Em Santos, comer é luxo | Boqnews

Ponto de vista

30 de janeiro de 2014

Em Santos, comer é luxo

Santos se tornou uma das cidades mais caras do país quando
o assunto é comida. E o assalto à garfo e faca se tornou mais evidente durante
o verão. Sedentos por faturar em cima dos turistas, o comércio resolveu
multiplicar os índices inflacionários locais.

Uma água de coco na orla da praia saltou de R$ 3 para R$ 5.
Um suco nos carrinhos na areia custava, em média, R$ 6 na semana passada. Hoje,
sai por R$ 8. Com tanta ganância, os ambulantes poderiam informar que o
empréstimo das cadeiras e dos guarda-sóis está embutido no preço.
         

Nos quiosques, os preços indicam aos turistas e moradores
que eles se encontram Saint-Tropez ou nas Ilhas Canárias. No canal 6, uma
porção de frango à passarinho custa R$ 50. A tradicional isca de peixe alcança
R$ 79, o dobro do que é cobrado em botecos. A porção de porquinho não sai por
menos de R$ 74. Deve ser a folhinha de alface que decora o prato.

A
porção de calabresa, mais popular, custa R$ 44, um terço mais caro do que em
bares e cinco vezes o preço de custo. Entre as bebidas, a garrafa de cerveja chegou
a ser vendida em restaurantes por R$ 30.

É óbvio que os comerciantes sentem a necessidade de
compensar a baixa temporada, mas se esquecem de que os preços abusivos assustam
também os moradores. Muitos já se organizam, por exemplo, nas redes sociais e
propõem boicote ao comércio local por meio de reuniões em casa e compras de
produtos em supermercados.

O comportamento de ambulantes e comerciantes reforça dois
pontos. O primeiro é a mentalidade de veraneio, e não de cidade turística. A postura
não é prerrogativa do comércio santista. Na década passada, por exemplo, a
Prefeitura de Praia Grande precisou intervir para que os quiosques reduzissem
preços na temporada. O símbolo do abuso, na época, era a casquinha de siri.  

A cobrança abusiva é um grão de areia na fragilidade das
políticas públicas de turismo. Políticas regionais, muito mais profundas do que
uma linha de ônibus – quase sempre com baixa ocupação – que percorra os pontos
turísticos da suposta região metropolitana. As cidades ainda se comportam como
estâncias de veraneio, incapazes de segurar o visitante durante o ano todo,
seja por conexões com empresas de pacotes, seja com diálogos com instituições
políticas superiores.

O segundo ponto é que Santos ficou cara para comer e beber,
com sol ou chuva, com ou sem temporada. O Boqnews divulgou, em março de 2013,
pesquisa feita pelo Instituto Análise, por encomenda da Associação das Empresas
de Refeição e Alimentação Convênio para o Trabalhador.

Na
pesquisa, Santos é a mais cara do Estado de São Paulo na categoria
self-service. Aqui, a refeição custa, em média, R$ 21,71. No Brasil, Santos só
perde para o Rio de Janeiro, onde a refeição sai por R$ 22,65.

Santos
fica em segundo lugar na categoria à la carte, atrás somente da Grande São
Paulo. Mas a diferença não paga o café: R$ 1,43. A média de preço das
refeições, independentemente de categorias, é superior a do Estado de São
Paulo. Em Santos, R$ 25,67. Além do preço, ainda prevalecem as queixas quanto ao
atendimento. São comuns as reclamações a respeito do serviço prestado. Como me
disse uma consumidora: “eles acham que estão me fazendo um favor.”

É
essencial estreitar o diálogo entre Prefeitura, Sindicato de Hotéis, Bares e
Restaurantes, ambulantes e permissionários de quiosques. Afinal, tanto
ambulantes quanto quiosqueiros recebem autorizações e concessões públicas para
trabalhar. Uma decisão precisa ser tomada antes do Carnaval, daqui um mês, e
antes da Copa do Mundo, em junho.

Deixamos
de ser a região dos farofeiros, mas as marcas do veraneio infelizmente permanecem.
A neurose de faturar em curto prazo, na prática, só afugenta quem veio para
gastar. A ganância colabora, assim, para a multiplicação de isopores e coolers
como parceiros de cadeiras e guarda-sóis.
 

Da Redação
A opinião manifestada no artigo não representa, necessariamente, a opinião do boqnews.com

Quem Somos

Boqnews.com é um dos produtos da Enfoque Jornal e Editora, que edita o Boqnews, jornal em circulação em Santos, no litoral paulista, desde 1986.

Fundado pelo jornalista Jairo Sérgio de Abreu Campos, o veículo passou a ser editado pela Enfoque desde 1993, cujos sócios são os jornalistas Humberto Challoub e Fernando De Maria dos Santos, ambos com larga experiência em veículos de comunicação e no setor acadêmico, formando centenas de gerações de jornalistas hoje atuando nos mais variados veículos do País e do exterior.

Seguindo os princípios que nortearam a origem do Jornal do Boqueirão nos anos 80 (depois Boqueirão News, sucedido pelo nome atual Boqnews) como veículo impresso, o grupo Enfoque mantém constante atualização com as novas tendências multimídias garantindo ampliação do leque de conteúdo para os mais variados públicos diversificando-o em novas plataformas, mas sem perder sua essência: a credibilidade na informação divulgada.

A qualidade do conteúdo oferecido está presente em todas as plataformas: do jornal impresso ou digital, dos programas na Boqnews TV, como o Jornal Enfoque - Manhã de Notícias, e na rádio Boqnews, expandido nas redes sociais.

Aliás, credibilidade conquistada também na realização e divulgação de pesquisas eleitorais, iniciadas em 1996, e que se transformaram em referência quanto aos resultados divulgados após a abertura das urnas.

Não é à toa que o slogan do Boqnews sintetiza o compromisso do grupo Enfoque com a qualidade da informação: Boqnews, credibilidade em todas as plataformas.

Expediente

Boqnews.com é parte integrante da Enfoque Jornal e Editora (CNPJ 08.627.628/0001-23), com sede em Santos, no litoral paulista.

Contatos - (13) 3326-0509/3326-0639 e Whatsapp (13) 99123-2141.

E-mail: [email protected]

Jairo Sérgio de Abreu Campos - fundador / Humberto Iafullo Challoub - diretor de redação / Fernando De Maria dos Santos - diretor comercial/administrativo.

Atenção

Material jornalístico do Boqnews (textos, fotos, vídeos, etc) estão protegidos pela Lei de Direitos Autorais (Lei 9.610 de 1988). Proibida a reprodução sem autorização.

Este site usa cookies para personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Conheça a nossa Política de Cookies.