Projeto de lei quer restringir o consumo de carnes em geral em unidades municipais
Para muita gente, é impossível imaginar uma refeição, seja almoço ou jantar, sem um item: a carne. Seja a bovina, de frango ou peixe, é indispensável para grande parte dos brasileiros. Porém, um projeto do vereador santista Benedito Furtado (PSB) apresentado na Câmara na última semana promete inserir uma discussão sobre o tema.
O Projeto de Lei 007/2015 pretende instaurar a Segunda sem Carne nos refeitórios de órgãos públicos municipais, exceto unidades de saúde. Seria proibido o fornecimento de carnes em geral e seus derivados nas Unidades Municipais de Ensino e equipamentos como o Bom Prato. A iniciativa será avaliada nas comissões internas da Câmara e, caso seja aprovada, será votada em plenário.
Segundo o autor do projeto, o objetivo é abrir debates sobre o tema e incluir na pauta de discussão da sociedade a importância de uma alimentação regrada e saudável. “Todo mundo sabe que as pessoas precisam de verduras e legumes, mas carne todo dia não é necessário. A carne vermelha, por exemplo, é nociva à saúde. Queremos educar as crianças e mostrá-las que é possível achar alternativas saudáveis para a alimentação”.
Reconhecido por sua luta na área de proteção à vida animal, Furtado ressalta que, ao diminuir o consumo de carne, o ser humano também auxilia o meio ambiente, principalmente no momento de poucas chuvas e seca nos reservatórios. Na justificativa que apresentou junto ao projeto de lei, ressaltou que é preciso abordar “o consumo exagerado de carne animal”. Citou ainda que, de acordo com a ONU, 70% da água do mundo é utilizada na agricultura e, no Brasil, este número chega a 72%.
Alternativas
Antes de apresentar a lei, o vereador fez uma indicação à Prefeitura, pedindo para que a Administração levasse em conta a campanha e restringisse, pelo menos um dia da semana, o consumo de carne nas unidades municipais de ensino e outros equipamentos.
“As nutricionistas da Secretaria de Educação, por exemplo, disseram que não era possível fazer um cardápio equilibrado sem carne. Como isso? Há ovos, leite, queijo e outros alimentos que suprem a necessidade da proteína que está nas carnes”, argumenta.
“Santos tem condições de se adaptar a essa questão. Estamos em uma cidade avançada, que é pioneira em diversas questões e pode ser nesta. Esta é uma questão de qualidade de vida e de educação das pessoas”, continua Furtado, salientando que, de acordo com o andamento do projeto, realizará audiências públicas para ouvir nutricionistas, pais e outros especialistas e interessados.
“Se esta não for uma vontade da sociedade, neste momento, não há problemas. Mas acho importante refletirmos sobre isso, sair do discurso e partirmos para a prática”, afirma
Resposta
A Secretaria de Educação informou que “acha a ideia do projeto interessante” e que, inclusive, “já é colocada em prática pela equipe de nutricionistas da Merenda Escolar, incluindo ovo toda a semana no cardápio”. Nos cardápios de período parcial (alunos que recebem 2 refeições/dia na escola), já é oferecida, em duas segundas-feiras do mês, refeição sem o fornecimento de carne vermelha, frango ou peixe. O cardápio é composto de arroz, feijão, salada, legumes cozidos e uma preparação à base de ovo. “Porém, nas escolas de período integral, a Seduc não coloca em prática a Segunda sem carne, para não servir preparação à base de ovo no almoço e no jantar”, diz a nota.