Ponto de vista
Abrindo espaços
Na hora do rush, a velocidade dificilmente ultrapassa 40 quilômetros por hora em alguns pontos das principais avenidas de Santos, como as vias da praia, a Ana Costa, no Gonzaga, João Pessoa, no Centro, e Nossa Senhora de Fátima, na Zona Noroeste.
Isso se nenhum carro ou caminhão enguiçar ou não houver nenhum acidente relevante nessas principais avenidas, complicando ainda mais o trânsito nas demais vias da Cidade.
Um relatório divulgado no final de 2012, pelo Departamento de Trânsito de São Paulo, mostra que o ritmo do crescimento de veículos em Santos (6,81%) é maior do que em São Paulo (3,02%), com praticamente um veículo para cada duas pessoas.
Soluções
Em Santos, projetos de mobilidade urbana começam a sair do papel, como a entrada da Cidade, o Veículo Leve sobre Trilhos, corredores de ônibus, bem como o incentivo ao uso de bicicletas, com a implantação e a interligação de ciclovias.
Porém, as soluções não se restringem às grandes obras viárias, pois alternativas precisam vir antes dessas inovações urbanas, em virtude do crescimento abrupto que a Cidade experimentou ao longo dos últimos anos.
Faço um desafio à memória do leitor para me dizer sem titubear: qual foi o último grande investimento viário na Cidade ou uma decisão impactante no trânsito? Acredito que muitas pessoas não saberiam responder tais questionamentos.
Inadiável
A Prefeitura de Santos começa a tomar também medidas que não são milionárias, mas singelas e eficazes para a melhor fluidez do trânsito nos principais gargalos da Cidade, como a ampliação do horário de proibição de estacionamento na Avenida Washington Luís, das 7 às 20 horas, dividindo opiniões entre os santistas.
Assim, alguns moradores e comerciantes locais são contrários à restrição, que valerá no trecho entre a praia e a Avenida Francisco Glicério, do Canal 3. Outros elogiam a iniciativa da Prefeitura, que facilitará os deslocamentos das pessoas numa via estreita e com grande volume de veículos durante todo o dia.
A principal reclamação vem dos comerciantes, alegando perda de clientela com a limitação do estacionamento. Por outro lado, quem mais perde na morosidade do trânsito é a economia local: com a redução de cerca de 5% de sua produtividade por conta de um sistema ineficiente de tráfego, gerando prejuízos à totalidade da população.
Nova era
Há 10 anos, a média de tempo de circulação de veículos pela Cidade era em torno de 20 minutos. Hoje, o tempo é de 40 minutos, se não houver nenhum problema no percurso. Enfim, o tempo perdido nos congestionamentos gera desperdício de combustível, aumento de poluição e reduz a qualidade de vida.
Santos, que tem um sistema viário restrito pela sua antiga formação urbana, precisa repensar o tráfego da Cidade, para evitar que a economia estacione nas suas ruas e avenidas, assim como já fizeram e obtiveram bons resultados, municípios como Vitória, Curitiba, Blumenau e Campo Grande, que se anteciparam ao estrangulamento do trânsito.