Memória Santista
Sergio Willians

É jornalista e escritor, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Santos e da Academia Santista de Letras. Também é membro correspondente do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo.

Curiosidade de Réveillon

Conheça curiosidades históricas das passagens de ano santista

31 de dezembro de 2015 - 08:00

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DSC_0051Ano novo, vida nova. O ritual de passagem de ano, mais conhecido pela palavra de origem francesa, Réveillon, teve diversas faces ao longo da história santista. Por séculos, a comemoração era exclusivamente intimista, circunscrita ao ambiente familiar. Com o tempo, e o surgimento das agremiações sociais, a confraternização se expandiu e foi se moldando até o modelo de hoje, onde a maior parte dos santistas celebra esta grande noite mágica nas areias da praia, ao iluminar cintilante dos fogos de artifício e do estouro saboroso das cidras e champagnes que se misturam às oferendas de Iemanjá.

No artigo de hoje, optamos em não contar uma história, mas salpicar algumas curiosidades da memória que reverenciam os dois dias que marcam o ritual de passagem dos anos.

Corida de cuecas
Dois “eventos” esportivos alternativos (não oficiais) se tornaram uma grande tradição nas ruas santistas para o último dia do ano. No bairro do Macuco foi criado, em 1965, uma espécie de São Silvestre Santista, batizada de SãoRisal, onde a regra básica à participação era estar “embriagado”. Nos primeiros anos da corrida, os competidores só podiam correr de “cuecas”, mas o evento foi tomando um corpo tão “profissional”, que a partir de 1972, uma camiseta já passou a ser item obrigatório. O primeiro lugar recebia o troféu de vencedor e as pompas de herói da corrida. Ao último colocado, um repolho, também bastante festejado. As corridas do Macuco aconteceram até meados dos anos 1980.

Primeira discoteca
Na virada de 1982 para 1983, entre as opções oferecidas para quem quisesse passar um Réveillon embalado em música, estava a inauguração da que veio a ser considerada a primeira discoteca de Santos, a Heavy Metal, instalada nas dependências do antigo Cinema Um, na avenida Vicente de Carvalho. A festa de lançamento da casa teve como tema o “Réveillon da Turma do Pirlimpimpim”, iniciada às 23 horas do dia 31 de dezembro, com show ao vivo do grupo Herva Doce, que despontava no rock nacional com a regravação do antigo hit “Erva Venenosa”.

Chuva de papéis picados
A partir do início dos anos 1970, os santistas começaram a promover um ritual que era realizado nos centros empresariais das maiores cidades do país: a chuva de papéis picados. No início, os escritórios dos prédios do Centro lançavam os papeis de forma aleatória e, assim, mais causavam problemas do que regozijos. Com o passar dos anos, o jornal A Tribuna, com sua famosa sirene do meio dia, passou a dar o tom do início da festa, sempre muito bonita visualmente. Mesmo os garis e margaridas, que tinham de limpar toda a bagunça depois, aprovavam a tradição e também caiam na folia antecipada de Carnaval. As chuvas de papeis começaram a perder força no final dos anos 1980.

Iemanjá
Muito antes do show de fogos de artifícios dominar o assunto dos réveillons em Santos, era Iemanjá (o orixá das águas do candomblé) quem conduzia o tom das festas das viradas de ano. A partir de 1962, com a consolidação da Festa da “Rainha do Mar”, passou a ser tradição santista acender velas e jogar flores nas águas da Baia de Santos, como forma de pedir um ano abençoado.

Hotel La Plage
Nada de fogos de artifício, corridas, oferendas à Iemanjá ou sete pulinhos nas ondas do mar. Os réveillons da região eram acontecimentos mais intimistas, fosse nas residências, clubes sociais e até em hotéis de luxo, como o La Plage, do Guarujá (que ainda pertencia a Santos em 1919). Em anúncio publicado no jornal O Estado de São Paulo, o estabelecimento anunciava a preparação de um Menu especial e excelente espetáculo musical a cargo da orquestra do maestro Andolfi.

Queima de fogos
Observar fogos de artifício iluminarem os céus da orla santista é algo que os santistas já veem desde o final dos anos 1950. Mas, de maneira oficial, essa tarefa só foi assumida pela administração municipal nos anos 1990, mais especificamente na virada de 1989/1990. Ao longo dos anos, o evento foi ganhando corpo, com a introdução de atrações musicais, em trios elétricos ou em palcos montados na areia da praia. Em 2014, Santos alcançou o status de possuir a segunda maior queima de fogos de réveillon do Brasil, perdendo apenas para a queima da praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. Foram colocados 19 toneladas de fogos, com tempo de espetáculo pirotécnico de 16 minutos.

Primeiros do ano
A imprensa santista, a partir dos anos 1970, começou a explorar em suas páginas as marcas dos pioneiros do ano novo, alguns de forma positiva e outros de forma negativa, como na edição de 1975 do jornal Cidade de Santos, que estampou na capa a imagem do “primeiro acidente” daquele ano, envolvendo um fusca. O lado bom das manchetes de ano novo eram as notícias sobre os bebês pioneiros, como a pequena Paloma Ballio Vasques, a primeira santista de 1993.

*Texto reproduzido do site Memória Santista