Editorial
Humberto Challoub

Jornalista e Diretor de Redação do Jornal Boqnews. Diretor da Faculdade de Artes e Comunicação da Unisanta

A encruzilhada da educação

15 de setembro de 2014 - 07:24

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Mais uma vez a divulgação de estudos que avaliam a educação no Brasil revelaram um quadro preocupante, ressaltando a necessidade urgente de ações duradouras para dotar o País com a qualidade de ensino necessária visando seu desenvolvimento social e econômico.

De acordo com o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), divulgado pelo Ministério da Educação, o setor superou as metas propostas para serem alcançadas em 2013 no ciclo inicial do Ensino Fundamental (de 1º ao 5º ano), porém ficou abaixo da meta projetada no ciclo final do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano) e no Ensino Médio.

Um outro estudo, elaborado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE) – organização internacional composta por países que visam fornecer uma plataforma para comparar políticas econômicas, solucionar problemas comuns e coordenar políticas domésticas e internacionais – divulgado durante a semana, ajuda a explicar as razões do desempenho abaixo da média: o valor gasto com dinheiro público por aluno brasileiro foi de US$ 2.985 (R$ 7.462), o que representa um terço da média dos 34 países integrantes OCDE, que é de US$ 8.952 (R$ 22.380).

É o segundo valor mais baixo entre todos os países da organização. O Brasil só tem um gasto por aluno maior do que a Indonésia, e fica abaixo da Turquia, México, Hungria, Eslováquia, Chile, Israel, Portugal e Coreia do Sul, entre os que também estão abaixo da média. No contrafluxo, o país com maior investimento por aluno é os Estados Unidos, com investimento superior a US$ 15 mil (R$ 37,5 mil), seguido por Áustria, Holanda, e Bélgica.

Esse indicadores reafirmam a urgente necessidade de uma profunda revisão dos métodos e fórmulas de desenvolvimento da educação utilizados até aqui. Até o momento, como únicos gestores, as administrações públicas, com raras exceções, foram negligentes e incompetentes na condução de políticas educacionais consistentes e contínuas, de forma a consolidar um sistema de qualidade renovável.

Assim, torna-se evidente que, além de melhorias das condições físicas e aparelhamento de nossas escolas com modernas tecnologias, a formação de uma nova geração de professores qualificados e estimulados é o maior desafio imposto nesse momento, pois isso é o que garantirá a melhoria que se almeja.

Priorizar a educação não pode ser apenas projeto de um governo, mas uma decisão compartilhada por todos os segmentos que compõem a sociedade, para que assim esteja assegurado os benefícios desejados às futuras gerações.

Portanto, mais do que elevar o nível de compreensão dos alunos do ensino de base, aperfeiçoar e oferecer melhores condições estruturais e salariais aos professores resultará, por consequência, em uma significativa melhoria da formação ética e moral das futuras gerações de brasileiros, hoje influenciados negativamente pelo descaso das autoridades públicas e sem qualquer referência que lhes dêem parâmetros para a construção de uma sociedade alicerçada em conceitos de eficiência, culto à sabedoria e de respeito aos valores de humanidade e cidadania.