Foto: João Pedro Bezerra

Balsas

27 DE AGOSTO DE 2021

Travessia de balsas entre Santos e Guarujá vira pesadelo para os motoristas

Após o acidente com o navio em junho, a situação na travessia piorou, filas na travessia viraram rotina

Por: João Pedro Bezerra

Nunca foi uma tarefa simples realizar a travessia de balsas entre Santos e Guarujá, seja por conta da quantidade de veículos, disponibilidade de balsas, condições do tempo ou passagem de navios pelo estuário.

Dessa forma, as longas filas sempre foram comuns nos horários de pico e em feriados.

Entretanto, a situação se agravou com o acidente do navio Cap San Antonio da operadora Hamburg Sud, que colidiu com a plataforma da travessia para ciclistas no lado de Guarujá no mês de junho.

A força do impacto da batida destruiu completamente o píer de embarque. Assim, o local foi interditado e os ciclistas precisaram utilizar a plataforma destinada aos motoristas e motociclistas: resultado um caos total.

São três plataformas de cada lado para os usuários realizarem a travessia, com o acidente em Guarujá, uma dessas precisou ser destinada aos ciclistas. São 10 mil que passam por elas/dia.

Vale destacar que no lado de Santos, o embarque e desembarque para as pessoas que estão de bicicleta continua igual.

É importante frisar que muitas pessoas utilizam o veículo de duas rodas, pois tem isenção da tarifa.

Enquanto a passagem para os automóveis chega a R$ 12,30 e moto R$ 6,20. A cobrança é somente realizada no lado de Guarujá.

Paciência

Os motoristas precisam ter paciência para realizar a travessia, as longas filas acontecem todos os dias e não ficam apenas restritas aos horários de pico.

Para se ter uma ideia, na última quarta-feira (25), por volta das 10h, o tempo de espera no lado de Guarujá chegou a 1h20, conforme divulgado no site da Dersa, responsável pela operação do serviço, ou seja, se uma pessoa colocasse um jogo de futebol no mini televisor disponível em algum carro conseguiria acompanhar quase toda a partida.

Fila na última quarta-feira (25) no lado de Guarujá/Foto: João Pedro Bezerra

No último domingo (22), a situação foi ainda pior, com o fim das restrições de horário no Estado de São Paulo e um sol escaldante. Milhares de pessoas foram às praias de Guarujá. Assim, ao anoitecer uma fila de carros parou o trânsito da Av. Ademar de Barros, tanto que os guardas de trânsito precisaram ser acionados para organizar a situação.

Alguns motoristas tentaram furar a fila e rapidamente foram repreendidos com o buzinaço de quem estava certo. O barulho incomodou os moradores dos bairros do Santa Rosa e Jardim dos Pássaros que não aguentam a poluição sonora. No lado de Santos, a situação é menos pior, mas longe de ser tranquila. Nesta semana, o tempo de espera chegou a 50 minutos e irritou os motoristas.

“Toda vez tenho que sair mais cedo de casa para trabalhar. É algo desconfortável, pois acabo perdendo um grande tempo do meu dia na fila da balsa. Precisa ter uma mudança. Não aguentamos mais essas condições, além do mais a tarifa do pedágio é muito cara”, ressaltou Ricardo Souza, que utiliza o sistema de segunda à sexta.

Navios

A Santos Port Authority informou que em média passam 30 navios por dia pelo Canal do Estuário.

Cada embarcação leva cerca de 5 minutos para passar pelo trecho de travessia de balsas, contudo, a passagem dos navios no local nem sempre coincide com o momento de passagem das balsas, como, por exemplo, ao longo da madrugada.

Em números absolutos, a travessia fica parada por 2h30 / dia apenas com a movimentação de navios pelo canal do estuário.

Departamento Hidroviário

Em nota, o Departamento Hidroviário (DH) enfatizou que tem agido para manter a operação do sistema, com segurança aos usuários.

“Mesmo com todas as limitações impostas após o acidente, a travessia trabalha ao máximo para reduzir os impactos aos usuários. Para os ciclistas e pedestres, o DH mantém nos horários de pico duas embarcações exclusivas. Do lado do Guarujá, com os danos provocados no atracadouro, os ciclistas e pedestres precisam embarcar pela gaveta do Centro de Controle (CCO)”.

Além disso, o DH ressaltou que o tempo de espera aumenta, conforme o horário de manutenção de algumas embarações e da dificuldade de atracar a balsa no local de desembarque.

Feriado

A preocupação com o feriado de 7 de setembro é evidente, afinal as cidades acabam recebendo uma circulação maior de automóveis nas datas comemorativas.

Assim, o sistema de travessia de balsas entre Santos e Guarujá terá a frota completa no feriado prolongado, ou seja, 7 embarcações.

Em Guarujá, serão criadas rotas alternativas para facilitar o trânsito local, além da implantação de bolsões para o embarque, comportando em fila dupla mais de 500 veículos, diminuindo assim, os transtornos, conforme divulgado pela Prefeitura de Guarujá. Também salientou que a fila da balsa é fiscalizada diariamente pela Diretoria de Trânsito e Transporte Público (Ditran), com apoio da GCM.

Já a Prefeitura de Santos citou que já existe um bolsão para acomodação dos veículos a partir do canal 7, a fim de não impactar o trânsito, caso haja uma demanda maior de automóveis na fila da balsa. Os operadores da CET-Santos são mobilizados para promover as intervenções necessárias no viário

Obras e investigação

As obras no píer que ficou destruído, após a colisão com o navio, começaram na última terça-feira (24), dois meses depois do ocorrido. A empresa responsável pela obra já trabalha no local.

A primeira etapa é a preparação do canteiro de obra para que o espaço possa receber as máquinas, nas quais serão utilizadas na obra.

Píer ficou completamente destruído/Foto: João Pedro Bezerra

As causas do acidente envolvendo o navio Cap San Antonio continuam sem resposta.

A Capitania dos Portos ainda está investigando os acontecimentos e ainda não há um prazo para a conclusão dos fatos.

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