrência pública para a execução das obras de revitalização da Praça José Bonifácio não cumpriu os prazos contratuais, obrigando a Prefeitura a notificá-la em várias ocasiões.

A situação está sendo analisada juridicamente e estão sendo tomadas as penalidades cabíveis, a exemplo da notificação de possível rescisão do contrato por parte da Prefeitura, expedida em 12 de dezembro de 2024.

O projeto será retomado o mais breve possível, respeitando-se os trâmites determinados por lei.

A definição de continuidade das obras dependerá de decisão administrativa da chamada das demais qualificadas na licitação.

O novo prazo depende dos trâmites legais para determinar o prosseguimento das obras”.

Portanto, não há qualquer previsão do início da obra – nem de melhorias do espaço.

Pedras se espalham pela praça colocando em risco quem tenta transitar pelas alamedas. Foto: Nando Santos

Projeto

O projeto de revitalização envolve a reestruturação do sistema de drenagem da praça.

Além da execução dos passeios externos no padrão Calçada para Todos e recuperação do piso interno em pedras portuguesas.

Sem contar a substituição de guias por granito retificado e embutimento das redes aéreas de telecomunicações.

Além disso, haverá substituição de postes republicanos e instalação de novo mobiliário, com lixeiras e banco de concreto.

E o plantio de grama – ausente em vários pontos, com remoção de vegetais comprometidos e plantio de novas árvores em compensação.

Além da limpeza do monumento-mausoléu Filhos de Bandeirantes, em homenagem aos soldados da Revolução Constitucionalista de 1932

Curiosidade

Por curiosidade, o arquiteto responsável pelo acompanhamento da obra (um servidor municipal), conforme consta na placa instalada na praça, candidatou-se à vereança nas eleições do ano passado.

Não foi eleito, após obter 552 votos apenas.

Aliás, hoje está cedido ao gabinete do deputado federal Carlos Alberto da Cunha (PP) como secretário particular.

Outra curiosidade: a praça José Bonifácio está distante 220 metros da Câmara de Santos – percurso de 3 minutos.

 

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Fernando De Maria
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