Estação X
Diego Corumba

Jornalista especializado em games

A maior feira de games do mundo

A E3, um dos maiores eventos do mercado de jogos, acontece todo mês de junho e traz inovações para o mundo dos games. Mas o que 2017 trouxe que pode criar alguma expectativa boa do mercado?

26 de junho de 2017 - 14:46

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Em meio aos palcos, anúncios grandiosos e muito luxo, Los Angeles se torna o principal foco do mundo dos games no mês de junho. Todo ano rola a Electronic Entertainment Expo (ou E3, para os mais íntimos) e ela é responsável por ditar o mundo dos jogos eletrônicos nos próximos anos. É através dela que são gerados a hype, as próximas tendências no universo gamer, que se constrói uma geração superior com inovação e evolução daquilo que já conhecemos.

Neste mês, na E3 2017, foram trazidos diversos anúncios e novidades que fizeram os olhos de todos os apaixonados pelo ramo brilharem. Mas não estamos aqui para falar sobre cada um dos anúncios, ou os “maiores destaques” ou até mesmo o famoso “quem venceu a E3?”. Se me perguntarem, inclusive, digo que quem tem qualquer um dos videogames da nova geração venceu a E3. Vamos falar o que a E3 2017 mudou em nosso cenário e o que estará por vir no mercado de games.

A E3 foi do dia 13 ao dia 15 de junho, mostrando tudo relacionado aos próximos anos de games em Los Angeles

Primeiramente, gostaria de falar sobre Kingdom Hearts 3. Ainda que seu trailer seja fantástico e muito bem elaborado, fazendo milhões de jogadores por todo o mundo ficarem perplexos em pleno domingo, eles mostraram um ponto onde ninguém observa bastante: o mercado musical dos jogos. Não sei se conhecem ou ouviram falar, mas existem orquestras inteiras que percorrem todo o mundo (inclusive tivemos isso no Brasil, o Video Game Live) e levam músicas conhecidas de diversos jogos para os palcos com tratamento de espetáculo.

Se não os conheciam não há o que ser julgado, afinal de contas, este tipo de show não é muito divulgado nem mesmo ao meio gamer. Porém, com o lançamento de um trailer de forma súbita na apresentação da orquestra da Square-Enix, as pessoas foram “forçadas” a compreender que este mercado não só faz parte, como é um dos elementos mais interessantes derivado dos videogames já criados. Mas se aceitar um conselho, não passe a assistir apenas na expectativa de algo ser anunciado ou divulgado, aproveite as músicas e redescubra uma das formas de se curtir som de qualidade e resgatar boas memórias sobre seus jogos favoritos.

Kingdom Hearts 3 surpreendeu com o vôo de Sora, confronto contra os Titãs de Hércules e com a trilha sonora espetacular feita pela orquestra da Square-Enix ao vivo no evento.

Outro anúncio que me deixou bastante intrigado foi da empresa Arc System Works (subordinada da Bandai Namco), trazendo Dragon Ball FighterZ. “Meu Deus do céu, outro Dragon Ball? Isso não vai parar? Já tem milhares!!!” foi seu primeiro pensamento? Sim, investiram em “outro” Dragon Ball. Com a ascensão da nova fase do anime e da marca estar voltando a ser o centro das animações japonesas, não é de se estranhar. Quanto a isso, nenhuma novidade. A surpresa foi a forma qual isso vai chegar às mãos dos jogadores…

No advento da tecnologia 4k, gráficos ultrarrealistas, oportunidade de fazer cenários gigantescos e até criarem uma diversidade em tela…foi descartado totalmente tudo isso e investiram na ideia de criar um jogo 2D. Totalmente feito em desenhos, pelo design do anime, temos em mãos novamente um jogo como era no SuperNintendo. Não se engane pela premissa, dinâmico, com variações entre personagens e parecendo muito com a animação, ele já conquistou milhões de pessoas pela internet afora e promete ser um sucesso instantâneo.

O que surpreende neste caso é seguir contra a maré que a própria Bandai Namco criou anteriormente. Desde o PlayStation 2, eles têm investido em games tridimensionais como Naruto Ultimate Ninja Storm, o próprio Dragon Ball, até mesmo o One Piece seguiu estes padrões e já até se tornaram uma variação conhecida por todos (e evitada por uma certa gama de jogadores). Trazer de volta o estilo não só mostra a preocupação da empresa com essa onda retrô que vem se formando, mas também traz uma simplicidade esquecida há tempos nos games da franquia.

Dragon Ball FighterZ promete trazer o dinamismo dos combates do anime para os videogames com máxima fidelização.

