Panorama Regional
Fernando De Maria

2018, um ano emblemático

A análise sobre o ano que inicia, no editorial da última edição de 2017 do Boqnews

02 de janeiro de 2018 - 17:35

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Eleições podem atrapalhar os rumos econômicos do País, afetando as finanças da população. Foto: Divulgação

 

Certamente, 2018 será emblemático.

Após uma série de notícias negativas nos últimos anos, com explosão do desemprego – que atingiu 13 milhões de pessoas – e quedas sucessivas na economia, as vendas do Natal apontaram para uma sinalização positiva.

A Associação Brasileira de Lojistas de Shoppings (Alshop) registrou um incremento de 6% nas vendas, revertendo uma situação contínua de queda nos últimos anos.

Em 2016, houve queda 3% no Natal. Em 2015, a redução foi de 2%.

Números semelhantes aos divulgados pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC-Brasil) e a Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL), que registraram um aumento nas vendas de 4,72% em relação ao ano passado.

Foi o melhor índice após três anos consecutivos de quedas.

Portanto, depois de tantas notícias negativas que os brasileiros tiveram nos últimos anos, é impossível não comemorar a luz – ainda que tímida – no fim do túnel da economia diante destes resultados.

Resta saber se tais sinais serão um voo de galinha – de pouco impulso – ou de águia, refletindo um eventual crescimento na economia.

O aumento nas vendas natalinas não pode estar isolado a outros indicadores, como a queda da inflação.

Ela fechou o ano com deflação de 0,52%, como no caso do IGP-M, índice geralmente usado para regular contratos de aluguéis.

Sem dúvida, 2017 registrou a menor inflação dos últimos anos.

Muito mais em razão da recessão econômica, pois com menos dinheiro em circulação as pessoas não consomem e assim não há espaço para reajustes.

Soma-se a redução da taxa de juros e a liberação de recursos do FGTS e do PIS/Pasep pelo governo, em uma tentativa de alavancar a rasa popularidade do governo Temer.

É neste ponto, aliás, que mora o perigo, quando a economia se mistura à política.

Afinal, 2018 é um ano eleitoral e o cenário que se apresenta deve alterar os humores do mercado e, consequentemente, os indicadores econômicos.

Novos lances da Operação Lava-Jato devem trazer mais elementos ao conturbado clima eleitoral.

Extremos

Hoje, dois nomes despontam nas pesquisas: Lula e Bolsonaro, ambos nos extremos ideológicos.

Não bastasse, a candidatura do próprio ex-presidente é uma incógnita.

Dependendo do julgamento em segunda instância marcado para janeiro sobre o triplex em Guarujá, o País assistirá a uma longa batalha nos tribunais,.

O impacto para a economia será uma incógnita.

Além disso, caso a base econômica cresça de forma sólida, quem garante que o presidente Temer não será picado pela mosca azul.

E assim tente a reeleição ou, pelo menos, lance um nome do governo na disputa?

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles(PSD), estaria disposto. Mas o PMDB abriria mão de ser a cabeça de chapa?

Neste imbróglio também não se pode ignorar o PSDB, que busca em Geraldo Alckmin o discurso do centro.

No entanto, Meirelles pode ocupar a mesma seara.

Enfim, 2018 nem bem começou, mas já promete ser inesquecível.

O desafio será manter a recuperação econômica e a diminuição na taxa do desemprego com o cenário político turbulento que se vislumbra no horizonte.