A Covid-19 e o “fantasma” da impotência sexual | Boqnews

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24 DE MAIO DE 2022

A Covid-19 e o “fantasma” da impotência sexual

Carlos Vaz

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Desde dezembro de 2019 o novo coronavírus (Covid- 19) vem causando inúmeros problemas de saúde e sendo causa de centenas de milhares de mortes.

Além dos problemas orgânicos, a pandemia afetou significativamente a saúde mental da população (reclusão social, home office etc.) que afetaram significativamente a rotina da vida da população: inicialmente acometendo o sistema respiratório, mas podendo afetar vários outros órgãos.

Ainda não se sabe exatamente como o vírus (Covid -19) ataca o organismo, é uma incógnita que os cientistas ainda não desvendaram.

Outra incógnita é como o vírus pode causar disfunção erétil, a temida impotência sexual. O que se sabe é que durante a pandemia a incidência de disfunção sexual aumentou expressivamente.

Depressão, reclusão social, restrição ao lazer, sedentarismo causados pela pandemia tiveram um impacto importante como causa da impotência. Um estudo italiano realizado em 2020 apontou um aumento de 18% nos casos em homens e 26% entre as mulheres.

Mas além das questões psicológicas, o vírus pode afetar diretamente o mecanismo da ereção. Estudo da universidade da Califórnia sugere que pode haver lesão da vascularização e deficiência da oxigenação nos corpos cavernosos (corpo cavernoso é a região do pênis responsável pela ereção).

O que se sabe até o momento é que as sequelas da Covid-19 podem aparecer em qualquer sistema do organismo e seguem sendo investigadas por médicos de diversos países. Uma pesquisa realizada pela Universidade de Roma, divulgada em 2021, aponta que a disfunção erétil pode sim ser uma das sequelas da Covid-19.

O estudo testou 100 homens, sendo 25 positivos para Covid-19 e 75 negativos. Entre aqueles que se infectaram, a taxa de prevalência de disfunção erétil foi de 28%. Já no grupo que não se infectou com o coronavírus, somente 9,33% apresentaram o problema.

“Isso nunca tinha acontecido comigo”. Essa é uma das frases mais usadas em resposta à constrangedora situação na qual o sexo masculino é assombrado pelo “fantasma” da impotência sexual. Mais do que uma adversidade, a impotência envolve valores culturais referentes às expectativas dos comportamentos sexuais de homens e mulheres.

Ao longo da História, outras respostas de caráter não-científico desse episódio sexual foram concebidas por nossa bilionária espécie. Ao contrário do que muitos pensam, essas simples crendices podem revelar como as diferentes culturas foram capazes de constituir noções de corpo, saúde e sexualidade.

Ainda hoje, as razões biológicas ficam em segundo plano quando algumas pessoas tentam dar uma primeira resposta a esse tipo de problema.

Outras sequelas da Covid-19 que muitos homens não conseguem recuperar 100% é a sua capacidade respiratória. Esse fator também interfere na hora do sexo, afinal não deixa de ser uma atividade física, que demanda esforço e um bom controle da respiração.

Todo comprometimento cardiopulmonar, ou seja, que interfere em questões cardíacas e na respiração, também causa impacto no desempenho sexual do homem, então não se trata de casos isolados.

Mesmo que todas as pessoas não desenvolvam um quadro grave da doença, as sequelas ainda são muito comuns e, até o momento, ainda não se tem controle. Cuide-se!

Dr. Carlos Vaz é médico pela UFMG, urologista, fellow em cirurgia laparoscópica e robótica em Paris, mestre em oncologia e diretor presidente do Hospital Urológica.

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