Estação X
Diego Corumba

Jornalista especializado em games

Chrono Cross e a origem

Há jogos que se destacam tanto na vida dos gamers que definem até os dias de hoje aquilo que procuram e buscam nos videogames. Como isso afeta, o colunista explica com a sua história junto à Chrono Cross.

24 de janeiro de 2018 - 16:24

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O ano era 2005 e eu ainda jogava em meu PlayStation.

O primeiro de todos.

Fui nos famosos camelôs de Vicente de Carvalho, na Praça XIV Bis, pronto para escolher os jogos da semana.

R$5 cada e comprando três, você pagaria apenas R$10.

Como já tinha começado a ganhar um dinheiro aqui e ali, a cada duas semanas marcava presença no local.

Num belo dia, voltei para casa com os 3 games que eu colocaria naquelas capinhas redondas e veria um a um.

Nessa caçada, cheguei em casa com dois games que nem lembro quais eram (são 13 anos atrás, me deem crédito) e Chrono Cross.

Coloquei o jogo (que era dividido em 2 CDs) e a cena de abertura já me encantou.

O instrumental, os gráficos estonteantes, mas me recordo até hoje das palavras antes das cenas de ação começarem: “Qual foi o início disto tudo?

Quando as engrenagens do destino começaram a funcionar?

Provavelmente é impossível responder essas perguntas agora, do mais profundo fluxo do tempo.

Mas, com certeza, lá atrás nós amamos muito, odiamos muito, machucamos outros e nos machucamos.

Mesmo assim, corremos como o vento enquanto nossas risadas ecoavam embaixo do céu azul…”.

A partir dali, eu já estava cativado e esquecido dos demais jogos.

E foi assim por um bom tempo.

 

Chrono Cross é um dos maiores clássicos da SquareSoft, além de ser continuação de um dos games mais aclamados da história: Chrono Trigger

 

A cena inicial era você mais dois personagens (Kid, a principal personagem feminina e um segundo aleatório, que acabaria encontrando pelo game) invadindo uma torre, enfrentando monstros e progredindo no lugar.

Tinham robôs, criaturas mitológicas e muitos quebra-cabeças, isso seguiu até o instante que chega no topo da torre.

Lá, uma cutscene aparece, mostrando apenas flashes do que acontecera na seqüência, com Kid morta e ensangüentada caindo e o protagonista sorrindo, com sua lâmina cheia de sangue também.

Então, Serge desperta em sua cama, numa vila de pescadores e sem entender o que estava acontecendo.

Mas quem joga videogame compreendeu. Ao menos, eu compreendi.

Aquilo era uma “profecia”. Eu chegaria naquele ponto de fato.

O “como” que me instigou a continuar minha jornada.

Quem joga videogame tem os seus favoritos, aquela linha de games que sempre vão se lembrar independente de quanto tempo passe.

Chrono Cross foi o meu “primeiro”.

Tinha passado por vários e amei alguns, mas nunca tanto quanto esse.

Esse clássico RPG era continuação de Chrono Trigger (qual estou recentemente jogando para finalizar pela primeira vez) e produzido pela SquareSoft (hoje Square-Enix, produtora de Final Fantasy, Kingdom Hearts entre outros clássicos).

Também envolvia realidades paralelas e viagens no tempo, o que chamava bastante atenção do tom distinto dos demais.

Serge é o protagonista que, junto a mais 44 personagens, faz parte do roster do game.

Nele você podia ter 45 personagens e vários finais diferentes eram apresentados conforme você os conhecia e os ajudava.

O mapa era enorme e as possibilidades eram tão vastas que até hoje me pergunto se abracei tudo que ele podia me oferecer.

Fora que, como tudo que a Squaresoft fazia, tinha aquela “magia” e encanto que eram especialistas em reproduzir.

Sendo sincero, um dia pretendo joga-lo novamente e espero que um dia ponham a mão na cabeça e criem uma continuação (ou releitura…) da saga.

Foi ESSE o jogo responsável por eu ser tão apaixonado assim por videogames e ele que me fez reparar em coisas que resultaram em textos assim.

Através dele, dei chances ao Final Fantasy e não me arrependi (até hoje), Kingdom Hearts, The Witcher, a série Tales of e, o mais recente, Persona.

Claro, cada um tem seu charme e são incomparáveis, mas sabe aquele momento que está aproveitando algo e sua mente sempre associa algum elemento àquele primeiro?

É isso que ele significa para mim, foi mais do que apenas um game e mais do que uma história. Foi uma referência de algo que levarei comigo para sempre.

É engraçado percebermos essas coisas, como certas coisas nos direcionam, não é?

Às vezes você lê um livro, assiste um filme ou joga algo totalmente sem compromisso, sem a menor pretensão e apenas querendo esquecer da pressão diária e “puft”, aquilo altera algo em sua vida de forma substancial.

Sempre quando menos esperamos ou quando mais precisamos?

Sendo sincero, não sei como explicar, mas vocês conseguem compreender certo?

Parece que certas coisas vêm em horas tão certas que nos auxiliam ou abraçam nossos sentimentos de tal forma que nos fazem conseguir dar um passo para frente.

Rumo ao crescimento.

Enfrentar dragões e criaturas mitológicas faz parte da saga de Serge & companhia para evitar o colapso do tempo que os aflige a Terra.

 

Esse crescimento é essencial para conseguirmos seguir em frente.

Uma frase, um trecho impactante ou uma seqüência emocional forte podem ser responsáveis pela mudança que você aguarda na vida.

Eu, no auge dos meus 15 anos onde só pensava em jogar, comer e dormir, comecei a ver o que um ato pequeno ou a vida de alguém que aparenta não ter impacto algum podem fazer uma gigantesca diferença no futuro.

Que não somos “mais um” no universo. Me diz, o que você conseguiu ver?

O que o jogo que está nas mãos, ou o livro que acabou de deixar de lado, até mesmo o filme que você viu no torrent/Netflix mexeu em você?

Defendo e até curto umas besteiras, mas sem algo que mexa conosco, nossa vida seria bem mais difícil.

Moral da história: procure.

Nunca deixe de buscar essas coisas que alteram nossa forma de pensar e ver o mundo.

Não estaremos experientes demais muito menos saberemos tudo, nem se nossa vida se prolongasse ao dobro.

Enquanto busca, cresce, dá passos em direção ao futuro com degraus que te elevem, continue indo atrás de mais. Há espaço para todos, há conhecimento e cultura suficiente ao nosso redor. E

ntão evolua.

Nada acontece por acaso…apenas pegue tudo e fixe em você. Tenho certeza de que não haverá nada a perder.

 

Curiosidades

Acima conto sobre Chrono Cross, um dos games que mais me influenciaram em toda minha vida.

“Um dos”…pois tem mais.

Abaixo segue uma pequena lista dos jogos que mais tiveram impacto no meu trajeto:

 

The Legend of Zelda: A Link to the Past (2001), Super Nintendo

Chrono Cross (2005), PlayStation
Castlevania: Symphony of the Night (2005), PlayStation
Pokémon FireRed (2006), GameBoy Advanced
inFAMOUS (2014…fiquei um tempo afastado dos games), PlayStation 3
Batman Arkham Knight (2015), Xbox One
The Legend of Zelda: Breath of the Wild (2017), Nintendo Switch
Persona 5 (2018), PlayStation 4

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