Soma de fatores provoca “ilha de calor” em Santos e eleva temperaturas | Boqnews
Soma de fatores provoca “ilha de calor” em Santos e eleva temperaturas
Nara Assunção
16 de janeiro de 2015

Soma de fatores provoca “ilha de calor” em Santos e eleva temperaturas

Pare para pensar: qual foi uma das frases que você mais ouviu nos últimos dias? Certamente, “Que calor!” está entre elas. Realmente, segundos dados meteorológicos, 2015 começou com temperaturas elevadas, porém dentro das médias dos últimos anos. Mas, se não há alteração sensível na temperatura, por que tanto calor? A conta pode ser cobrada ao próprio ser humano.

Rodolfo Bonafim, diretor-científico da ONG Amigos da Água, instituição santista que realiza há 15 anos o acompanhamento das mudanças climáticas na cidade, aponta o motivo: “Os municípios cresceram, há muito concreto, a concentração populacional é cada vez maior, o asfalto, pouco espaço para a entrada de vento, falta de áreas verdes, muitos carros… Todos estes fatores, somados, criam o que chamamos de ‘ilhas de calor’. Daí a sensação de que está mais quente”.

Ilha de calor é um fenômeno climático que ocorre a partir da elevação da temperatura de uma área urbana se comparada a uma zona rural, por exemplo. Isso quer dizer que nas cidades, especialmente nas grandes, a temperatura é superior a de áreas periféricas, consolidando literalmente uma ilha (climática). A oscilação de temperatura entre o centro de uma grande cidade e uma zona rural pode variar entre 4°C, 6°C ou até mesmo 11°C; o que proporciona muitos inconvenientes à população em virtude dos incômodos que o calor excessivo provoca .

O especialista explica que o processo de formação das fortes chuvas é mais rápido nestas ilhas de calor. “O ar quente é menos denso que o frio, por isso sobe mais rápido à atmosfera. Nas camadas mais altas se resfria e se transforma nas gotículas de água que geram as nuvens pesadas que vemos. Daí se formam aquelas pancadas fortes de chuva repentinas, que tem um potencial muito grande para causar transtornos à população”, conta Rodolfo.
Soma-se a isso os altos índices de radiação ultravioleta, os raios UVB. Nos primeiros 15 dias deste ano, o índice esteve acima do 8 em todos os dias na região, o que é considerado ‘muito alto’. Em alguns dias, como na última quinta, ele chegou aos 13 (considerado extremo). O suportável é chegar ao 5. O alto índice de radiação é extremamente prejudicial à saúde e pode causar, entre outras coisas, câncer de pele.
Daí a recomendação de se evitar a exposição ao sol das 10 às 16 horas e a importância do uso do filtro solar. Confira no quadro ao lado dicas importantes para evitar problemas com o calor, conforme informações da Secretaria Municipal de Saúde.

Dias mais quentes

O diretor da ONG Amigos da Água, Rodolfo Bonafim conta que a tendência é de que haja mais dias quentes e secos no verão e em outros meses, como no inverno. Tudo graças às intervenções nas áreas urbanas das cidades, como a concentração de edificações elevadas e a concentração de veículos (média de 1,4 habitantes por veículo). “Além disso, o verão é sempre quente e úmido, o que aumenta a sensação térmica. Essa é uma marca da região”.

A grande concentração de edifícios altos também atrai mais raios. Segundo levantamento do Inpe, a Baixada Santista é uma das regiões com maior incidência de quedas de raios do Estado. O calor e a unidade também contribuem.

Mais chuva
Este verão não deve ser tão seco como o de 2014. Pelo menos esta é a perspectiva verificada por Bonafim. Mesmo assim, os números ainda preocupam. Em janeiro, a média de chuva foi de 256mm. E até o último dia 13, havia chovido 70mm em Santos. “As condições climáticas da primeira quinzena de 2015 são praticamente iguais às verificadas no mesmo período do ano passado, com a diferença que chove mais em São Paulo”. O dia mais quente de 2015 foi 1º de janeiro: 38,2º com sensação de 40,5º.
De acordo com ele, há a previsão de que haja uma virada no tempo a partir de quarta (21), quando chuvas mais frequentes deverão chegar.

Termometro de rua

Na sexta-feira (16), dia “mais fresco” da semana, termômetros marcavam 31 graus; temperatura deve permanecer alta. Foto: nara Assunção

 

Recomendações:

Crianças: Quanto menor o peso, mais frágil a pessoa é em relação à perda de líquidos .

Idosos: O sistema cardiovascular pode apresentar algum comprometimento devido à ação do tempo. A falta de ingestão de líquidos em dias mais quentes, em que há mais perda de água e sais minerais, tende a agravar este quadro. Os idosos também têm um sistema imunológico mais vulnerável às doenças infecciosas gastrointestinais, cujos sintomas mais comuns são diarréia e vômito. O equilíbrio hídrico (perda e ingestão de líquidos de forma proporcional) também é de fundamental importância para o não agravamento de doenças cardiovasculares, como arteriosclerose, insuficiência
cardíaca e hipertensão arterial.

Alimentação: Recomenda-se fazer 6 refeições ao dia, de preferência de 3 em 3 horas, com alimentos leves e bem conservados. Alimentos mal conservados podem levar à proliferação de bactérias causadoras de gastroenterites infecciosas, cujos principais sintomas são diarréia, vômito, febre e prostração.

Exposição ao sol: Evitar os horários de pico, das 10 às 16 horas, ou das 11 às 17 horas no horário de verão. Usar sempre filtro solar e reforçá-lo a cada 2 horas ou após o banho de mar ou piscina. Abrigar-se embaixo de guarda-sol e usar boné ou chapéu. A exposição exagerada aos raios solares pode provocar queimaduras de pele e insolação, cujos sintomas mais comuns são mal estar, vômitos e desmaios

Hidratação: Beber muito líquido: água, suco de frutas e isotônico. Evitar bebidas alcoólicas, que têm efeito diurético maior e levam à desidratação com mais facilidade.

Atividades físicas: Preferir o início da manhã e o final da tarde, quando as temperaturas estão mais amenas, para realizar atividades físicas.

Da Redação
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