Celso Evora

De olho no coronavírus

Confira a coluna do jornalista Celso Évora

12 de fevereiro de 2020 - 18:50

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Lembro da minha infância quando nossos pais tinham o hábito de levar-nos para receber as principais vacinas contra as doenças mais comuns, como rubéola, sarampo, caxumba, dentre outras enfermidades comuns para a época, que não criava muito alarde nas autoridades quando de um surto em alguma localidade do país.

Agora, surge um novo e temido vírus que tem causado doença respiratória pelo agente coronavírus, com milhares de casos registrados na China e se espalhando pelo mundo. Importante salientar que os coronavírus são uma grande família viral, conhecidos desde meados de 1960, que causam infecções respiratórias em seres humanos e em animais.

Pesquisadores acreditam que o consumo de morcego por chineses na cidade de Wuhan possa ter sido o responsável pela disseminação da doença. Agora, estudos apontam que outro animal selvagem – ainda desconhecido, comercializado no mercado de frutos do mar naquela cidade possa ter sido o hospedeiro intermediário entre morcegos e humanos.

 

Origem

Estudos à parte fica também evidenciado que o progresso tem parte nessa pandemia. A exploração de recursos naturais, desmatamento desenfreado, aterros de rios, poluição marinha, mais gente morando em locais de preservação ambiental, sem oportunidade de moradia digna, foram responsáveis por promover mudanças socioeconômicas profundas nos últimos anos, fazendo surgir doenças emergentes e reemergentes de escala internacional.

É só voltar um pouco no tempo e lembrar do Ebola, que se iniciou em dezembro de 2013 na Guiné, e que ainda afeta outros países africanos, desde que apareceu pela primeira vez, em 1976. No Brasil, a dengue segue sua marcha, agora com a hemorrágica e a febre amarela, em Goiás.

Geralmente, infecções por coronavírus causam doenças respiratórias leves a moderadas, semelhantes a um resfriado comum. Alguns coronavírus podem causar doenças graves com impacto importante em termos de saúde pública, como a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), identificada em 2002 e a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS), identificada em 2012.

 

Pandemia

Até o momento, foram registradas 637 mortes por coronavírus e 31.211 casos confirmados. O governo chinês admitiu que sua reação está sendo “insuficiente”. A Sars, que infectou cerca de 5.300 pessoas em vários países, deixou um total de 774 mortos.

O porto santista é uma porta aberta para a entrada do coronavírus, tendo em vista os inúmeros navios que vêm de várias partes do mundo. Dessa forma, deve-se intensificar campanhas de esclarecimento e proteção contra a doença. Segundo a autoridade portuária, não há casos suspeitos no porto, mas já existem ações preventivas com apoio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Todo o cuidado é pouco. O reforço da rede de serviços de vigilância epidemiológica é peça fundamental para a garantia das condições de enfrentamento dessa doença.