Ponto de vista
Nada será como antes
Humberto Challoub
Seja qual for o desfecho do Caso Master, com a punição ou condescendência judicial com os crimes da maior fraude financeira já praticada no País, o veredito da sociedade brasileira já está configurado pela condenação moral àqueles que, em tese, deveriam ser os primeiros a zelar pelas instituições que alicerçam as bases do estado democrático.
A corrupção endêmica compartilhada pelos três poderes da República, resguardada pelo conluio de interesses e blindagem à imposição das leis vigentes, consolidou, ao longo dos últimos anos, um modelo autoritário travestido de “boas intenções”, com normalização de medidas ditatoriais justificadas pela falsa narrativa de salvaguarda à democracia.
Se valeram de égides de inviolabilidade e imunidade para acobertar decisões orientadas por interesses econômicos e ideológicos, em total desconformidade com a Constituição e os conceitos que asseguram direitos fundamentais.
Sob a anuência de simpatizantes do regime e resguardados pela omissão de parte da imprensa, proliferaram esquemas corruptos, a perseguição a opositores políticos, os ataques à liberdade de expressão e, o que é pior, à realização de prisões arbitrárias respaldadas por decisões judiciais questionáveis.
Diante desse cenário caótico, forjado pelas contradições éticas e morais de boa parte das autoridades constituídas, o pleito de outubro próximo surge como um sopro de esperança, a partir da possibilidade de eleição de candidatos comprometidos em promover reformas constitucionais necessárias e, pelo que se vê, urgentes.
Sob a anuência de simpatizantes do regime e resguardados pela omissão de parte da imprensa, proliferaram esquemas corruptos, a perseguição a opositores políticos, os ataques à liberdade de expressão e, o que é pior, à realização de prisões arbitrárias respaldadas por decisões judiciais questionáveis.
Está mais do que evidenciada a necessidade de que o próximo Congresso eleito dedique atenção prioritária à tarefa de promover as mudanças que o País tanto espera e precisa, na qual, sem dúvida, se inclui a revisão das legislações e dos princípios que norteiam o sistema político-eleitoral vigente, a partir da revisão dos critérios de proporcionalidade; da administração pública, com a extinção das benesses e penduricalhos; e, sobretudo, de fiscalização e controle externo do Judiciário, como o estabelecimento de novos critérios para a escolha e definição de tempo de mandato para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
O desgaste da imagem institucional dos poderes perante a opinião pública, em razão dos muitos episódios que demonstram total desprezo à probidade que deve guiar a atuação das autoridades públicas, não pode continuar corroendo a democracia brasileira, sob o risco de dar vez às retóricas populistas e argumentos para eleger pseudos salvadores da pátria.
O Brasil não aceita mais a corrupção, a manutenção de castas privilegiadas e a falta de transparência que condena a população à pobreza e ao atraso perpétuo.