Presidente do CONDESB destaca integração regional como caminho para enfrentar problemas
À frente do Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana da Baixada Santista (CONDESB), o prefeito de Peruíbe, Felipe Bernardo, aponta os principais desafios para integrar os nove municípios e preparar a região para os próximos anos. Em entrevista, o presidente do colegiado destacou temas como mobilidade urbana, expansão do VLT, grandes obras de infraestrutura, meio ambiente, segurança hídrica e a busca por soluções conjuntas para problemas que ultrapassam os limites de cada cidade.
Entre as prioridades debatidas pelo Conselho está a ampliação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), considerado um projeto estratégico para melhorar a mobilidade regional. Atualmente, o sistema conecta Santos e São Vicente, mas existe a expectativa de uma expansão gradual para outras cidades do litoral sul, como Praia Grande e Mongaguá.
Segundo Felipe Bernardo, o tema está entre os assuntos mais discutidos pelo conselho, mas a ampliação do transporte ainda depende de novas etapas e não possui uma previsão definitiva.
“Essa questão da mobilidade é um dos assuntos que mais são discutidos nas reuniões do CONDESB e também na Câmara Temática pertinente”, afirmou.
Além da expansão do VLT, outros projetos devem impactar a mobilidade regional. Entre eles estão a terceira pista da Rodovia dos Imigrantes e o túnel Santos-Guarujá, que avançou com licitações e cronogramas para execução.
Meio ambiente
A região reúne características únicas: concentra um dos maiores portos da América Latina, áreas industriais, centros urbanos e importantes ecossistemas ambientais, como manguezais, Mata Atlântica, áreas protegidas, pesca e atividades turísticas. Por isso, o desenvolvimento econômico precisa caminhar junto com a preservação ambiental.
De acordo com Bernardo, a pauta ambiental exige uma visão metropolitana.
“É difícil uma região metropolitana no país que tenha todas as características que nós temos na questão ambiental. Nós temos porto, indústria, meio ambiente, pesca, turismo e universidades”, afirmou.
Entre os desafios estão a erosão costeira, a proteção de áreas ambientais e a gestão dos resíduos sólidos.
Consórcio regional
A gestão do lixo é outro desafio da região. Atualmente, cada município administra seus próprios serviços, mas o aumento populacional amplia a necessidade de soluções conjuntas.
O CONDESB já discute a criação de um consórcio entre os municípios. A proposta prevê ações integradas, como compras compartilhadas e melhorias na coleta e destinação final dos resíduos.
Segundo o prefeito, a última reunião do conselho apresentou um estudo da Caixa Econômica Federal sobre a criação do modelo.
“Esse é um problema que precisa ser tratado com visão regional e não apenas local. A coleta e a destinação final precisam ser pensadas para toda a Baixada”, destacou.
No entanto, a implantação do consórcio depende de etapas como aprovação dos municípios, ajustes legislativos, planejamento e definição de investimentos.
Segurança hídrica
Outro ponto de atenção é o abastecimento de água, principalmente durante a alta temporada, quando a população da Baixada Santista aumenta significativamente.
O prefeito lembra que a região já enfrentou períodos mais críticos, especialmente no fim dos anos 1990 e início dos anos 2000. Porém, novos investimentos ajudaram a melhorar o sistema.
A Sabesp apresentou projetos para ampliar a segurança hídrica e já entregou novos reservatórios, como um equipamento construído em Peruíbe.
A expectativa é de melhora nos próximos períodos, embora fatores climáticos ainda possam influenciar o abastecimento.
Obras viárias
As melhorias nas rodovias também fazem parte dos debates regionais. A concessão da Rodovia Padre Manoel da Nóbrega trouxe discussões sobre pedágios e impactos para moradores que utilizam pequenos trechos dentro dos próprios municípios.
O prefeito afirmou que acompanha as negociações com a concessionária e defende tarifas equilibradas.
“Os investimentos são importantes para garantir uma rodovia mais segura. A gente sempre defende transparência e tarifas razoáveis, que não impactem de forma significativa a população”, explicou.
Além disso, novas marginais devem facilitar deslocamentos locais e oferecer alternativas para moradores que precisam circular entre bairros sem utilizar os trechos tarifados.
Para o prefeito, a prioridade deve ser garantir segurança viária e preservar vidas.
Planejamento regional
Os debates no CONDESB mostram que os principais desafios da região dependem de ações integradas entre os municípios.
Mobilidade, meio ambiente, abastecimento, resíduos e infraestrutura exigem planejamento conjunto para atender uma população que ultrapassa os limites de cada cidade.
A avaliação do conselho é que a Baixada Santista precisa continuar avançando com decisões regionais, unindo investimentos e políticas públicas para garantir desenvolvimento sustentável.
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