Porto de Santos

Fim da Libra Terminais vai desempregar 1000 funcionários

O anunciado fechamento da empresa coloca em risco o trabalho direto de mil pessoas, impactando a economia local

08 de abril de 2019 - 08:30

Felipe Rey

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A saída do Grupo Libra irá impactar a economia regional, assim, prejudicar todo o desenvolvimento feito desde o ano passado, quando a Cidade obteve um superávit de empregos. Foto: Nando Santos/Boqnews

 

O encerramento dos trabalhos do Grupo Libra Terminais provocará um grande impacto à economia de Santos e região.

Após registrar no ano passado, um superávit de 1.675 vagas após anos de déficits, as prováveis 1000 demissões vão representar 60% do superávit de 2018.

Um retrocesso, que preocupa trabalhadores e autoridades locais.

Segundo o jornalista e especialista em finanças públicas, Rodolfo Amaral, o maior impacto com o fechamento da empresa está relacionado à redução da oferta de emprego, com a queda dos níveis salariais.

“Nos demais setores não creio que isto ocorra, pois os serviços hoje executados pela Libra serão absorvidos por outros terminais”, comenta.

No entanto, segundo Amaral, a transferência de serviços já vêm ocorrendo há alguns anos, o que agravou os problemas enfrentados pela empresa.

Amaral observa que “a representação das vagas perdidas não é expressiva no contexto municipal”, tendo em vista que a mesma possui uma folha anual na ordem de R$ 40 milhões, e que esse montante será absorvido pelo mercado.

Para ele, trata-se de um problema pontual, porém, que acaba gerando dificuldades financeiras e questões jurídicas para os que ficarão desempregados.

Movimentações e riscos

No últimos cinco anos, como explica, as movimentações do Porto de Santos evoluíram 19,5% e atingiram, em 2018, a movimentação de 4,1 milhões de cargas em contêineres.

No entanto, ele faz uma ressalva: neste mesmo período a Libra perdeu competitividade no mercado.

“Aliás, os auditores independentes, na análise do balanço da Libra, em 2017, já admitiam os riscos de continuidade desta empresa face ao seu perfil de endividamento”, complementa.

 

Participação

Em nota, a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) afirmou que, em 2018, a Libra respondeu por 12,6% do total de contêineres movimentados no cais santista, o equivalente a quase 327 mil unidades.

Agora, de acordo com a Autoridade Portuária, os navios atendidos pela empresa passarão a operar no terminal da DPWorld.

Questionada sobre o fato de que a Libra foi condenada a pagar a dívida com a Codesp de cerca de R$ 2 bilhões, a autoridade portuária informou, por meio de sua assessoria, que em outubro deste ano será definida as condições e prazos de pagamento.

“O prazo a ser estipulado não poderá ser inferior a 180 dias nem superior a 5 anos”, afirma.

A nova destinação da área será definida pela Autoridade Portuária de Santos, Secretaria Nacional de Portos e a Antaq.

Eles aguardam definição para saber se o término do contrato será antecipado (o prazo da Libra para ocupação da área vai até maio de 2020, mas a empresa anunciou o fim das atracações de navios no dia 28 de abril) ou se apenas ocorrerá a suspensão dos atendimentos às embarcações.

A partir daí, serão adotadas a medidas cabíveis para a cessão a outras operadoras.

Segundo a estatal, há interesse de empresas para a assinatura de contratos de transição, instrumentos válidos por até seis meses e utilizados para que a área não fique inoperante até que o novo arrendatário, a ser definido em leilão, assuma a área.

Conforme a nota, existe também interesse de empresas produtoras de papel e celulose em utilizar o terminal para escoar aproximadamente 7 milhões de toneladas por ano.

 

 

Arte: Mala

 

De saída

Em nota divulgada na imprensa, o Grupo Libra atribui ao TCU – Tribunal de Contas da União, as razões para o encerramento de suas atividades:

“Infelizmente, em função da determinação do TCU para que as concessões operadas pela Libra no Porto de Santos se encerrem até maio de 2020, os contratos de operação portuária com nossos parceiros armadores não foram renovados e os serviços que eram operados na Libra Terminais Santos serão transferidos para outro terminal no Porto de Santos”.

A empresa também reforça seu compromisso de cumprir as obrigações com seus funcionários, contudo, não se manifesta em relação à dívida que está sendo cobrada e ganha pela Autoridade Portuária.

Procurada pelo Boqnews, o Grupo Libra optou por não prestar declarações.

Preocupação municipal

O fim das atividades da empresa provoca preocupação no Sindicato dos Empregados Terrestres em Transportes Aquaviários e Operadores Portuários (Settaport).

O presidente da entidade e também vereador, Chico Nogueira (PT), ressalta que por se tratar de uma mão-de-obra específica haverá dificuldade para recolocação no mercado, especialmente pelo nível salarial oferecido.

A preocupação do sindicalista é realizar um acordo com a Libra que permita uma transição favorável, evitando o desemprego e também o impacto na economia local.

Segundo Nogueira, foi enviado um ofício ao presidente da Codesp, Casemiro Tércio Carvalho, destacando a importância da autoridade portuária ser ágil para que outra empresa utilize a área e reaproveite a mão de obra dos funcionários atuais.

A Prefeitura de Santos informa que está acompanhando de perto a situação e articulando para que novas licitações sejam executadas rapidamente para evitar o aumento de desemprego, que afetará o comércio, a educação e a saúde pública da Cidade e região.

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