Frio extremo no hemisfério norte e o aquecimento global | Boqnews

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06 DE FEVEREIRO DE 2026

Frio extremo no hemisfério norte e o aquecimento global

Lufe Bittencourt

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A onda de frio extremo que fustigou os EUA, em janeiro de 2026 (inverno no Hemisfério Norte), afetou mais de 200 milhões de habitantes, e fora a mais severa em 40 anos, com temperaturas abaixo dos 35 graus Celsius negativos e grandes volumes de neve em algumas regiões.

Começou nas Montanhas Rochosas e se espalhou pela porção continental até a Costa Leste e o sul da nação.

Em Nova Iorque, o Central Park quebrou o recorde de precipitação de neve em 121 anos.

O Canadá, igualmente, enfrentou temperaturas extremamente baixas e nevascas recordes, atingindo grande parte do leste do país, incluindo Ontário e Quebec (com temperaturas de – 40°C).

No extremo leste da Rússia, na Península Kamchatka, ocorreu a maior nevasca em 60 anos.

Já na capital, Moscou, a queda de neve fora a maior registrada em 203 anos.

Os negacionistas climáticos de plantão afirmam que esse frio intenso é a prova cabal da não existência do aquecimento global (como o presidente dos EUA, Donald Trump, novamente, declarou), uma invenção dos “comunistas”, com o intuito de impedir o progresso, e, mesmo que pareça um paradoxo, é justamente devido a elevação da temperatura média da Terra (com amplo embasamento científico), que levou a ocorrência desse episódio climático extremo.

E não somente se manifestando através de ondas de calor, como a que aconteceu em final de dezembro no Brasil, e que coincidiu com o começo do verão astronômico no Hemisfério Sul do planeta, em 21 de dezembro de 2025 às 12h03, mas, com o surgimento de ondas de frio, o que demonstra, de forma inequívoca, que há um desequilíbrio no sistema climático da Terra.

Existe um fenômeno denominado, vórtice polar Ártico, que é uma corrente de ventos fortes que confinam o ar muito frio no polo norte (da mesma forma que acontece no polo sul, na Antártida), e com a elevação das temperaturas da Terra, primordialmente no Ártico (evento conhecido como amplificação ártica), que se aquece quatro vezes mais do que no restante do planeta, faz com que os padrões de circulação da atmosfera se alterem, e esse vórtice polar, se enfraqueça e se distorça, e termine por se deslocar para regiões geográficas mais ao sul, em latitudes médias das massas terrestres do Hemisfério Norte, como aconteceu recentemente.

Ademais, os oceanos estão muito quentes, o que significa aumento de evaporação, e, por extensão, mais energia na atmosfera (uma vez que ambos interagem entre si), e como esse sistema se retroalimenta, resultará, doravante, em mais ocorrências desses episódios de frio severo no inverno no Hemisfério Norte, quebrando recordes históricos (como mostraram os registros oficiais divulgados), caso nada seja feito para mitigar as mudanças climáticas em curso na Terra.

 

Luiz Fernando Pettinati Homem de Bittencourt (Lufe Bittencourt) é geógrafo.  E-mail: [email protected] – LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/lufe-bittencourt-930b855a/

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