Ponto de vista
As Partituras do Tempo
MAURILIO TADEU DE CAMPOS
O tempo nunca para. Cada segundo e seus décimos, centésimos e milésimos passam em velocidades quase impossíveis de mensurar.
Os ponteiros dos relógios habitualmente giram no chamado “sentido horário”, da direita para a esquerda, claro, nos medidores de tempo que possuem ponteiros para marcar as horas, minutos e segundos.
Já o nosso Planeta Terra faz seu Movimento de Rotação, em torno de si mesmo, em vinte e três horas e cinquenta e seis minutos, da esquerda para a direita, na contramão do girar dos ponteiros dos relógios.
Desde que estudamos os movimentos da Terra, quando lá estávamos sentados nos bancos escolares, sempre nos ensinaram que o Planeta tem dois movimentos: Rotação, a marcar um dia e Translação, com a duração aproximada de um ano.
Porém, os estudos de astronomia, preconizados pela Geografia e demais Ciências, revelam que a Terra tem, ao todo, quatorze movimentos.
Por que, então, estudamos só dois?
“Simplistamente” nos interessa estudar e entender os mais perceptíveis, como habitantes desse nosso Astro Iluminado, o terceiro a girar em torno do Sol e a rodar “como se fosse um imenso pião’, no seu próprio eixo.
Assim, as horas passam como notas musicais, cada uma com seu próprio andamento, sonoridade exclusiva e significado.
O sol faz despertar o clarão da manhã em muitos acordes que nos levam à alegria e à esperança de viver como se cada dia fosse, sempre, um novo recomeço.
Vem a tarde em acordes nostálgicos e reflexivos, repletos em refrões de belas canções. Cai a noite e um solo suave de um pífaro, entoando suaves efetivações, marca mais um solo de sonhos.
A vida é uma melodia complexa, com altos e baixos, sempre com um ritmo-guia. Às vezes, o tempo parece acelerar, como um allegro frenético
O tempo é um maestro, regendo a orquestra da vida com precisão e beleza. Cada dia, uma singular partitura, com suas próprias melodias e harmonias.
No ritmo das horas, percebe-se intensa inspiração para bem sobreviver. Os minutos tornam-se compassos e cada segundo é um som, a minutar as batidas do coração.
A vida é uma melodia complexa, com altos e baixos, sempre com um ritmo-guia.
Às vezes, o tempo parece acelerar, como um allegro frenético.
Outras vezes, ele se arrasta, como um adagio melancólico.
Outros segundos, minutos, horas e diversos ritmos tornam-se a revelar, diariamente. Enfim, é o ritmo das horas que traz a lembrança para aproveitar momentos e danças constantes ao som da vida.
Vou ao encontro da poesia nas situações bem simples, sorvendo a beleza das horas a sempre passar.
Cada noite agitada faz-me render ao sono, sabendo que, nas próximas manhãs, novas cadências melodiosas conduzirão o bem passar pela sinfonia da vida.
Nesse contínuo ciclo de ritmos e horas, aprendo a valorizar cada instante e não deixar que o tempo me escape.
O ritmo das horas ensina-me a viver no presente, a aproveitar cada nota, cada som, cada momento.
E, quando o silêncio calhar, saberei que tudo estará sendo preparado por originais melodias, típicas do ineditismo de novos e afortunados dias a passar e nós, sempre de braços dados com o tempo.