Ponto de vista
Falência moral dos poderes
Humberto Challoub
As revelações contidas no relatório da Polícia Federal no curso das investigações do inquérito que apura fraudes praticadas pelo Banco Master, reunindo diálogos mantidos pelo banqueiro Daniel Vorcaro com relevantes autoridades públicas do País – em especial o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes -, são novas indicações que se juntam a outros fortes indícios já revelados no curso do processo, não deixando dúvidas sobre o conflito de interesses e a prática da prevaricação nas altas esferas dos poderes constituídos.
Difícil acreditar que diante de tantas suspeições invocadas nos documentos da Polícia Federal existam argumentos plausíveis que possam justificar as relações espúrias envolvendo aqueles que deveriam ter condutas exemplares no cargo que ocupam.
A constatação do tráfego de influência mantido por meio da distribuição de benesses, contratos milionários e concessão de favores visando garantir proteção à vista da Justiça, se soma aos casos que envolvem o roubo aos aposentados no INSS, aos lobbies atuando no gabinete presidencial e tantos outros episódios de corrupção que têm maculado o cenário político-institucional.
Assim, mais do que nunca, é preciso dar total transparência aos resultados das investigações e aos trâmites do processuais de todos esses casos, para que envolvidos em atos criminosos sejam exemplarmente punidos e destituídos das funções que exercem na atividade pública, como forma restabelecer minimamente a confiança da sociedade brasileira.
Se impõe a necessidade de, nas próximas eleições, eleger candidatos comprometidos com a tarefa de recuperar valores morais e promover as reformas que o País tanto espera e precisa, na qual, sem dúvida, se inclui a revisão da legislação e dos princípios que norteiam os poderes constituídos.
O atual cenário de descrença suscita o questionamento sobre a real serventia de se manter um sistema político e institucional nos moldes em que ele está concebido, sobretudo quando considerado seu custo e os benefícios reais que proporciona à população.
Ao Congresso Nacional cabe, nesse momento, servir de agente de intermediação visando corrigir distorções com a adoção de medidas que redirecionem o País para um ambiente democrático saudável.
Também se impõe a necessidade de, nas próximas eleições, eleger candidatos comprometidos com a tarefa de recuperar valores morais e promover as reformas que o País tanto espera e precisa, na qual, sem dúvida, se inclui a revisão da legislação e dos princípios que norteiam os poderes constituídos.
Da mesma forma, sem uma efetiva participação da sociedade civil, mobilizada por meios das associações e entidades de classe, dificilmente será possível alterar o quadro atual.
A participação nos regimes democráticos exige do cidadão muito mais do que somente o exercício do voto, caso se almeje realmente o progresso e as melhorias sociais que eles podem produzir