Ponto de vista
Balança capenga
Leia abaixo, caro leitor, algumas das manchetes negativas do nosso comércio exterior que estampam as principais capas dos jornais do País nos últimos meses e que vem deixando os exportadores cada vez mais apreensivos com o desempenho internacional da economia brasileira.
“A balança comercial – diferença entre exportações e importações – teve, no último mês, o maior déficit desde outubro de 1998, pela falta de competitividade da indústria nacional”.
E as notícias negativas não param por aí: “A Vale do Rio Doce, maior produtora internacional de minério de ferro, amarga prejuízo de bilhões de reais, devido à queda do preço de matéria-prima no mundo”. “A Petrobras pode atrasar a exploração do pré-sal na Bacia de Santos por falta de recursos para investir na área”.
Não é só o setor de exportação que desacelera o crescimento do País, mas a redução das importações também prejudica o desenvolvimento da nossa economia, uma vez que os empresários estão temerosos em comprar novas máquinas e equipamentos do exterior para aumentar a produção interna, dada a incerteza do cenário brasileiro.
Ameaças
Acha pouco o que está acontecendo com as exportações e importações brasileiras? Tem mais. A inflação prevista para o fim do ano de 6,3% será distante do centro da meta de 4,5% anual. A projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) é de 0,3% para 2014, justamente pela falta de investimento em infraestrutura e produção no País. Para terminar, a Taxa Básica de Juros (Selic), que foi para 11,25% ao ano, deve alcançar 11,50% em dezembro. Este é o Brasil real.
Apesar da fragilidade em que vivemos nos últimos quatro anos, a única peça da engrenagem econômica que ainda não foi atingida pela falta de investimentos no País foi a geração de empregos, que ficou numa taxa de desocupação de apenas 5%, entre as pessoas que procuravam trabalho nesse período.
Como a tendência da economia nacional em 2015 é continuar adversa para os brasileiros é iminente o aumento do desemprego, principalmente quando os jovens que não trabalham nem estudam voltarem para o mercado de trabalho, num momento de diminuição das vagas em geral, podendo atingir a marca de 8% de desocupados ao ano.
Retração
Talvez, o principal impacto dessa situação em Santos seja a falta de perspectiva para as exportações e importações no próximo ano, porque pode afetar consideravelmente as movimentações do cais santista, com graves reflexos nas atividades comerciais e de prestação de serviços da Cidade.
Além disso, o ritmo fraco das operações portuárias pode comprometer o crescimento do ISS, que é a principal receita tributária do município e, ainda, diminuir os repasses do ICMS, notadamente pela queda do transporte de cargas no porto.
Portanto, ventos fracos, marés baixas e economia encalhada formarão o cenário do comércio exterior e das atividade portuária do próximo ano, com fortes efeitos negativos no desenvolvimento do País e, consequentemente, de Santos.
Celso Évora – (Interino)