E não é só de inovações que vive a E3. A Ubisoft, particularmente, me surpreendeu em três aspectos. Não, não foi em Assassin’s Creed Origins e Beyond Good & Evil 2, que tem pessoas morrendo de amores até agora. Primeiro, Skull & Bones. Este jogo multiplayer de piratas com exploração marítima e combates navais (nada de muito inovador), qual na própria declaração foi dito que foi inspirado em Assassin’s Creed IV: Black Flag (se você leu “copiado” ao invés de inspirado, estamos juntos nessa) e não mostrou nada mirabolante…pelo bem e pelo mal, se mostrou um jogo muito bom. Fórmula copiada, “beleza”, mas reparem no que citei no tópico anterior, existia uma simplicidade no mundo dos games, algo que tornava a vida das pessoas melhor…e este game também a trouxe.

Em segundo, vi em The Crew 2 uma verdadeira mudança no perfil das empresas de game. Vamos ser sinceros? O primeiro game é um jogo genérico de corrida, lançado em péssima hora (Driveclub e Project Cars, além do Formula 1 e Forza estarem dominando o mercado), sem algo de impressionante e SOMENTE online afastaram uma boa parcela dos jogadores. Se fosse para gastar a grana numa franquia online ou em algo seguro de empresas já conceituadas, o que decidiria? Vendo isso, a própria Ubisoft resolveu radicalizar, tornando o segundo game num jogo radical de corrida com carros, motos, lanchas e aviões, com apelo forte em redes sociais, popularização e campeonatos abertos. Admitir um erro é espetacular, mas corrigi-lo sem ter medo da mudança não tem preço. Pelo que vi em tela, recomendaria fortemente uma olhada.

Terceiro e último, Mario + Rabbids Kingdom Battle. Todos sabemos que Mario tem uma game imensa de crossovers (aparições em outros games), mas todos fechados a um nicho bem específico e criados pela e para Nintendo. Sendo sincero, me corrijam se eu estiver errado, mas nunca vi a empresa deixar a produção do seu mascote nas mãos de qualquer outra até o anúncio da Ubisoft. O game, misturando os dois mundos e tornando as terras de Mario num cenário de guerra e estratégia, foi genial e tem tantos ou até mais méritos que Super Mario Odyssey. Pela inovação, pela coragem e por terem conquistado a confiança da Nintendo, posso afirmar que coisas boas virão para o futuro.

Ubisoft e Nintendo se uniram pela primeira vez para trazer uma experiência diferente aos fãs do Mario no Nintendo Switch.

Falando na Nintendo, há tempos que não sinto uma segurança e firmeza da empresa como neste ano de 2017. Desde o anúncio e lançamento do Nintendo Switch, eles vêm cultivando um lançamento por mês, com gamas diferentes e com jogos que conquistam os jogadores desde o princípio da empresa até os dias atuais. Teremos este ano Super Mario Odyssey, Pokkén Tournament (jogo de luta com personagens de Pokémon), Fire Emblem Heroes, Xenoblade Chronicles 2, além dos vindouros Metroid Prime 4, Kirby e Yoshi para se unirem aos sucessos de The Legend of Zelda: Breath of the Wild, Mario Kart 8 Deluxe e Armas num início forte e promissor do novo videogame da companhia.

Peço desculpas aos mais apaixonados, mas Sony e Microsoft não trouxeram nada de “novo” ou que fosse diferente aos jogadores quanto às demais. Ficou um grande amontoado de “mais do mesmo” com jogos em 4k, em VR, com gráficos sensacionais e complexidade de enredo que sempre são apostas garantidas. Não é uma ideia ruim apostar naquilo que já é fechado e traz investimentos certos às empresas, mas não sei se fui eu (ou alguns jogadores que aqui se identificam), faltou algo que mudasse o status quo destas duas. Que gritasse “inovação” em nossos rostos. Nenhuma queixa ao Xbox One X ou God of War, nada deixou a desejar, só o gosto de repetição que ficou no ar.

Além de God of War, o mais novo jogo do Spider-Man também marcou presença na feira, apresentando o confronto do Aranha contra o Sr.Negativo.

Havia tempos que uma E3 não me fazia sentir que coisas novas estavam surgindo, que o cenário gamer ainda tem muito chão a percorrer, muitas ideias a serem manipuladas através dos controles e que fizessem que esperasse alguns de seus jogos (mesmo que não vá jogá-los) para que o mercado mude. O mundo muda a partir de boas ideias, de alegrias, de bons momentos e de ruins também, para que tudo seja melhor dali em diante. Até mesmo o dos jogos. Então, que chegue a próxima leva de games, que tragam tudo que consigam idealizar e sirvam de modelo para o que surgir na sequência. Na vida, tudo que está aqui hoje deixou algo para trás, então temos de pensar claramente no que deixaremos para o que virá a seguir. Quanto a isso, desejo apenas coisas boas. 

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