Ponto de vista
Esperança na humanidade
Adilson Luiz Gonçalves
Um conhecido religioso, que normalmente usa humor em suas pregações, afirmou que vivemos tempos estranhos, em que filhos internam seus pais em casas de repouso, deixam seus filhos em creches e passeiam com seus cães em parques.
Aliás, passeiam em shopping centers e outros locais públicos fechados.
Também ouvi que, no tempo de meus pais e avós, a maioria das famílias era numerosa, com vários filhos.
A minha geração teve dois filhos, no máximo. A atual tem animais de estimação, que trata como “filhos”. Entendo essa afinidade, mas não certos exageros.
Vi um vídeo no qual um pai tira o filho de um brinquedo, para que seu cachorro o usasse. Também vi um pai carregando o filho no colo, e o cachorro no carrinho de bebê.
A relação entre seres humanos e animais é histórica, permeada por amizade e lealdade. Ulisses que o diga.
No caso de cães, sua atuação como protetores, guias, na caça, no salvamento e como terapia para idosos e solitários, em geral, tem relatos emocionantes.
O problema é quando esse relacionamento se torna patológico e os animais passam a ser tratados como seres humanos, em alguns casos, até melhor do que eles.
As calçadas estão repletas de fezes de animais, bem longe da casa onde vivem.
Dizem que o convívio com animais humaniza o ser humano. Às vezes, creio que é o contrário e, considerando o atual estágio dessa relação, a humanidade é o que menos importa.
Vejo poucas pessoas a recolhê-las. No caso de parques e outros locais ao ar livre, o risco de contaminação de usuários, inclusive crianças, é preocupante.
Em ambientes públicos fechados, já vi “totós” urinarem e defecarem sem que seus condutores sequer avisassem a administração para limpar. E quem alerta corre o risco de ser mordido… pelo “tutor”!
Há quem permita sua presença em restaurantes e praças de alimentação de shoppings centers; porém, eles não comem lá.
Para piorar, ficam latindo o tempo todo sem que seus acompanhantes tomem qualquer providência, talvez por já estarem acostumados com o barulho.
Se fosse uma criança, provavelmente o pai ou a mãe a pegaria no colo ou sairia do recinto, mas os “pets” tudo podem, e há os que defendem seus “direitos” mais do que os de seres humanos.
Por que os levam a esses lugares? Por que obrigam os outros a aturar sua conveniência?
Dizem que o convívio com animais humaniza o ser humano. Às vezes, creio que é o contrário e, considerando o atual estágio dessa relação, a humanidade é o que menos importa.
Isso me faz lembrar da música de Eduardo Duzek: “Seja mais humano! Seja menos canino! … senão, um dia desses você vai amanhecer latindo!”.
Sei que este texto pode gerar reações negativas de algumas pessoas. Podem me julgar “insensível”.
Só que empatia, solidariedade e respeito devem ser recíprocos. E nem só de direitos e individualismos vive uma sociedade que almeja ser equânime.
Por isso fico esperançoso quando vejo uma mulher grávida, mães e pais passeando com seus filhos, levando-os no colo ou em carrinhos de bebê.
Isso me renova a esperança na humanidade!