Estação X
Diego Corumba

Jornalista especializado em games

H.A.T.E.R.S

Ter o mundo inteiro na palma de nossas mãos é um benefício que hoje não vivemos sem, mas também possui um revés: a quantidade de ódio exposto. Qual a razão de deixarmos o ambiente virtual mais tóxico? Leia mais na Estação X, com o jornalista Diego Corumba

21 de dezembro de 2017 - 18:24

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Assim como comentei na última semana, após mudar de casa, fiquei um tempo sem internet e retomamos a rede após duas semanas sem o menor contato com o universo online.

Quando retomamos, foi aquela correria para atualizar jogos e videogames, checar WhatsApp e Facebook entre outras coisas (leia como “correr com as séries”).

Algo que tem me deixado reflexivo é a quantidade de ódio e frieza que voltaram a cair sobre mim. Há pessoas que reclamam das mensagens de “bom dia” no grupo de família (também abomino, estamos juntos nesse barco), porém existe algo muito pior e tóxico que percebo dominar tudo: os “haters”.

“Hater” é natural do inglês, proveniente de “hate” (ódio) e significa alguém que odeia algo (e manifesta esse sentimento para todos ouvirem com insistência).

Em todos os grupos, entre amizades que vejo nas redes sociais, as reações são as mesmas: não gostei de algo, vou atacar aquele material com todas as forças.

Daí são diversas vertentes, desde aquele pessoal que abre textões de críticas a um jogo de futebol (?), ao pessoal que não gosta de determinadas decisões em filmes, desenhos ou seriados (???) e até mesmo sobre livros ou quadrinhos (?????).

O problema começa quando essa figura não se vê sozinha. Isolada, é totalmente inofensiva.

Basta uma atualização na página que “some” no meio de milhares de postagens. Mas em conjunto, vemos um teor complicado de lidar nas redes.

 

Como diz a D.Va, em Overwatch, ” 😉 (Um beijo pros fãs) “

 

Centrando na parte dos games, os haters estão em todos os lados.

Não digo como nos casos recentes de Star Wars Battlefront II e Need for Speed Payback, que existem até processos em torno da Electronic Arts por suas ações de caráter duvidoso (o caso das Loot Boxes, comentarei mais para frente).

Eu digo sobre um jogo do Xbox One ser anunciado e virem milhares de pessoas gritando “XBOX NÃO TEM EXCLUSIVO” (2017 de fato foi um ano difícil para a Microsoft); sobre um recurso de PS4 sair e ler “OS JOGOS DA PLAYSTATION PLUS SÃO HORRÍVEIS” (até concordo…); um lançamento de videogame da Nintendo e ouvir um “A NINTENDO VAI FALIR”.

Imagine uma comunidade em guerra: isso que nós gamers lidamos.

Vou dar outros exemplos: Wolfenstein II: The New Colossus (PS4/Xbox One) foi lançado com jogabilidade apenas offline, sem estar conectado.

Ganhou diversas críticas positivas, é um dos melhores jogos de tiro do ano (posso confirmar, estou jogando), é de uma maestria técnica que somente a nova geração poderia oferecer.

Após ler as críticas, abaixe aos comentários e veja o ódio destilado em “SEM ONLINE? NUNCA VOU COMPRAR”.

Podem apostar que são os mesmos que reclamam por Battlefield e Call of Duty darem um foco extremo ao jogo em rede e ter um modo história de cerca de 5 horas.

Quando possui, não querem. Quando não tem, querem. Ainda que tivesse ambos, tenham certeza que veríamos reclamações.

 

 

Apesar das reclamações, Wolfenstein II: The New Colossus, além de ser um sucesso de críticas ganhou o prêmio como Melhor Jogo de Ação de 2017.

Comunidades divididas

Aí entram as “comunidades” divididas em consoles: Sonistas (PlayStation), Caixistas (Xbox) e Nintendistas (Nintendo) que enchem os comentários uma das outras de reclamações, sendo que muitos nem possuem tais aparelhos ou joguem.

Há as divisões por jogo: Battlefield X Call of Duty; FIFA X Pro Evolution Soccer; Injustice/Mortal Kombat X Street Fighter.

