Arte de Conviver
Laercio Garrido

Professor universitário e escritor.

Lamentar é preciso?

01 de setembro de 2014 - 08:07

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O ser humano precisa tomar muito cuidado com as lamentações constantes e inadequadas. Elas contaminam o espírito com a mesma força destrutiva que o câncer ataca as células do corpo. Reclamar constantemente contra si mesmo e o mundo somente piora a situação. Será que todos estão errados? O gerente muito exigente. O cônjuge não compreensivo. Os filhos sempre se queixando. O amigo querendo levar vantagem. Até que ponto, a própria pessoa não tem alguma responsabilidade pelo que está acontecendo?

O indivíduo deve parar de se lamentar e analisar com sinceridade quais das suas atitudes podem estar gerando os problemas. Ele precisa descer do “salto alto” e administrar o próprio ego permitindo que a humildade positiva ilumine sua vida na correção dos erros.

A repetição das lamúrias tem um efeito extremamente pernicioso. Quanto mais alguém reclama, pior fica a situação. O ambiente se deteriora. O coração fica mais amargo. Os relacionamentos com a família e os amigos entram em colapso. O grande perigo é a pessoa se isolar e entrar num quadro de depressão, por achar-se desvalorizada pelos outros. É fundamental substituir o plano das reclamações pelo plano das ações. O que deve ser feito é aceitar as mudanças de comportamento necessárias, saindo da zona de conforto e parando de culpar os outros pelos próprios erros para assumir o caminho correto.

O indivíduo precisa entender que em certas ocasiões as atitudes dos outros são o reflexo das suas. O outro não deve ser considerado como um inimigo, mas como alguém que pode facilitar o seu autoconhecimento.

Todos sabem que lamentar não é uma atitude saudável, porém as pressões do cotidiano tornam muito difícil o “cair a ficha” para encarar o verdadeiro perigo das lamentações sistemáticas.

É preciso determinação para abandonar o divã das lamentações: deixar de pensar nas injustiças do passado, nas culpas pelo que fez e deixou de fazer, nos sacrifícios não recompensados. Isso tudo serve somente para diminuir a autoestima mergulhando a pessoa num mar de tristeza e pessimismo.

As pessoas devem saber que existem dois dias no ano que nada pode ser feito. O ontem que já passou e o amanhã que ainda não chegou. Portanto, é importante expulsar as lamentações da alma e viver o presente. Algumas atitudes podem energizar o espírito fortalecendo-o na luta contra as consequências destrutivas das lamentações:

Chorar com alguém é melhor do que chorar sozinho; Saber que a vida é muito curta para lamentações; ter consciência que a vida pode não ser justa, mas ainda é boa; entender que se todos colocassem seus problemas numa pilha e olhassem os dos outros, pegariam imediatamente os seus de volta; fazer as pazes com o passado para ele não atrapalhar o presente.

Alguém já disse: “O suor e as lágrimas guardam muitas semelhanças – são líquidos, salgados e pertencem ao corpo humano. No entanto, as lágrimas provocam compaixão e o suor gera mudanças”.

Texto extraído do livro A Arte de Conviver.