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Vinicius Carlos Vieira

Saiu da faculdade de jornalismo e descobriu que não sabia fazer mais nada a não ser escrever sobre cinema. Resolveu virar crítico. Hoje, é editor e crítico do site Cinema Aqui (@cinemaqui), além de ser produtor do Nerd Cine Fest. No twitter pode ser encontrada no @vinicvieira

Independence Day: O Ressurgimento

Continuação chega só para destruir a Terra mais uma vez. Confira a crítica.

06 de julho de 2016 - 00:40

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bannerPor um segundo, ou talvez meia hora no máximo, Independence Day: O Ressurgimento dá àquela impressão de que enfim uma continuação caça-níquéis poderia estar ai com o único intuito de acrescentar mais ao filme original. Mas dura só meia hora mesmo, o resto do tempo o que sobra é raiva.

O filme tem início nos confins do universo e poderia se chamar “O Delay” ao invés de “O Ressurgimento”, já que trinta anos depois a raça de Ets que foram derrotados pelos humanos no primeiro filme recebem essa notícia. E agora eles tem uma nave muito maior.

Do lado de cá, ai a grande e divertida sacada dessa nova ideia, um Planeta Terra se uniu através daquela invasão e hoje é um mundo sem guerras e que ainda por cima aproveitou da tecnologia extraterrestre deles par criar TVs do tamanho de campos de futebol, uns helicópteros sem hélice, um caças que não precisam mais obedecer as leis da mecânica, muitos lasers e até uma base na lua com uma arma gigantesca. Uma mitologia que nasce daquele primeiro momento, tudo com um visual bacana e a impressão real de tudo isso ser a evolução de uma ideia.

E nessa meia hora, Emmerich entrega um filme objetivo, cheio de personagens e situações, todos bem espalhados e cada um deles com a responsabilidade de mostrar um pedacinho dessas novidades. Um primeiro momento divertido e que diante da enorme quantidade de personagens que tem à mão, faz muito melhor do que o esperado. Mas na sequência tudo é destruído com a mesma facilidade que Londres some do mapa (os moradores de Washington agradecem).

À começar, justamente, pelos personagens. Além de vermos velhas caras como a de Jeff Goldblum e Bill Bullman, ainda temos o acréscimo da filha do segundo (Maika Monroe), do filho do personagem de Will Smith (Jessie T. Usher), que morreu em um voo teste (… vulgo não aceitou voltar à sequencia) e ainda um novo piloto bonitão (Liam Hemsworth) que encarna o herói que precisa provar a todos que é bom. Além disso, ainda surge um líder tribal de algum lugar da Afríca (Deobia Oparei) que passou as últimas três décadas matando Ets com seu dois facões (ainda que em meio aos yankees não faça diferença nenhuma para a trama).

independence-day-2-destaqueTodo interesse inicial então se mistura aos poucos com uma série enorme de soluções bobas, simplistas e rasteiras. A impressão que fica é de tudo que está ali tendo sido visto ou usado em algum outro filme, além é claro de uma humanidade que continua burra e fazendo besteira atrás de besteira até os segundos finais antes da aniquilação completa, que é impedida (ai sim!) por um ato heroico (OK, dessa vez nem muito heróico ele é!).

Pior ainda, Independence Day: O Ressurgimento parece se atrapalhar em um punhado de erros que já tinha cometido no primeiro. De cara surge o objetivo maior de enfiar goela abaixo do mundo seu feriado de independência, já que os Ets voltarem a atacar justamente nesse dia é de uma conveniência que dá até sono. Fora isso, a impressão que fica é de só os Estados Unidos terem um exército inteligente o suficiente para enfrentar a invasão, o resto do mundo fica por ai ouvindo-os pelo rádio.

Mas talvez isso só aconteça já que só os americanos tenham um ex-presidente como o vivido por Bullman, em um esforço enorme para se matar durante o filme, mas antes disso faz um belo, ecoante e decisivo discurso que faz milagres com um monte de soldados em um hangar (ainda que grande parte deles sejam mecânicos e os pilotos não estejam lá). Nessa mesma toada, o divertido personagem de Goldblum, que não quer se matar (talvez pensando na sequência!), acaba tendo pouca importância, carregando ainda para esse limbo a sempre incrível (e aqui inexistente) Charlotte Gainsburg.

Por fim, esse segundo filme ainda equilibra um pouco a luta pelo respeito de seus espectadores em busca de algo diferente com uma tentativa de emplacar uma certa diversidade, com um simpático casal gay. Mas isso também é obliterado pela presença de um último desafio em forma de uma monstro gigante com um campo de força que falha justamente na hora que o filme precisa acabar.

E ai nesse momento você é obrigado a refletir como aquele começo divertido e cheio de expectativa chegou nessa bagunça toda. A ainda mais, sair do cinema com a impressão de que ainda virá coisa muito pior… e dessa vez nem os confins do universo serão polpados.

A crítica desse e de mais um monte de outras estreias você encontra no CinemAqui.