Editorial
Humberto Challoub

Jornalista e Diretor de Redação do Jornal Boqnews. Diretor da Faculdade de Artes e Comunicação da Unisanta

Difícil escolha

22 de setembro de 2014 - 07:30

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O expressivo número de eleitores indecisos registrado nas diversas pesquisas de intenção de voto realizadas até o momento atesta, mais uma vez, que na mesma medida em que as campanhas eleitorais chegam ao fim e aproxima-se o momento de decidir quais candidatos serão merecedores do sufrágio nas urnas, as dúvidas ainda são muitas. Razões para isso não faltam. Além do descontentamento motivado pelo histórico de mazelas inerente à atividade política, o desinteresse torna-se maior pela constatação de que as disputas pelos cargos públicos continuam sendo marcadas por trocas de acusações, agressões e pelo personalismo dos candidatos, especialmente os que concorrem aos cargos majoritários.

Pelo que se viu até aqui, os candidatos deram preferência à tarefa de desconstruir a imagem dos oponentes e à defesa insistente de propostas com maior apelo populista junto ao eleitorado. As proposituras apresentadas estão limitadas, em sua quase totalidade, às questões pontuais e soluções imediatistas, deixando de lado as discussões de maior relevância para alicerçar o futuro da sociedade brasileira, como as reformas política, tributária, administrativa e da Previdência Social.

Assim, temas essenciais para construção das políticas de educação, segurança e saúde pública estão sendo tratados com superficialidade, a partir da apresentação de planos de ações paliativos desprovidos dos fundamentos necessários para oferecer soluções definitivas para os problemas que afetam esses setores há décadas. Não haveria de se esperar por soluções mágicas ou milagreiras, mas sim por iniciativas exequíveis erguidas em bases conceituais consistentes e introduzidas no tempo exigível para a efetiva conquista de resultados positivos. Como sempre, enfatizam-se as questões genéricas, o debate sobre a moral e costumes, a ênfase às picuinhas, em detrimento às temáticas que hoje têm maior relevância e, por isso, exigem a revelação de princípios éticos, competência, visão estratégica e, sobretudo, demonstração explícita de retidão de caráter.

Da mesma forma, é de se lamentar que as alianças e apoios políticos das candidaturas tenham sido forjadas sem qualquer fundamento ou critérios de afinidade partidária ou ideológica. Optou-se pela conveniência momentânea das associações efêmeras, pela junção indiscriminada de interesses que, em algumas situações, revela-se contraditória por reunir em um mesmo palanque desafetos históricos, aliados de última hora interessados tão somente na recuperação e manutenção de espaços de poder.

Sejam quais forem os vencedores, caberá a eles a difícil tarefa de resgatar a altivez dos cargos que ocuparão por meio da conquista da confiança e respeito dos brasileiros. O País somente conseguirá alcançar o desenvolvimento almejado com a união de propósitos e a superação das divergências políticas, que devem ficar restringidas apenas aos períodos das campanhas eleitorais.