Ponto de vista
Mais atenção aos legislativos
Humberto Challoub
Faltando poucos dias para a realização do primeiro turno das eleições gerais, o pleito deste ano reveste-se de extrema importância diante do preocupante momento político-institucional vivido no Brasil.
Polarizadas por posições radicais, as campanhas mais uma vez pouco contribuíram para o entendimento pleno dos projetos e programas defendidos pelas candidaturas, porém foram, em sua grande maioria, eficientes para alimentar sentimentos de contrariedade e rejeição.
Assim, habitualmente relegada ao segundo plano diante da polarização que se estabeleceu na disputa pela Presidência da República, a escolha dos futuros deputados e senadores representará o caminho que a sociedade brasileira indicará para dotar o País com as legislações necessárias visando, além de favorecer a melhoria da qualidade de vida da população, recuperar o equilíbrio entre os poderes constituídos.
Há muito o Congresso não consegue evitar a ampliação do desgaste de sua imagem perante a opinião pública, em razão dos muitos episódios que demonstraram total desprezo à probidade que deveria guiar a atuação legislativa, oferecendo assim justificativas para que a ingerência do Poder Judiciário se tornasse comum e aceita com complacência por muitos.
Relegada ao segundo plano diante da polarização que se estabeleceu na disputa presidencial, a escolha dos futuros deputados e senadores representará o caminho que a sociedade brasileira indicará para dotar o País com as legislações necessárias visando, além de favorecer a melhoria da qualidade de vida da população, recuperar o equilíbrio entre os poderes constituídos.
Além do restabelecimento das funções fiscalizadoras e de controle aos excessos cometidos, aos legislativos cabe a missão recuperar os valores imprescindíveis que asseguram o respeito aos princípios constitucionais consagrados na Carta Magna de 1988, que asseguraram aos brasileiros direitos às liberdades individuais, de livre expressão, de credo, das opções de gênero e dignidade humana.
Dessa forma, mais do que nunca se impõe a premente necessidade de uma maior participação dos eleitores na escolha dos representantes que irão ocupar cadeiras na Câmara Federal e no Senado, a partir do melhor conhecimento de suas propostas e históricos de atuação.
Ao mesmo tempo, será necessário exigir dos parlamentares o compromisso de manter uma atuação dirigida à formulação de propostas voltadas à construção de um modelo político-institucional atualizado às novas demandas políticas e, sobretudo, que venham estabelecer critérios mínimos para qualificar o aceite dos indicados a ocupar os principais cargos do País.
Não há de se esperar por milagres ou por soluções simplistas para a resolução dos graves problemas que afetam as famílias brasileiras, mas ainda é por meio do exercício do voto democrático a melhor maneira de aprimorar um regime que, na prática, tem produzido poucos benefícios ao conjunto da população.