Arte de Conviver
Laercio Garrido

Professor universitário e escritor.

Amizade (I)

02 de julho de 2014 - 08:56

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O ser humano sente necessidade de ter contato com seus semelhantes. Ele busca o social por natureza e durante as diversas fases da vida vai estabelecendo vínculos com os colegas da escola, com os filhos dos vizinhos, com os conhecidos do trabalho, com os parceiros do time de futebol entre outros.

É muito comum as pessoas apresentarem seus colegas como amigos. Será que a maioria desses conhecidos são seus amigos de fato? Dificilmente.

O verdadeiro amigo tem uma sintonia, uma conexão toda especial que torna o relacionamento valioso e admirável.

O verdadeiro amigo, ao contrário do amante que só enxerga as qualidades ou do inimigo que só observa os defeitos, distingue muito bem os dois.

O verdadeiro amigo aceita o outro como ele é realmente sem tentar modificá-lo na pessoa que gostaria que fosse.

O verdadeiro amigo não precisa estar presente na vida de alguém o tempo todo para prestar a ajuda necessária nas horas certas.

O verdadeiro amigo ajuda seu semelhante na hora em que este precisa e não no momento que é mais conveniente para si.

A amizade é uma estrada de duas mãos: para ter amigos é fundamental ser amigo. A reciprocidade de sentimentos é a matéria prima da interação harmoniosa.

Em condições específicas, duas pessoas poderão ter um profundo respeito, admiração e mesmo amor entre si, sem serem amigas. Explicando melhor, o relacionamento entre pais e filhos transcende a amizade. Um pai não é amigo do seu filho e sim um “pai amigo”. O filho, por exemplo, poderá considerar alguns assuntos como “tabu” na convivência com o seu pai, e este precisa aceitar esse fato com toda a naturalidade.

A relação profissional pode alterar a amizade entre duas pessoas. O amigão de infância foi promovido a líder, e agora o seu antigo amigo e subordinado tem dificuldades de se relacionar da mesma forma que antes. Os dois amigos não mudaram, mas a alteração na hierarquia profissional provavelmente modificou as regras de convivência tanto no campo pessoal como profissional.

Diversas pesquisas têm comprovado os benefícios que a amizade provoca sobre as doenças. Várias experiências confirmaram que o relacionamento pessoal sólido é tão importante para uma vida saudável, como deixar de fumar, fazer exercícios e perder peso.

A interação constante e positiva com seus semelhantes é extremamente benéfica para a saúde psicológica e física. O solitário morre mais rápido do que o solidário!

É interessante refletir quando surgiu a primeira amizade entre dois seres humanos. As dificuldades para se comunicar eram enormes. Os homens primitivos tinham pouquíssimos recursos no uso da linguagem falada. Utilizavam a linguagem corporal em suas relações.

Eram seres brutos cujos instintos comandavam a razão e os sentimentos. No entanto, a amizade entre eles existia de maneira intensa.

Texto do livro A Arte de Conviver.