Um em cada três reais em multas deixam de ser pagos em Santos | Boqnews
Foto: Marcelo Martins/Divulgação PMS
31 de março de 2017

Um em cada três reais em multas deixam de ser pagos em Santos

Um em cada três reais provenientes de multas deixaram de ser pagas à CET

Um em cada três reais provenientes de multas deixaram de ser pagas à CET. Foto: Marcelo Martins / Divulgação-PMS

Um em cada três reais referentes às multas aplicadas nas ruas de Santos no ano passado não entraram nos cofres da CET – Companhia de Engenharia de Tráfego.

Em números, dos R$ 27 milhões aplicados em infrações (provenientes de multas de radares, de agentes da empresa e da Polícia Militar) R$ 9 milhões deixaram de ser pagos pelos motoristas que circulam normalmente pelas ruas e só serão obrigados a pagar as pendências se tiverem seus carros apreendidos.

Os exemplos são blitz, acidentes,  alguma irregularidade (guinchamento), na venda do veículo ou na hora do licenciamento. E neste último caso, muitos circulam sem o documento em dia.

Os números revelados pelo presidente da empresa, Rogério Vilani, explicam, em parte, o aumento do déficit da empresa, que registrou um prejuízo de R$ 13,298 milhões no ano passado. Vilani assumiu o comando da CET em janeiro passado, sucedendo o engenheiro Antonio Carlos Gonçalves, hoje à frente da Fundação do Parque Tecnológico, que a comandou no primeiro mandato do prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB).

Neste período, a CET aumentou o prejuízo acumulado de R$ 38,3 milhões no final de 2012 para R$ 70,4 milhões quatro anos depois, acréscimo de 83,8%. A inflação no período medida pelo IBGE (IPCA) foi de 32,6%. Em números reais, uma diferença negativa de R$ 19,6 milhões.

“Iremos cobrar judicialmente os proprietários dos veículos multados”, explica, priorizando o montante não recebido no ano passado. A falta de pagamento é um dos problemas no aumento das dívidas da empresa, mas não o único.

Em 2016, a Cidade ficou pelo menos quatro meses – acima dos 90 dias previstos – sem radares quando da mudança de fornecedor dos equipamentos . Resultado: dos R$ 7 milhões referentes às multas aplicadas pelos radares em 2015, o número caiu para R$ 2 milhões no ano passado. Hoje, estão em funcionamento 24 radares.

Lei de Transparência

Vilani tem a missão de estancar e reverter o déficit crescente. Para tanto, ao entrar no cargo, cortou quatro assessores de diretoria, termo comum empregado no organograma da empresa para inserir, na maioria das vezes, pessoas indicadas politicamente – prática corriqueira a todos os governos, independente da cor partidária. A quantidade permanece nas duas casas decimais.

A promessa é reduzir o total, hoje de 20 cargos comissionados (indagado, ele não especificou a quantidade, mas no Diário Oficial desta sexta (31) divulgou o total de servidores da CET: 20 comissionados, 47 afastados e 485 celetistas, totalizando 552 colaboradores.

Sem disponibilizar suas informações sobre salários e cargos, a CET é uma verdadeira caixa-preta, onde é impossível saber o impacto que tais assessores (chegaram a ser mais de 30 em gestões anteriores) oneram à folha de pagamento.

O gasto com funcionários tem peso considerável. Na comparação dos balanços entre 2015 e 2016, os encargos sociais e previdenciários saltaram de R$ 1.861.637,3 em 2015 para R$ 11.328.567,73 um ano depois. A explicação da CET é que em 2015 ocorreram parcelamentos dos encargos sociais e previdenciários, onde os lançamentos contábeis dos débitos constam no campo do balanço “passivo não circulante”.

Assim, no demonstrativo, devem ser consideradas a somatória do item “encargos sociais e previdenciários” do passivo circulante e do passivo não circulante, o que representa um aumento de R$ 7,2 milhões em 2015 para R$ 10,1 milhões em 2016.

Como o site da empresa não disponibiliza informações previstas no Portal de Transparência, como preconiza a legislação federal, tais dados não ficam disponíveis ao cidadão. O presidente garante que o site passará por mudanças para se adequar à legislação, conforme parceria com a Ouvidoria, Transparência e Controle.

Fontes de receita

Além das receitas da multas e serviços – como fechamento de vias para eventos -, a arrecadação da CET passa também por verbas enviadas pela Prefeitura. Os R$ 22 milhões previstos já foram repassados, segundo ele. Hoje, as despesas da companhia chegam a R$ 67 milhões anuais. Ou seja, a Prefeitura banca um em cada três reais para mantê-la. A diferença depende das infrações e outros serviços oferecidos, como a Rodoviária e eventos.

Para cobrir o montante, só existem duas saídas: aumentar a receita ou diminuir as despesas. “Estamos revendo contratos  e seguindo as orientações no nosso Conselho Fiscal”, destaca.

O aumento do déficit fez com o conselheiro Fabiano Ferreira Marques salientasse em seu parecer que a CET deva reduzir os gastos com empresas terceirizadas, especialmente as de segurança e limpeza; buscar alternativas para redução do pagamento das horas extras e sugerir à diretoria o aprimoramento das rotinas existentes para viabilizar a cobrança de créditos pendentes.

Mudanças na Bike Santos

Reconhecendo que está fazendo ‘um trabalho de formiguinha’ para resolver as pendências, o engenheiro, que foi diretor de Transportes Públicos da empresa entre 2013 e 2016, também destaca mudanças no contrato do programa Bike Santos, uma fonte de despesa considerável. O gasto diário com o serviço chega a R$ 3.190,00. Ou quase R$ 100 mil mensais.

Até a segunda quinzena de abril, será lançada uma nova licitação que irá mexer com o bolso dos frequentadores do sistema. “Vamos fazer algo que seja bom para o usuário e suportável para a Administração”. Na última segunda (27), foi publicado  no Diário Oficial um aditamento contratual de 48 dias no valor de R$ 153.118,08.

Hoje, o ciclista só paga pelo Bike Santos se ultrapassar os 45 minutos de uso. A ideia é que haja um pagamento mensal, com descontos progressivos pelo tempo de utilização e pacote acordado. Além disso, a empresa vencedora – assim como ocorre hoje – poderá explorar publicidade nos equipamentos. Apenas a proposta para as crianças, a Bike Kids, conseguiu o apoio de uma fabricante de iogurtes.

“Queremos fidelizar os usuários”, explica. “Não é só questão de equilíbrio econômico, mas também para selecionar quem usa o serviço”. Dos 100 mil cadastros feitos no sistema, apenas 1/4 está ativo – ou seja, pessoas que usaram o Bike Santos pelo menos uma vez nos últimos 12 meses.

Além disso, crê Vilani, a medida deverá diminuir os atos de vandalismo nas 370 bicicletas disponíveis no sistema. (diariamente, 10% da frota precisa passar por manutenção para consertos diversos). Ele ressalta que, mesmo que não ocorram interessados na nova licitação, não há previsão para o término do serviço. “Acabar não faz parte dos nossos planos”, destaca.

 

 

Da Redação
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