Ponto de vista
Calculando a rota
O “grande barco da economia brasileira” navega atualmente em águas turbulentas e sob céu cinzento, com as previsões da meteorologia anunciando que as “nuvens carregadas” da inflação alta, do crescimento baixo do Produto Interno Bruto (PIB), da estagnação da indústria brasileira e dos poucos investimentos em infraestrutura e produção continuarão nos próximos anos.
Apesar do Governo Federal alardear que a crise internacional prejudica o desenvolvimento do Brasil, os índices de crescimento econômico dos países da América do Sul mostram que os nossos problemas são internos e que precisam de soluções “caseiras”.
Enquanto a previsão do PIB brasileiro é de apenas 0,5% para 2014, a projeção de crescimento dos nossos vizinhos é mais animadora. Então vejamos: Peru 5,5%, Bolívia 5,1%, Paraguai 4,8%, Colômbia 4,4% e Chile 3,6%, comprovam que precisamos rever a nossa política econômica.
Reflexos
A situação incerta do País afeta também os prefeitos dos 5.545 municípios, que terão que atravessar “mares agitados”, munidos de bússolas e toda sorte de equipamentos para enfrentar a “turbulência” da economia nacional neste final de ano e as esperadas tempestades em 2015.
De modo geral, a estagnação econômica já afeta os orçamentos dos municípios, que precisam “baixar as velas” com a queda real da arrecadação, mas ao mesmo tempo manter o “curso da navegação” para garantir as despesas da saúde, educação, assistência social e conservação das cidades, dentre outras áreas.
Talvez, por isso, em recente pesquisa nos municípios da Baixada Santista, somente os prefeitos Paulo Alexandre Barbosa e Alberto Mourão, respectivamente de Santos e Praia Grande, foram os únicos a obter acima de 50% de aprovação da população de suas cidades, demonstrando que suas ações estão adequadas à realidade econômica do País.
Tormenta
Qualquer que seja o vencedor desta eleição nacional, o novo presidente deverá “corrigir a rota do grande barco da economia brasileira”, que exigirá, inicialmente, medidas duras e definitivas para fugir das “enormes e perigosas ondas” da recessão em 2015 e encontrar um “oceano de águas claras e calmas” a partir de 2016.
Dessa forma, os prefeitos terão que conviver com várias dificuldades orçamentárias durante o ano de 2015, em razão do modesto crescimento do PIB em torno de 1%, da limitação da arrecadação própria, da redução dos repasses governamentais, da possibilidade de aumento da inadimplência tributária e da desaceleração geral da economia nacional.
Com muitas nuvens, os prefeitos que comandam as suas frotas, hoje se orientam pelas poucas estrelas no céu, como os antigos navegadores, e, portanto, devem assumir o “timão” com cautela para evitar o “lançamento das âncoras”, priorizando a aplicação dos recursos próprios nas áreas sociais e buscando financiamentos dos governos Estadual e Federal na infraestrutura dos municípios, além de fixar metas e resultados de seus “tripulantes”.