Ponto de vista
Escolha responsável
Humberto Challoub
Na história recente, o pleito do próximo domingo (4) representará um dos capítulos mais importantes já realizados no País.
Não somente pela disputa ideológica configurada pela polarização de posições antagônicas ou de caráter programático, mas sobretudo pelo valor moral e aspectos de conduta que definem as candidaturas à disposição para a escolha dos eleitores.
Diante de tantos episódios envolvendo atos de corrupção, práticas autoritárias e omissão de lideranças políticas, ocorridos nas três esferas do poder constituído, fica evidente a urgente necessidade de revisão do verdadeiro e justo papel que os Legislativos, Executivo e Judiciário devem cumprir na sociedade brasileira.
Para tanto, ao eleitor caberá a responsabilidade de optar pelos candidatos comprometidos em promover as reformas que o Brasil precisa para garantir a estabilidade política e a segurança jurídica necessárias visando alcançar melhores níveis de desenvolvimento econômico e social.
Há muito temos assistido a negligência legislativa, a incompetência de governos e a cumplicidade de um judiciário brasileiro extremamente suscetível ao estabelecimento de conluios para assegurar benesses próprias e salvaguardar os interesses de sua clientela.
A responsabilidade de optar pelos candidatos comprometidos em promover as reformas que o Brasil precisa para garantir a estabilidade política e a segurança jurídica necessárias visando alcançar melhores níveis de desenvolvimento econômico e social.
Assim, a realização deste pleito eleitoral, dedicado à eleger presidente da República, governadores, deputados federais e estaduais, e à renovação de parte dos senadores, representa boa oportunidade para se exigir e cobrar dos candidatos, e de seus respectivos partidos, compromissos pontuais e efetivos.
Não há mais como aceitar, de forma inerte e passiva, a usurpação e degeneração dos conceitos éticos e morais que devem reger as nações, sob o risco de transformar o clientelismo, desmandos e a corrupção em traços definitivos da nossa cultura política.
Ressalte-se que somente o comparecimento às urnas não será o bastante para a promoção das mudanças desejadas.
Haverá a necessidade de maior participação da sociedade civil, representada pelas entidades autônomas existentes nos segmentos sociais, culturais e econômicos, na formulação de propostas direcionadas ao estabelecimento de novos paradigmas que ajudem na construção de um regime institucional capaz de realmente atender as necessidades da população.
Diante do atual cenário de descrença e desalento, aos futuros eleitos caberá, portanto, a difícil tarefa de resgatar a altivez dos cargos que irão ocupar, atuando para reconquistar a confiança e o respeito dos brasileiros, preservando assim o estado democrático das ameaças daqueles que flertam com o autoritarismo e sobrepõem ao bel prazer os princípios que regem nossa Constituição.