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Opiniões

02 DE JUNHO DE 2021

Ampliar mercado interno

Por: Humberto Challoub

Mais do que dirigir esforços para conter o avanço da Covid-19, o País tem pela frente o grande desafio de promover ações para minimizar as consequências danosas produzidas nas áreas sociais e econômicas, uma vez que os efeitos perversos da pandemia já são sentidos em vários setores, especialmente entre os segmentos mais pobres, onde crescem os níveis de miserabilidade e de fome. A insegurança motivada pelas incertezas em relação aos comportamentos dos mercados no futuro resultam na imediata retração do consumo e no adiamento dos investimentos de médio e longo prazos, desestimulando a execução de planos estruturais e a aplicação de recursos disponíveis em projetos de melhoria das condições de vida das populações menos assistidas.

Mais uma vez adia-se a perspectiva de acelerar as iniciativas necessárias e imprescindíveis para a adoção definitiva de um processo contínuo de desenvolvimento nacional, capaz de evitar a submissão às intempéries e às volatilidades internacionais. A necessidade de inserção nos mercados externos, cada vez mais globalizados, é inconteste, porém somente a ampliação e o fortalecimento da economia interna dará ao País a real capacidade de conduzir seu destino para os rumos que desejar. Nesse sentido, o papel a ser cumprido pelas autoridades públicas, a partir da adoção de práticas de austeridade e de racionalização no uso dos recursos arrecadados da população são instrumentos fundamentais para manter o equilíbrio das contas públicas, iniciativas que obrigatoriamente devem acompanhar as administrações, especialmente no atual momento de dificuldade. Mais do que nunca é preciso priorizar o aumento das oportunidades de trabalho e das atividades econômicas, para que possa ocorrer a redução da grande distância que separa os poucos ricos dos muitos pobres brasileiros, um contingente que deseja menos complacência e mais dignidade.

Nesse cenário, a proposta de reforma tributária que tramita no Congresso Nacional deve ser entendida como uma forma de corrigir distorções e estabelecer diretrizes perenes para o futuro, a partir da introdução de pesos e medidas para o estabelecimento de normas tributárias mais justas e coerentes com a realidade social brasileira. Já é sabido que o incremento das atividades econômicas favorecido pela redução dos custos fiscais compensa possíveis quedas de arrecadação geradas por redução de tributos. É preciso dotar o País das condições ideais para o desenvolvimento e consolidação de um mercado interno sólido, capaz de atender as demandas de consumo e, sobretudo, contribuir para o fim da miserabilidade que ainda afeta parte da população.

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