Ponto de vista
Fome de Bola
O continente americano está com a bola toda nesta Copa do Mundo. Escrevo este texto ainda no aguardo da definição das 16 seleções classificadas para as oitavas de final, mas um dado importante se verifica neste Mundial: a confirmação nesta fase de sete seleções como Chile, Colômbia, Brasil, México, Argentina, Uruguai e Costa Rica.
E esse ataque americano pode aumentar para oito se confirmar vaga na segunda fase os Estados Unidos, um feito histórico jamais visto neste torneio.
O sucesso de algumas dessas equipes no maior torneio de futebol do planeta também se estende para a economia mundial. Chile, México e Colômbia estão batendo um bolão e adotaram um esquema tático cujos princípios básicos são a consolidação da democracia, administração pública transparente, a economia de livre mercado e investimentos em serviços públicos.
Há pelo menos três anos, a economia desses quatro países cresce mais do que o Brasil, numa taxa média de 5%. Um recente relatório mundial reduziu a projeção de crescimento da economia brasileira neste ano para 1,8%, numa trajetória mista de crescimento moderado e alta da inflação.
Projeção
Enquanto o Brasil atua de forma pragmática, nossos hermanos arriscam jogadas mais ousadas. Podemos citar a Colômbia, que depois de tirar o poder do narcotráfico viu o setor petrolífero crescer 18% e receber bilhões de dólares em investimento. O Peru, outro país vizinho, tem a economia com o maior crescimento de toda a América Latina.
O Chile é o caso mais antigo de sucesso. Nosso adversário nas oitavas de final da Copa, merece atenção especial não só no campo, mas, pelos seus bons indicadores econômicos, resultado de um consenso político nas propostas de controle fiscal, administração pública transparente e a prioridade em educação e melhorias nos serviços públicos.
Triunfo
O êxito desses poucos países, que transformou o mercado latino-americano numa mina de oportunidades, pode perfeitamente ser comparado com o que acontece nas nove cidades que compõem a região da Baixada Santista.
Santos, cidade-pólo, é modelo-chave no ranking de crescimento econômico da região e exemplo a ser seguido. É a que mais corre atrás da bola para receber recursos públicos estaduais e federais e, dessa forma, a atual administração municipal tem conseguido fazer sair do papel projetos estruturantes que farão a cidade crescer sem perder a sua tradicional qualidade de vida.
As obras de mobilidade urbana, como o VLT, a nova entrada da Cidade, os túneis Santos-Guarujá e Zona Noroeste, além da saúde, como o novo Hospital de Clínicas, antigo Estivadores; e a aposta em investimentos públicos e privados nas áreas de educação, habitação, assistência social, dentre outros, também contribuirá para o desenvolvimento metropolitano, trazendo mais oportunidades para a população da região, cada vez mais exigente por uma demanda maior de serviços públicos de qualidade e de melhorias em infraestrutura urbana.
Os exemplos estão aí. Basta fazer o jogo bem feito!