Economia circular: solução para o plástico? | Boqnews

Ponto de vista

Martine Perret/ONU Meio Ambiente
13 de agosto de 2021

Economia circular: solução para o plástico?

Tudo é reaproveitado na natureza. Desde o início até o fim da vida, nenhum elemento – animal e vegetal – é desperdiçado na cadeia alimentar. Todos os integrantes do meio são metabolizados de forma dependente para que tudo seja reutilizado, sendo assim, um ciclo.

Este também é o processo da economia circular, de modo que recursos e produtos sejam reutilizados continuamente, retornando ao início da cadeia produtiva. Desde a extração da matéria prima, transformação em produtos, distribuição, consumo e descarte são desenvolvidos de forma sustentável, observando as limitações do planeta, já que, a longo prazo, continuar aderindo ao processo industrial desenfreado não será viável.

Isso porque, como já sabemos, a extração ilimitada dos recursos causa desequilíbrio ambiental, como também serão finitos daqui a algumas décadas. Além disso, o excesso de resíduos descartados diretamente no planeta faz com que potencialize a poluição do ar, terra e água, afetando tanto a saúde pública quanto o meio ambiente.

Por isso, a importância da economia circular que envolve desde a reutilização de materiais – ainda no processo de produção na indústria – até a reciclagem, após o consumo final.

Sistema integrado

A economia circular inclui não só a própria indústria, mas também é necessária a participação de redes de cooperação criando sistemas sustentáveis. Hoje, o sistema é presente em diversas indústrias brasileiras, incluindo a de plástico filme.

Um dos exemplos é a parceria com cooperativas. Uma delas é a Coop Viva Bem, que recicla e reaproveita itens que iriam para o lixo com o foco no descarte sustentável. Assim, empresas adquirem materiais plásticos reciclados vindos da cooperativa e implementam na linha de produção. Vale destacar que os materiais reutilizados não são implementados na linha alimentícia da indústria de plástico filme.

A partir da parceria, é possível ajudar o meio ambiente em dois momentos: deixa-se de adquirir insumos ‘novos’, mitigando a aquisição de novas matérias primas e danos aos recursos naturais. Bem como, é despejado menos lixo no meio ambiente, trabalho feito por meio da reutilização dos materiais.

Descarte ecológico

A solução para conquistarmos maior equilíbrio entre indústria e meio ambiente abrange também a redução do consumo exagerado, evitando assim o alto número de lixo despejado na natureza e, claro, a reciclagem dos materiais.

Com os diversos usos do material plástico, é fácil associá-lo ao montante de resíduos despejados no planeta. Mas, dados comprovam que esta não é bem a realidade. Segundo o gabinete de Estatísticas da União Europeia, Eurotast, as embalagens plásticas representaram 19% do total de resíduos de embalagens descartadas na região. O valor representa a mesma porcentagem comparada com o descarte do vidro e muito abaixo dos 41%, referente aos materiais de papel e papelão.

Entretanto, o Brasil ainda tem muito que avançar no que tange a sustentabilidade. É o que revelou a World Wildlife Fund (WWF), em 2020: o país está em quarto lugar no ranking de produtores de resíduos plásticos no planeta e o grande problema está aqui: do total, apenas 1,28% é reciclado.

Nesse sentido, vale destacar também que o próprio plástico filme PVC pode – e deve – ser reciclado em pontos de coleta seletiva e retornar ao dia a dia. Desta forma, o material volta à rotina em forma de solas de sapato, tapetes, pisos, mangueiras, manoplas e vários outros produtos.

Eliminar não é a alternativa

A economia circular é todo o processo de produção e descarte sustentável. Sendo assim, é a melhor solução para a indústria mitigar os impactos gerados no meio ambiente. Incluindo, sobretudo, a indústria de plástico filme, material responsável por evitar o desperdício de alimentos.

Tal controle e diminuição do descarte desnecessário de alimentos é sustentável no momento em que incentiva o menor uso dos recursos naturais, como água e plantação para a produção de ‘novos’ alimentos, diminuindo os impactos ambientais. E, ao mesmo tempo, contribui para a alimentação de pessoas que não têm refeição diária ou faltam nutrientes na dieta.

Diante disso, a partir do fenômeno crescente em todo o mundo de banimento do plástico, ressalto que banir não é a solução. Dado que os materiais descartáveis são as soluções mais eficazes na higiene e controle de doenças. Podemos analisar o cenário há mais de um ano, no qual a pandemia forçou a população a ter mais controle da higiene.Tempo nos quais hospitais e a população civil mais utilizaram e ainda usam máscaras, além de cateteres e outros materiais descartáveis em ambientes hospitalares, garantido a saúde e qualidade de vida.

Além disso, citando o plástico filme, o material é ideal para embalar e conservar alimentos por muito mais tempo, comparado com outros produtos, como o papel. Visto que o plástico PVC veda por completo o alimento ou tigela, evitando a entrada de patógenos: o que previne uma possível intoxicação alimentar e também o desperdício de alimentos.

Outro ponto é que para higienizar produtos reutilizáveis é necessário mais consumo de água, recurso natural que demanda uso racional.

Logo, é de extrema importância usar os produtos de forma consciente e sem exageros, evitando, assim, o acúmulo desnecessário de resíduos no planeta. Para finalizar, lembro que a economia circular e mais sustentável só pode se concretizar se houver o engajamento de todos: desde a indústria até o consumidor final.

Alessandra Zambaldi é diretora de Comércio Exterior na Alpes. Graduada em Engenheira Química pela Escola de Engenharia Mauá e pós graduada em Negócios Internacionais e Comércio Exterior pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), possui carreira desenvolvida na indústria de plásticos, com forte atuação em projetos de exportação, com vendas de plásticos para embalagens para o mercado externo.

Alessandra Zambaldi
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