Ponto de vista
20 Anos do Museu do Santos FC
No dia 17 de novembro, completa 20 anos da inauguração da maior obra deste milênio feita no maior clube de futebol do mundo: O Memorial das Conquistas do Santos Futebol Clube.
A maior galeria de títulos do Futebol Mundial sempre chamou a atenção do mundo para a Cidade de Santos e para o clube que lhe roubou o nome.
Após completar 91 anos de uma história marcante, recorde de títulos e de gols em uma única modalidade, todas as peças que simbolizavam marcas esportivas de lendas como Araken, Feitiço, Pepe, Carlos Alberto, Zito, Pita, Chulapa, Robinho e, é claro Pelé estavam amontoadas em prateleiras da Sala do Conselho Deliberativo, em salas administrativas e até embaixo de arquibancadas. Era vergonhoso a quantidade de turistas, até estrangeiros, que compareciam a Vila e sequer conseguiam ver as taças do Mundial que sumiram sendo substituídas por troféus simbólicos.
A histórica do Santos só não se desfez antes desta data por causa do trabalho abnegado de pessoas como Francisco Mendes, que cuidou na unha dos números e da histórica do Santos sem o mínimo de recursos financeiros do clube. A ele, que recentemente nos deixou um eterno agradecimento!
Esse triste cenário mudou de vez nesta data, na maior iniciativa encabeçada pelo grande líder que foi o Presidente Marcelo Teixeira que encabeçava um time ímpar de profissionais que fez o Memorial brotar e ser uma realidade.
Aproveitando o momento de volta aos holofotes com o título de 2002, o então Supervisor Administrativo, Dagoberto Fernando dos Santos, começou a negociar a renovação com a Umbro para o material esportivo e conseguiu com o então presidente da empresa, Elvio Lupo, os recursos para o museu sair do papel, cujo projeto arquitetônico foi realizado pelos arquitetos Francisco e Fernando Carol, que projetaram no Salão Rubens Quintas Ovalle como seria o aguardado museu.
Com dinheiro em caixa garantido, foi a hora de começar a estruturar.
Após conversa conosco e com o nosso diretor da área, Humberto Challoub, Teixeira trouxe para coordenar o projeto, após a recusa do Francisco Mendes em ter esse papel, a competente Denise Covas Borges.
Renumerada pessoalmente por Teixeira, Denise começou a organizar troféus, fotos, vídeos, enfim todo o material necessário para ilustrar e contar a maior história que o futebol mundial já viu.
Para auxiliá-la, Denise trouxe o experiente arquiteto Gino Caldatto, com expertise em outros museus, e conseguiu que a Prefeitura de Santos colaborasse com o projeto cedeu o trabalho da historiadora Marjorie Medeiros.
Com recursos próprios de Teixeira, o Santos adquiriu centenas de fotos de José Dias Herrera, que retratavam todos os craques em especial toda a trajetória do Rei. Com o Museu da Pessoa, ela conseguiu videos, fotos e depoimentos de uma tentativa frustrada do ex-presidente Samir em construir o Museu do Peixe nos anos 90.
Denise ainda conseguiu com o São Paulo FC que fosse feitas réplicas da Taça do Mundial que era a mesma em 1962 e 63 (anos que o Santos conquistou) e em 92 e 93 (quando o SPFC tinha conquistado).
A cereja do bolo foi o acordo com Pelé, através do Rogério Zili para que parte do acervo do Rei estivesse no espaço e veio conferir a obra.
Impossível não mencionar o auxílio abnegado que Guilherme Gomez Guarche (hoje coordenador do Centro de Memória do Peixe) deu com suas pesquisas e livros que auxiliaram muito na identificação dos primórdios do clube, um verdadeiro herdeiro de Francisco Mendes.
Obra realizada, acervo reunido e projetada sua distribuição era hora de dar nome ao museu.
Nesse momento, entrou em cena o saudoso diretor de Administração, Athayde de Moraes, que sugeriu, em reunião, o nome do ex-presidente Milton Teixeira, o homem da Máquina do Tempo, quadro do Esporte por Esporte que virou dois livros.
Depois, a cereja do bolo: Marcelo Teixeira conseguiu um amistoso da Seleção Brasileira Olímpica com o Santos para o dia seguinte da inauguração.
Depois foi só acompanhar o Challoub, o Caldatto, a Denise, a Marjorie e o emocionado e saudoso diretor Carlos Lume colocando o acervo na distribuição planejada.
E organizar o evento com o apoio ímpar do Fernando Silva da Atrium Eventos.
Não era um evento qualquer.
Foi o encontro desta geração com a geração que recolocou o Santos no mapa, com Robinho, Diego, Léo, Alex, Renato, Fábio Costa e tantos outros.
Ao lado do amigo Walmir Lopes, organizamos a coletiva dada por Pelé e Robinho juntos.
O primeiro encontro dos dois craques que mudaram a história do Peixe.
A inauguração foi tão inusitada que foi transmitida ao vivo no Sportv, na TV Tribuna e na Santa Cecília TV. Imagens eternizadas que jamais serão esquecidas.
Jamais esqueceria essa data de 17 de novembro, que vi de perto: o nascimento do templo da memória do verdadeiro Templo do Futebol. Última vez que Gylmar, Lima, Calvet, Dalmo, Zito, Dorval, Mengálvio,
Coutinho Pelé e Pepe estiveram reunidos, todos juntos, bem vivos na Vila.
Menos Mauro Ramos, que nos deixou meses antes, mas até mesmo ele estava lá.
Era possível sentir. Como é possível sentir hoje a presença de todos os ídolos eternos que se foram desta existência, mas que deixaram sua essência estancada naquele espaço.
Parabéns a todos que deram alguma contribuição para o museu sair do papel.
E obrigado, especial, aos nossos craques que são a razão de ser do espaço.
O espaço é limitado como minha memória que devo estar esquecendo algo importante.
Sou grato a Deus, ao Marcelo Teixeira e ao Humberto Challoub por terem permitido eu ter vivido a história deste nascimento e de ter ajudado um pouco para o Memorial das Conquistas Milton Teixeira virar realidade.
Como diria Carlos Roma: É um orgulho que nem todos podem ter!!!

Aldo Neto é jornalista, apresentador do Canal do Peixe e ex-gerente de Comunicação do Santos FC de 2002 a 2009