Arte de Conviver
Laercio Garrido

Professor universitário e escritor.

A experiência

29 de abril de 2015 - 14:00

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Existe um paradigma errado sobre o verdadeiro significado da experiência. As pessoas confundem a qualidade da experiência com o tempo de trabalho. Ela costuma ser mensurada pelo número de anos de vivência em determinado cargo ou profissão.Muitos acreditam que o tempo é a única medida para identificar um grau elevado de experiência.

Dois aspectos essenciais são relegados a um plano inferior de forma incorreta. A vontade, esforço e capacidade de aprendizagem do ocupante com as situações que vivencia e a variabilidade dessas situações ao longo do tempo. A característica preponderante de uma profissão pode ser a rotina, o que vai na contramão do desenvolvimento de uma larga experiência. “Para aquele que só conhece o martelo, todos os problemas são pregos”.

Por outro lado, as atividades de um trabalho podem variar constantemente o que favorece o crescimento da experiência. Por isso, se afirma que geralmente “25 anos de experiência podem simplesmente representar 25 vezes a experiência de 1 ano”.

Alguém pode dominar profundamente os princípios teóricos de determinada tecnologia, mas ser “burro de pai e mãe” em sua aplicação prática. Um indivíduo pode reunir grande experiência à custa de longos anos de tentativas e erros, mas desconhecer as causas conceituais do que observa na prática.

A forma mais adequada para a consolidação da experiência acontece quando a pessoa consegue correlacionar os princípios teóricos adquiridos pelo estudo com suas aplicações na prática. Desta maneira, ela irá compreender com maior propriedade e rapidez os fenômenos observados, sabendo analisar suas causas e efeitos.

É muito comum no campo pessoal ou profissional a presença de três tipos de pessoas que se diferenciam basicamente pelo nível de experiência: o ingênuo, o “sabe tudo” e o sábio.

O ingênuo, egresso recentemente da faculdade tem elevado quociente de inteligência racional e bons conhecimentos teóricos. É imaturo, inexperiente e não tem consciência de suas limitações. Deixa-se dominar facilmente pela ansiedade e arrogância, metendo, às vezes, “os pés pelas mãos” sem saber onde e porque errou.

O “sabe tudo” é o ingênuo que já tem uma razoável experiência e a certeza de que conhece tudo melhor do que ninguém, não tendo mais nada a aprender. A falta de humildade e o desconhecimento das regras da inteligência emocional bloqueiam o seu aprendizado com os próprios erros e os erros dos outros. A evolução de sua experiência, principalmente comportamental, é limitada e ele fica estagnado profissionalmente.

O sábio representa aquele que é humilde o suficiente para nunca parar de aprender, seja por meio da aquisição de novos conhecimentos teóricos ou com a experiência de suas decisões.

Os indivíduos precisam buscar continuamente seu crescimento pessoal e profissional através das seguintes regras:

Entender que o conhecimento não substitui a experiência

Ter a paciência e humildade para percorrer o seu caminho sem dar o “passo maior do que a perna” e sem subestimar nem superestimar sua experiência.

Compreender que a conquista da experiência não surge da noite para o dia. Ela tem um preço, que muitas vezes é elevado. O esforço, a dedicação e a sabedoria serão utilizadas muitas e muitas vezes, com erros e acertos, para a consecução das metas esperadas.

Aprender com as experiências bem sucedidas, mas não fugir das experiências negativas, procurando explorar ao máximo o que e porque não deu certo.