Arte de Conviver
Laercio Garrido

Professor universitário e escritor.

Como ser assertivo

Texto extraído do livro A Arte de Conviver

05 de novembro de 2014 - 08:06

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Assertividade é defender seus interesses sem violar os direitos dos outros. É ser claro e afirmativo, expondo os próprios sentimentos sem agredir ou incomodar o interlocutor. É entender que a liberdade dos demais começa onde termina a sua. Muitos utilizam o conceito de assertividade de forma indiscriminada e errada. O chefe dizendo de forma autoritária: “Você não me leve a mal, mas terei que ser assertivo…”, e humilha o subordinado na frente dos colegas, dando-lhe uma bronca sem qualquer sentido. O chefe “bonzinho”, frente a um colaborador que nunca entrega as tarefas no prazo estipulado, sem qualquer justificativa: “Veja, eu preciso de sua ajuda para entregar as tarefas…”.

Assertividade não é ser passivo aceitando opiniões das quais discorda por medo de aborrecer o emissor. Não é ser agressivo faltando com respeito ao outro. Não é sempre ser “sincero”, pois a verdade colocada na hora errada para a pessoa errada prejudica muito mais do que ajuda. Não é julgar os outros fazendo críticas não construtivas que possam ofendê-los. Não é “por para fora” tudo o que vem a mente sem analisar com cuidado o que vai ser falado. Não é se esconder de seus valores, agindo de forma contrária às próprias convicções. Não é evitar conflitos e críticas, empurrando os problemas “com a barriga” sem tentar solucioná-los através do “jogar aberto”.

Nas interações entre as pessoas, existem três comportamentos: passivo, agressivo e assertivo. Os dois primeiros são extremamente negativos. O comportamento passivo leva a pessoa a não respeitar suas opiniões e expectativas por receio de melindrar os sentimentos alheios. Suas colocações nem sempre são diretas e honestas, pois ela procura adaptá-las às necessidades dos demais.

A pessoa telefona à amiga, dizendo que está com muitas saudades e irá visitá-la à noite. A amiga agindo passivamente, não tem a coragem de dizer a verdade, ou seja, que já tem outro compromisso marcado anteriormente. Se a pessoa fosse assertiva, diria ter um imenso prazer em recebê-la, mas que infelizmente teria que ser em outro dia, por já estar ocupada naquela noite. As pessoas passivas carregam consigo desde a infância o vírus do “agradar a todos”, e passam a vida desagradando mais pessoas do que gostariam. O indivíduo agressivo é egoísta e só pensa em si mesmo, não tendo empatia para entender os sentimentos das outras pessoas. Comportamentos desrespeitosos e inadequados são uma constante em suas relações interpessoais. Geralmente o indivíduo agressivo acredita que só ele tem direitos. Coloca os assuntos de forma inadequada e nas horas indevidas. Exige em lugar de pedir fazendo ameaças de modo explícito.

Alguém pede o carro emprestado ao amigo para resolver um assunto importante. Recebe como resposta um sonoro “não”, pois carro, mulher e escova de dente não se emprestam a ninguém. Se o dono do carro fosse assertivo, ele o cederia com prazer ou daria uma justificativa coerente e lógica sobre a razão de não fazê-lo.

A assertividade traz muitos benefícios tanto nas relações pessoais como profissionais. As pessoas assertivas administram os confrontos com maior facilidade e satisfação. Resistem muito melhor ao estresse. Projetam credibilidade. Sabem expressar seu desacordo de maneira convincente sem gerar conflitos. Resistem com maturidade às tentativas de manipulação, ameaças e chantagem emocional. Sentem-se melhor consigo mesmas e conseguem fazer com que os outros também se sintam. Como ser assertivo? O que fazer e não fazer? Qual o melhor jeito para tratar os amigos, líder imediato ou a equipe? Como evitar as atitudes e comportamentos passivos ou agressivos?

Não existe uma fórmula mágica! Não há receita pronta! Entretanto duas atitudes são fundamentais para facilitar a conquista da assertividade. A primeira consiste na pessoa dialogar consigo mesma, ouvindo sua voz interior. Aquela voz que não mente, que aponta tanto os pontos fortes como as limitações. A auto estima precisa ser desenvolvida para respeitar os próprios direitos e administrar o seu ego a fim de também agir de acordo com os direitos dos outros.

A segunda é saber usar a empatia para compreender aquelas pessoas que utilizam a assertividade com sabedoria. Não achar que elas estão sendo desrespeitosas, quando emitem uma opinião contrária a sua ou inadequadas por não atender uma solicitação quando isso não é possível.