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Vinicius Carlos Vieira

Saiu da faculdade de jornalismo e descobriu que não sabia fazer mais nada a não ser escrever sobre cinema. Resolveu virar crítico. Hoje, é editor e crítico do site Cinema Aqui (@cinemaqui), além de ser produtor do Nerd Cine Fest. No twitter pode ser encontrada no @vinicvieira

Bruxa de Blair

Continuação vai até o primeiro filme para reviver a trama. Confira a crítica.

15 de setembro de 2016 - 23:11

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bannerEm 1999, A Bruxa de Blair definitivamente mudou a história, não só do gênero, mas do cinema. Nunca mais os filmes esqueceriam o uso de “imagens encontradas” (“found footage”) e da internet como campanha de marketing viral. Fora isso, o primeiro filme ainda possibilitava que o espectador fosse surpreendido. Em 2016, o que sobre disso para Bruxa de Blair é absolutamente nada.

Não que esse novo não funcione, com certeza o faz, mas única e exclusivamente porque só repete aquilo tudo que já foi feito, pior ainda, sem nem perceber as possibilidades de acrescentar algo àquilo que tem em mãos. Em poucas palavras, se no Brasil os títulos dos dois filmes ficaram tão parecidos, talvez seja esse semelhança o que mais reflita o filme.

Dessa vez, bem diferente do segundo filme O Livro das Sombras (que ninguém gosta, mas é bom sim!), essa nova trama começa pelo irmão de uma das personagens do primeiro, que descobre uma nova gravação do acontecimento e vê nela a possibilidade da irmão ainda estar viva. Ok, levando em conta que se passaram 16 anos, ele logo admite que o objetivo na verdade é entender o que realmente aconteceu. E sim, para isso ele precisa se embrenhar no meio da mesma floresta.

Com a desculpa da melhor amiga estar fazendo um documentário sobre ele e esse assunto, eles e mais um casal de amigos se municiam de um monte de câmeras (a novidade agora são as “câmera auriculares” e um drone que não serve para nada durante a trama) e partem em buca da verdade. Com eles ainda surge um casal de jovens locais obcecados pelo assunto (e que encontraram as novas imagens). O resto você imagina.

bruxa-de-blair-destaqueE o maior problema para quem já viu o primeiro (se é que alguém não viu) é justamente esse: nada soa novo e nem te faz querer ficar ali para descobrir onde aquilo vai chegar. Pior ainda, muito dos lugares onde a trama chega, combinado com o estilo visual, nem direito conseguem ser aproveitados pelo espectador, perdido em meio a já característica câmera mexida.

Nesse caso não são “dois pesos e duas medidas”, já que isso funcionou no primeiro e não funciona agora, o problema é que em 1999 todo terror e desespero está fora do quadro, era o “monstro” (ou “bruxa”) criado na cabeça de cada um que criava o horror, quanto menos se visse o que estava acontecendo, melhor. Agora, com o óbvio intuito de agradar as novas gerações que preferem algo mais palpável, o diretor Adam Wingard opta por “mostrar” mais, mas isso não quer dizer que você consiga ver o que será mostrado.

Wingard, que já tinha dirigido o interessante Você é o Próximo, não consegue aproveitar as próprias ideias. Lá para o final você pode até ter o vislumbre de “algo” no topo de uma árvore, mas antes disso nem bem entende o que aconteceu com uma das personagens. Em contrapartida, perde tempo demais com o machucado purulento de outra e não faz absolutamente nada com isso. No resto do tempo, contente-se com gente surgindo de repente na frente da câmera, árvores que não fazem nada e uma lanterna que ilumina menos ainda.

Talvez, no fundo (bem lá no fundo mesmo!), esse novo Bruxa de Blair até tente aumentar a mitologia da série com umas brincadeiras com o tempo, umas luzes esquisitas e um pouco mais do passada da própria Bruxa do título. Mas absolutamente nada disso é o ponto principal da trama ao invés dos sustos artificias, o que é uma pena, já que, com certeza, estava ai uma boa possibilidade de revalidar o interesse do público por essa franquia que, definitavemente, mudou o cinema. Mas só o primeiro filme mesmo.

Críticas desse e de outros filmes você pode encontrar no CinemAqui