Até existem divisões dentro da MESMA linha de games Pokémon “Old School” (primeiras versões) X Pokémon “Millenials” (jogos recentes).

Se você não joga e leu até aqui, deve achar um absurdo. Imagina para quem joga. Referenciando um personagem que gosto muito de um filme que curti bastante, “temos muito em comum.

O mesmo ar, a mesma Terra, o mesmo céu.

Talvez, se começássemos a olhar o que temos de semelhante ao invés de sempre estar procurando por diferenças…bom, quem sabe?”.

Desculpem a sinceridade, mas MEU, precisa de um gato falante que faz parte de uma gangue de criminosos de um desenho animado para mostrar que até ele pode ser mais humano que muita gente que conheço?

Desculpem a sinceridade (parte II), mas vocês sabem que esse gato falante está certo.

Poderíamos refletir mais sobre nossas ações, fazer alguma diferença, mas ao contrário disso, estamos propagando ódio.

Tempo perdido

A cada vez que eu, você ou qualquer pessoa fazem isso, é tempo perdido que poderia estar jogando e se aprofundando mais naquilo (até para saber se algo não foi compreendido por completo e gerou insatisfação), ou uma página de livro/HQ que podia ter lido a mais e ter entendido, até mesmo ser usado para ver mais cenas de um filme ou série para ver o desenrolar daquilo.

Conclusão: tempo perdido.

Se o problema for você (acontece…) e não o material, de que adianta?

E ainda que compreenda todo o conteúdo e aquilo não seja adequado a você, ainda possui pessoas que curtem.

Ele é voltado para um público.

Vai adiantar perder seu tempo reclamando?

Sempre há a opção de parar o que está fazendo ou vendo e partir para outra coisa.

Se o game não lhe agrada, jogue outro. Se o filme/série não se adequa às suas expectativas, mude de programa (em tempos de Netflix, isso nunca foi tão simples).

Se o livro não está bom para você, há bilhões de outros nas livrarias e pela internet.

Já vi e-books por R$5 para menos.

Desculpe, mas qual a sua justificativa?

 

A própria comunidade de fãs de Pokémon não entram em acordo sobre novidades e elementos adicionais da franquia.

 

Para que brigar?

Não estou extinguindo a possibilidade de haver algo ruim, existem aos milhares por aí, concordo plenamente. Mas brigar com outras pessoas, fazer campanha de ódio pela internet, promover sua “bandeira absoluta”…é o certo a se fazer?

Nunca a internet ofereceu tanta informação sobre tudo que existe quanto atualmente.

Dá para conferir antes de algo é desperdício de tempo e dinheiro ou não. Já me desapontei com várias coisas, ainda com esse universo de dados, porém isso nunca me deu o direito de apontar o dedo e brigar com os demais.

Na verdade, ninguém tem esse direito.

Então existe razão para pisarmos nestes materiais e em outras pessoas.

Pensando até na indústria em geral, às vezes o que está reclamando alguém deu o melhor que podia.

Isso te lembra de algo? Ou vai mentir para si mesmo e dizer que nunca passou por isso?

Gostaria que reavaliássemos nossas ações e reações ao que vemos nas redes sociais e sites especializados.

Desculpem a sinceridade (trilogia), mas estou cansado disso.

A cada game lançado, série que sai, filme que estréia, livro publicado vem aquela enxurrada de gente falando mal.

“Não é igual a X”; “Parece muito Y”; “Z faz melhor”; “Não-sei-o-que não está certo assim”; “Não-sei-quem não é assim”…parem.

Por favor. Temos milhares de opções para tudo.

Se não gostou da sua escolha, perdão, mas não é minha culpa.

Nem dos meus amigos. Nem da minha namorada. Nem de ninguém.

Mude, encontre algo que se adequa mais à sua preferência e espero que ame aquilo de todo coração.

Mas temos de dar um fim ao ódio.

Ou ele dará fim em todos nós, mais cedo ou mais tarde.

 

Para entrar em contato

Para mais informações, entre em contato pelo e-mail colunaestacaox@outlook.com ou adicione nas redes:

PSN: CorumbaDS
Xbox Live: PlumpDiegoDS
Nintendo Network: DarXtriker