Gabriel Pierin

Gabriel Pierin criou o Era uma vez em Santos... nasceu como uma ideia, virou um projeto e será sempre uma obra inacabada. Resgatar e preservar a memória da cidade é um compromisso de todos aqueles que amam Santos, sua história e suas pessoas. Afinal, cada pessoa, cada lugar, tem sempre uma história para contar.

Bloco Carnavalesco AGORA VAI

10 de fevereiro de 2016 - 17:12

Compartilhe

Em época de carnaval, é bom recordar um tempo distante da nossa querida Santos. Das permanências e mudanças do tempo histórico, ficam a alegria contagiante e a união. Divirta-se com a história contada pelo amigo e colaborador Carlos Frigério.

Foi no Café Dóeste, que nasceu o Bloco Carnavalesco Agora Vai. Nós, habitués da vida noturna, jovens alegres e brincalhões, encontramos no Agora Vai uma forma de externar a nossa veia artística. Saíamos sempre no sábado que antecedia o carnaval. Era uma festa!

Nossos ensaios aconteciam na sede das Misses, na Vila Matias. Os carros alegóricos eram construídos pelos próprios componentes, num terreno da rua João Éboli. O Bloco das Misses fez muito sucesso na década de 40. Era composto por mais ou menos 140 figurantes, homens de muito respeito, profissionais competentes, chefes de família que desfilavam no carnaval; todos vestidos de mulher. A apresentação era impecável. Cada um fazia seu vestido a seu gosto, mas orientados pela esposa, namorada ou filha.

Cada um saia sempre com vestido longo e de cores diferentes. Apenas os leques eram iguais e da mesma cor, usados com muita elegância. Nesse bloco todos cantavam afinadamente as músicas escolhidas pelo grupo, formando um conjunto harmonioso e bonito. Os instrumentos apenas acompanhavam, para destacar o canto. Era interessante ver as esposas, namoradas, mães, esmerarem-se na pintura, na colocação da peruca, nos últimos retoques do vestido. O presidente Manequinho Pintor que tinha sua vida profissional pautada na honradez e responsabilidade, quanto à disciplina e cumprimento de horário, aplicava essa mesma filosofia de trabalho, como diretor do Bloco das Misses. Bebida só depois da apresentação, regra obedecida por todos os componentes.

Manequinho e o Bloco das Misses deixaram saudades, abrindo uma lacuna no Carnaval de Santos. O nome do Bloco Carnavalesco Agora Vai, foi escolhido por nós, numa madrugada no Café D’Oeste, quando Waldemar Noschese, um dos fundadores do bloco e que estava namorando uma moça muito bonita e prendada, depois de ficar noivo várias vezes, rompendo o compromisso também várias vezes, sempre em cima da data do casamento, disse: “Agora estou namorando firme e pretendo casar! Agora vai”. Aí eu disse: “Taí o nome do bloco para este ano: Bloco Carnavalesco Agora Vai”. Mantivemos esse nome até o encerramento das nossas atividades momísticas . O progresso, as mudanças de hábitos, o aumento das nossas responsabilidades e o surgimento das escolas de samba do Rio de Janeiro exerceram grande influência no carnaval santista contribuindo para o encerramento, não esquecendo que todos nós estávamos um pouquinho mais velhos.

O Bloco Carnavalesco Agora Vai saía da sede do Bloco das Misses, pela Senador Feijó até a Praça José Bonifácio, entrando na Rua Braz Cubas até o Samba Danças, onde éramos recebidos com confetes, serpentinas e muitos aplausos das nossas queridas parceiras de quase todas as noites que desciam até a calçada para nos abraçar. O Quirino colocava a Banda do Bonfim na sacada, executando a marcha do bloco, uma feliz composição do Alvinho.

Hino do Bloco Carnavalesco Agora Vai

Agora vai, minha gente agora vai
vai ser pra nós, nós queremos farrear
A nossa turma é da folia e do barulho
carnaval é um entulho
quem não brinca vai deitar

No nosso bloco, não existe preconceito
de profissão, raça ou cor
nós temos branco, preto, espanhol, português
temos doqueiro e até um vereador!
 

O vereador que consta da música é Waldemar Noschese , presidente do bloco e vereador à Câmara de Santos.

Depois de passarmos pelo jornal A Tribuna onde éramos recepcionados por Giusfredo Santini e toda a equipe desse matutino, encerrávamos o desfile, em frente a redação do Diário de Santos.