Editorial
Humberto Challoub

Jornalista e Diretor de Redação do Jornal Boqnews. Diretor da Faculdade de Artes e Comunicação da Unisanta

Escolha da consciência

25 de outubro de 2014 - 15:05

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Neste domingo (26), os eleitores brasileiros voltam às urnas para decidir, em segundo turno, se reelegem Dilma Rousseff (PT) ou elegem Aécio Neves (PSDB) para comandar o País pelos próximos quatro anos. Sem dúvida, não será uma decisão fácil, tendo em vista o grande equilíbrio apontado pelas pesquisas de intenção de voto e, sobretudo, pela superficialidade dos conteúdos programáticos apresentados pelas propagandas eleitorais, resumidas a ataques mútuos e à apresentação de propostas rasas ou termos de intenções inacabados.

Mais do que dedicar tempos generosos ao trabalho de desconstrução do adversário, teria sido de maior valia se os postulantes ao mais alto posto da Nação tivessem reservado igual atenção à elucidação detalhada dos projetos e políticas públicas que pretendem implementar visando o desenvolvimento social e econômico do País, especialmente para atendimento aos milhares de brasileiros que ainda hoje são subtraídos de seus direitos fundamentais. Da mesma forma, deixaram de lado valores éticos e morais sem os quais não poderão exigir o respeito que o cargo enseja. No entanto, para a grande maioria dos eleitores ficou o entendimento – e o sentimento – de que, mais uma vez, estará sendo feita a escolha do mal menor, diante da obrigatoriedade do comparecimento às urnas.

A preconizada divisão de forças políticas, constatada a partir dos resultados das pesquisas realizadas nas várias regiões do Brasil, não representa a revelação de uma posição antagônica dos brasileiros. Ela reflete tão-somente os efeitos produzidos pelo uso recorrente das retóricas eleitorais guiadas por ações do marketing, que objetivaram, a todo custo, dar contornos maniqueístas a uma disputa totalmente desprovida de qualquer cunho ideológico.

O País não está dividido entre pobres e ricos, em letrados e não letrados, em informados e desinformados. O resultado das urnas será apenas a manifestação de um desejo de continuidade ou mudança, a prática cidadã e soberana de, com livre-arbítrio, fazer uso da consciência individual na busca do melhor para o coletivo. Espera-se, assim, que o vencedor cumpra a missão de estabelecer novos paradigmas à administração pública para torná-la eficiente e capaz de atender as demandas da população, em todas as áreas de sua responsabilidade e para todos os segmentos que compõem a sociedade brasileira.

É de se esperar também que, além da presença nas urnas, a população adote uma postura mais participativa nas decisões do futuro governo, por meio do engajamento nas entidades de classe e organismos civis de representação. Exigir a fiel execução dos planos administrativos, cobrar total transparência no uso dos recursos públicos e, sobretudo, fiscalizar com rigor os atos e ações do futuro mandatário eleito representam, juntamente com o exercício do voto, a única fórmula realmente capaz de moralizar, de forma eficaz e perene, o atual regime político.