Ponto de vista
Manter relações pragmáticas
HUMBERTO CHALLOUB
Cercado de grande expectativa, o encontro entre os presidentes Lula e Donald Trump revelou o pragmatismo colocado a serviço dos interesses do Brasil e dos EUA.
A discussão de temas relevantes às duas nações, que envolvem comércio, exploração de terras raras e combate à expansão de grupos terroristas e de tráfico de drogas, configura um novo modelo de relações bilaterais.
Descontadas as divergências políticas e ideológicas que marcam as relações entre os dois presidentes, que têm gerado gerando atritos desnecessários entre os dois líderes, ao Brasil cabe reconhecer a inegável importância econômica dos EUA para a manutenção da estabilidade mundial, bem como sua grande contribuição à ciência e ao surgimento de novas tecnologias.
No entanto, as boas relações com os EUA, com a manutenção do título de “país amigo”, não podem representar adesão cega a posturas imperialistas alimentandas por sentimentos xenófobos, de desprezo aos direitos humanos e ao meio ambiente.
Nesse contexto, além de procurar restabelecer laços de cooperação com um antigo aliado e importante parceiro estratégico, é preciso reconduzir o Brasil à condição de conselheiro prudente e eficaz interlocutor na busca de abertura para novos canais para a mitigação de conflitos políticos e comerciais ao redor do mundo.
O Brasil deve buscar a reaproximação com os EUA, refazendo os laços de cooperação com um antigo aliado e, sobretudo, colocando-se como um importante parceiro estratégico para o desenvolvimento de novas tecnologias sustentáveis
Da mesma forma, há necessidade de restabelecer o papel de liderança brasileira que sempre foi exercido na América do Sul, ampliando o diálogo com vizinhos para o restabelecimento de parcerias nas áreas de educação, ciência, tecnologia e inovação, com o objetivo de fortalecer os acordos econômicos e comerciais desenvolvidos no âmbito do Mercosul que, sem dúvida, trarão dividendos ao País.
O Brasil tem muito a contribuir com pesquisas avançadas na área de desenvolvimento sustentável, principalmente no setor de biocombustíveis e energias renováveis, desde que não seja visto como pária pelos demais países em razão de radicalismos ideológicos.
Portanto, cabe ao Itamaraty manter linhas de diálogo e respeito com as demais nações, na defesa de valores plurais e democráticos que sempre conceituaram o papel exercido pela diplomacia brasileira.
Inegavelmente, os EUA exercem forte influência nas relações internacionais e, por isso, é preciso restabelecer canais de interlocução sem subserviência.
Nesse contexto, o Brasil deve buscar a reaproximação com os EUA, refazendo os laços de cooperação com um antigo aliado e, sobretudo, colocando-se como um importante parceiro estratégico para o desenvolvimento de novas tecnologias sustentáveis que atendam o interesse de ambas as nações.