Ponto de vista
Investir na qualificação
HUMBERTO CHALLOUB
Cercada pela expectativa do fim da escala 6 x 1, as celebrações referente ao Dia do Trabalho, em 1º de maio, devem servir também à reflexão sobre uma realidade que cada vez mais preocupa os setores produtivos brasileiros: a escassez de mão de obra qualificada.
Considerado como um dos principais entraves para o País elevar os níveis de produtividade, a falta de profissionais qualificados representa um fator impeditivo para o País alcançar metas de crescimento preconizadas para as próximas décadas.
Os desafios a serem superados para evitar os prejuízos causados pelo que já vem sendo chamado de “apagão da mão de obra” são imensos, especialmente quando se sabe da necessidade de realização de grandes obras públicas e privadas e pelo movimento provocado em razão da necessidade de potencializar a capacidade de o País se consolidar como um dos maiores produtores e fornecedores de energia verde do mundo.
A tarefa de preparar a mão de obra necessária para alavancar o desenvolvimento brasileiro passa obrigatoriamente por uma política de educação consistente, com a valorização do ensino básico e profissionalizante, este último muitas vezes considerado uma atividade menor.
Diversos estudos elaborados por instituições envolvidas em gestão de recursos humanos e preparação de quadros de pessoal há muito chamam a atenção para a carência de profissionais qualificados para atender a contento as demandas geradas pela introdução de novas tecnologias e métodos utilizados em processos de produção já utilizados pelos países desenvolvidos.
A negligência com as políticas de educação pública, fruto da incompetência e do desinteresse irresponsável de governos seguidos, condenou o trabalhador brasileiro à desqualificação.
Setores como metalurgia, construção civil e saúde há muito encontram grandes dificuldades de contratar profissionais em quantidades suficientes para atender suas necessidades, uma tendência que agora começa a afetar outros segmentos importantes como os ligados às áreas de turismo, construção naval e tecnologia.
A tarefa de preparar a mão de obra necessária para alavancar o desenvolvimento brasileiro passa obrigatoriamente por uma política de educação consistente, com a valorização do ensino básico e profissionalizante, este último muitas vezes considerado uma atividade menor.
Para tanto, há necessidade priorizar o setor educacional, com a valorização dos quadros docentes – para torná-los atrativos – e a realização de investimentos contínuos na capacitação dos professores.
Da mesma forma, é preciso ampliar a rede de escolas públicas que oferecem cursos profissionalizantes, adequados às necessidades regionais. Sem isso, dificilmente será possível formar novas gerações de profissionais capazes de ocupar, com eficiência e responsabilidade, as vagas a serem oferecidas.